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Etnocentrismo e o "Abandono Salutar" do Brasil entre 1500 e 1530

O interesse pelo OrienteComo vimos, a armada de Pedro Álvares Cabral, em verdade, dirigia-se às “Índias” mas, seja acaso, tormentas, calmarias ou por propósito (o mais provável) chegou ao Brasil em 1500. Apesar de ter tomado posse da terra em nome do rei de Portugal, o principal interesse da monarquia, enfatize-se estava voltado para o Oriente, onde estavam as tão cobiçadas especiarias.

 

O “Achamento”

A Carta de Pero Vaz de Caminha fala em “achamento” destas terras, não fala em “descobrimento” ou “casualidade”. Tudo indica que, realmente, procuravam alguma terra, e a acabaram “achando”... O relato abaixo permite-nos uma idéia de como aconteceu este “achamento” segundo relatos de marujos da esquadra cabralina.

Na terça-feira à tarde, foram os grandes emaranhados de “ervas compridas a que os mareantes dão o nome de rabo-de-asno”. Surgiram flutuando ao lado das naus e sumiram no horizonte. Na quarta-feira pela manhã, o vôo dos fura-buchos – uma espécie de gaivota – rompeu o silêncio dos mares e dos céus, reafirmando a certeza de que a terra se encontrava próxima. Ao entardecer, silhueta­dos contra o fulgor do crepúsculo, delinearam-se os contornos arredondados de “um grande monte”, cercado por terras planas, vestidas de um arvoredo denso e majestoso.

Era 22 de abril ale 1500. Depois de 44 dias de viagem, a frota de Pedro Álvares Cabral vislumbrava terra – mais com alívio e prazer do que com surpresa ou espanto. Nos nove dias seguintes, nas enseadas generosas rio sul da Bahia, os 13 navios da maior amada já enviada às índias pela rota descoberta por Vasco da Gama permaneceriam reconhecendo a nova terra e seus habitantes.

O primeiro contato, amistoso como os demais, deu-se já no dia seguinte, quinta-feira, 23 de abril. O capitão Nicolau Coelho, veterano das Índias e companheiro de Gama, foi a terra, em um batel, e deparou com 18 homens “pardos, nus, com arcos e setas nas mãos”. Coelho deu-lhes um gorro vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro preto. Em troca, recebeu um cocar de plumas e um colar de contas brancas. O Brasil, batizado Ilha de Vera Cruz, entrava, naquele instante, no curso da História.

O descobrimento oficial do país está registrado com minúcia. Poucas são as nações que possuem uma “certidão de nascimento” tão precisa e fluente quanto a carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, dom Manuel, relatando o “achamento” da nova terra. Ainda assim, uma dúvida paira sobre o amplo desvio de rota que conduziu a armada de Cabral muito mais para oeste do que o necessário para chegar à Índia. Teria sido o descobrimento do Brasil um mero acaso?

É provável que a questão jamais venha a ser esclarecida. No entanto, a assinaturas do Tratado de Tordesilhas, que, seis anos antes, dera si Portugal a posse das terras que ficassem a 370 léguas (em torno de 2.000 quilômetros) a oeste de Cabo Verde explique a naturalidade com que a nova terra foi avistada, o conhecimento preciso das correntes e das rotas, as condições climáticas durante a viagem e a alta probabilidade de que o país já tivesse sido avistado anteriormente parecem ser a garantia de que o desembarque, naquela manhã de abril de 1500, foi mera formalidade: Cabral poderia estar apenas tomando posse de uma terra que os portugueses já conheciam, embora superficialmente. Uma terra pela qual ainda demorariam cerca de meio século para se interessarem de fato.

 

 

Etnocentrismo

 

Todas as culturas e civilizações humanas partilham algumas coisas em comum; por exemplo, tanto Esquimós, quanto Bosquímanos, Tupinambás, Astecas, Zulus, Mongóis, Japoneses e Europeus consideram a própria cultura ou civilização superior a todas as demais. Para os Ibéricos (Portugueses e Espanhóis) cristãos, com seu elã vital de "propagar o cristianismo católico" iam além e consideravam sua cultura ou civilização "a única válida" a exemplo dos estadunidenses hoje em dia, no século XXI.

Aquela visão tacanha não permitiu ver a tremenda diversidade cultural entre as mais distintas civilizações e povos diferentes que aqui viviam: Tupinambás, Carijós, Tupiniquins, Ianomamis, Guaranis... Todos eram "índios sem cultura, sem rei nem lei" e tinham de receber a cultura e a religião ibéricas - a alternativa era a morte ("Ficar entre a cruz e a espada" tem precisamente este significado, por sinal).

Apenas a título de ilustração ou curiosidade, todas as civilizações humanas têm a sua própria forma fazer sacrifícios humanos. Hoje em dia, nos EUA, a moda é julgar formalmente e, o considerado "culpado" de algo como "crime hediondo" é sacrificado através do uso da Cadeira Elétrica, da Forca ou da Injeção Letal. Na Península Ibérica ao tempo da conquista colonial do Brasil eram também muito comuns os sacrifícios humanos. A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, nome eufemístico da Santa Inquisição, julgava - aplicando violentos métodos de tortura física e psicológica, extraindo confissões as mais diversas - e, ao término dos trabalhos, "abandonava ao braço secular" o corpo da vítima a ser sacrificada indicando como deveria ser. Um método muito popular de Sacrifício Humano na Península Ibérica ao tempo da conquista colonial era a fogueira. A vítima era queimada numa fogueira, em geral ainda em vida (como ocorreu com Giordano Bruno, por exemplo); em alguns casos eram garroteados - mortos por enforcamento através de um garrote em torno da garganta - e, a seguir, incinerados para delírio da platéia. Também no continente que hoje chamamos América, nos tempos da conquista colonial, se praticava o sacrifício humano: inimigos derrotados eram mortos e sua carne, devorada pelos vencedores - um ritual nem tão raro nem tão comum quanto os Sacrifícios Humanos perpetrados na Europa cristã, naturalmente. Mas uns não consideravam aos outros como praticando esse tipo de coisa...

Agora, imagine que você desse de presente para um grupo de índios da Amazônia (onde não há eletricidade, água encanada, saneamento básico ou mesmo respeito por parte da FUNAI - Funerária Nacional de Índios) um computador de último tipo, capaz de pegar o sinal da Internet por satélite e funcionar a bateria. Diante de tal peça, os Ianomami, respeitosos, o enfeitariam com penas, colocariam outros adereços comuns e deixariam o computador em exibição, todo enfeitado, a quem desejasse olhar. Estranho? E nós que pegamos seus instrumentos de trabalho - como arco-e-flexa, por exemplo - e penduramos como enfeite em nossas paredes? Qual a grande diferença?

Enfim, em última instância, no mundo humano e sendo o ser humano como é, vence sempre quem dispõe de maior poderio bélico, não aquele povo que manifesta um tipo superior de moralidade. Assim, hoje já não há quase nada de cultura nativa nestepaíz. Os "índios" foram convertidos ou assassinados.

Para saber mais sobre os "Índios do Brasil".

Tristes Trópicos - Claude Lévi-Strauss

E ainda

O Que é Etnocentrismo? - Everardo P. Guimarães Rocha

 

 

 

Os Tupiniquins

         Ao longo dos dez dias que passou no Brasil, a armada de Cabral tomou contato com cerca de 500 nativos.

Eram, se saberia depois, tupiniquins – uma das tribos do grupo tupi-guarani que, no início do século 16, ocupava quase todo o litoral do Brasil. Os tupis-guaranis tinham chegado à região numa série de migrações de fundo religioso (em busca da “Terra sem Males”, no começo da Era Cristã. Os tupiniquins viriam no sul da Bahia e nas cercanias de Santos e Bertioga, em São Paulo. Eram uns 85 mil. Por volta de 1530, uniram-se aos portugueses na guerra contra os tupinambás-tamoios, aliados dos franceses. Foi uma aliança inútil: em 1570 já estavam praticamente extintos, massacrados par Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil.

 

 

O "Abandono Salutar" de 1500 a 1530 com poucas viagens exploratórias

Primeiras Expedições

 

O Brasil, ao contrario do Oriente, não possuía, em princípio, nenhum atrativo do ponto de vista comercial. Ao longo do período pré­-colonial foram, entretanto, enviadas várias expedições a nosso pais.

 

Primeiras expedições – Entre 1501 e 1502, Portugal enviou a primeira expedição com a finalidade de explorar e reconhecer o litoral brasileiro. Essa expedição, da qual se desconhece o nome do comandante, foi responsável pelo batismo de inúmeros lugares: cabo de S. Tomé, cabo Frio, São Vicente, etc. Com certeza, nessa expedição viajou o florentino Américo Vespúcio, que, posteriormente, em carta ao governante de Florença, Lourenço de Médici, irá declarar que não encontrou aqui nada de aproveitável. Apesar disso, constata a existência do pau-brasil, madeira tintorial conhecida dos europeus desde a Idade Média, que até então era importada do Oriente.

O pau-brasil – As primeiras atividades econômicas concentraram-se, pois, na extração ­daquela madeira, segundo o regime de estanco, isto é, sua exploração estava sob regime de monopólio régio. Como era costume, o rei co­locou em concorrência o contrato de sua exploração, que foi arrematada por um consórcio de mercadores de Lisboa chefiado pelo cristão novo Fernão de Noronha, em 1502.

No ano seguinte (1503) Fernão de Noronha montou uma expedição pata a extração do pau-brasil e fez o primeiro carregamento do produto.

No Brasil, foram estabelecidas então as feitorias, que eram lugares fortificados e funcionavam, ao mesmo tempo, como depósito de madeira. O pau-brasil era explorado através do escambo, no qual os indígenas forneciam a mão-de-obra para corte e transporte da madeira em troca de objetos de pouco valor para os portugueses.

Brasil 1570. Padres solicitam às Autoridades portuguesas - a Metrópole do Brasil na época - que enviem órfãs para se casar com os rudes trabalhadores que aqui moravam pois estavam obcecados - como usualmente os padres sempre são - com a sexualidade dos trabalhadores que, além de os afastar da missa, produzia uma indesejável quantidade de mestiços e a prioridade então era o "branqueamento da pele".
          O filme DESMUNDO revela de maneira realista o choque cultural entre meninas profundamente religiosas e seus maridos, brutais, acostumados com a dureza do trabalho e a lidar com o trabalho escravo. A maioria "amolece" a esposa como um domador de cavalos. Algumas se suicidam tentando voltar - a nado - a Portugal, algumas enlouquecem. A maioria, como desde sempre em terra brasilis, "se acomoda" à situação.. Alain Fresnot explorou este tema brilhantemente no filme "Desmundo". Reproduzo abaixo dois trechos apenas para "dar um gostinho" ;)

 

 

 

Desmundo - Brasil 1570 - Os Casamentos

           Neste breve trecho do filme Desmundo - 2002, de Alain Fresnot, vemos claramente tanto a preocupação dos padres com a sexualidade dos homens que estavam trabalhando no Brasil (interessante como os padres SEMPRE se preocupam muito com a sexualidade. Tem por ela tanta obcessão quanto os famintos e os morbidamente obesos têm obcessão por comida...)
            Com a chegada de muitas órfãs criadas em instituições religiosas de Portugal espera-se tanto trazer os rudes "brasileiros" de volta à Igreja Católica quanto branquear a pele, deixando os habitantes de produzir mestiços à farta em ligações não sacramentadas pela Igreja Católica Apostólica Romana.
            Tudo indica ser este o máximo de preocupação que Portugal dedicava ao Brasil até aquela época - antes da descoberta de veios de ouro e prata ou mesmo do início da exploração de terras cultiváveis.
              Ainda havia índios em quantidade por aqui, cabe acrescentar...

 

Recomendações Para Aprofundamento

Casa Grande e Senzala - Gilberto Freyre

 

O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir

OBRA PRIMA DO FEMINISMO INTERNACIONAL!

O Que é Etnocentrismo? - Everardo P. Guimarães Rocha

A Carta de Pero Vaz de Caminha e El Rey

Raízes do Brasil - Sergio Buarque de Hollanda

 

 

História Econômica do Brasil - Caio Prado Jr.

 

Formação do Brasil Contemporâneo: Colônia - Caio Prado Jr.

 

 
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