Cultura Brasileira: no ar desde 1998

Da 1ª Guerra Mundial (1914 - 1918) até o Brasil governado pelos criminosos neste século XXI. Como chegamos a essa situação?

 

 

Introdução (07/11/2014): um amigo me enviava, com frequência, e-mails com suas inquietações acerca da situação política brasileira, criticava o que ele via como "ingresso do Brasil no comunismo" e conclamava a uma Intervenção Militar. Nada a ver. O Brasil jamais, em toda a sua história, passou sequer perto de um sistema de economia planificada - que dirá de "comunismo"; o que houve e está passando foi a tomada da esfera pública por criminosos que se vestem de vermelho e, sem ler ou conhecer bulhufas de Marx, Lênin, Trotsky ou comunismo roubam dinheiro público e governam com incompetência. Explicava a ele que "Ditadura Militar" já se tentou por aqui sem sucesso e muitas mortes. Que Algo Novo era preciso. Tivemos de esperar mais dois anos para que este Algo Novo surgisse e teremos de esperar mais algum tempo até que o Brasil seja passado a limpo uma vez Resgatado dos criminosos que o sequestraram...

À carta que, em 2012, escrevi a meu amigo e, penso, pode ajudar a entender um pouco do que vem ocorrendo no mundo desde a Primeira Guerra Mundial até nossos dias...

São José do Rio Pardo, madrugada de 27 de novembro de 2012

Grande Amigo!

            Usualmente você se comunica comigo através de e-mails, sempre muito bem-vindos por trazerem artigos interessantes, bem-humorados e com os quais se pode concordar, pelo menos em parte. Dada o fato de somente por telefone eu ter a uma aproximação ao seu pensamento, a escolha dos anexos em emails que me envia aponta também nesta direção. Ou você concorda com o que ali vai escrito ou falado ou, por outro lado, busca a minha opinião ou concordância. Sua escolha de não se expressar por email – apenas enviar-me mensagens de outrem ou anexos – permite-me apenas, pela qualidade de sua escolha diante de um universo virtualmente infinito de escolhas possíveis, intuir pelo menos certo nível de concordância, pelo menos com alguns aspectos do que ali vai divulgado.

             Peço a sua paciência, meu grande Amigo, e rogo que se recorde que nossa antiga amizade e laços familiares nos unem bem mais que qualquer eventual discordância que venhamos a ter acerca de observações sobre como o mundo (particularmente o mundo da política brasileira) funciona. Insiro esta observação pois vivo num país em que se vê pessoas se matarem umas às outras por divergências em jogos de futebol (um torce pelo time A, o outro pelo time B e, em função disso, vão às vias de fato), em alguns casos por divergências políticas (o amigo “A” apoia o político corrupto “x” e o amigo “B” apoia o político corrupto “y” e, para que se mantenham em bons termos é necessário que o eleitorado escolha, por exemplo, o político corrupto “z”. Se “x” ou “y” vence, a amizade se perde sem que qualquer dos dois tenha a mais pálida relação com qualquer deles, ou filiação partidária ou preferência futebolística). No Brasil eu não conheço, pessoalmente, casos de rupturas por motivos religiosos, mas não descarto que possa acontecer em determinadas regiões. O Brasil é um país majoritariamente católico (eu diria mesmo, com clareza, violentamente católico) e, se alguém “entrega o coração a Jesus” e seu dinheiro para um televangelista protestante destes que infestam as emissoras radiofônicas e algumas televisivas como praga de mato, há sempre o perigo de rupturas, claro. Talvez, por coisas assim, os mais tradicionais entre os de mentalidade mais simplória prefiram a fórmula que ouviram de seus avós, aquela bem antiga e ultrapassada entre a maior parte dos brasileiros com acesso à Internet, ou seja, aquela coisa simplificante e simplória de dizer algo como “política, religião e futebol não se discute”.

            Passei a maior parte de minha vida estudando, em sociologia, movimentos multitudinários de seres humanos. Meu mestrado em ciência política vai pras picas se não puder falar sobre isso. Em ciência percebemos que as observações religiosas além de não ter nada de útil a oferecer, na maior parte das vezes tem sido brutalmente danosa! Os casos são inúmeros... Desde Galileu, que com um telescópio constatou ser verdade o que o padre polonês Nicolau Copérnico deixou cautelosamente para publicação póstuma. A atitude de Copérnico vivendo sob o autoritarismo religioso de seu tempo me faz lembrar um antigo professor de história que muito influenciou na minha escolha da carreira profissional; uma vez perguntei a ele “o que achava” acerca de uma decisão tomada pelo General Ernesto Geisel. Meu professor, cauteloso, saiu pela tangente: “Eu não acho nada! Havia outro professor aqui antes de mim. Ele achava muitas coisas e hoje ninguém consegue achar ele!”

            Lembro-me vivamente do início das pesquisas em torno de doenças cardíacas e o descobrimento fabuloso e salvador de vidas de coisas como “válvulas mitrais artificiais”, “ponte de safena” e mesmo “transplantes cardíacos”. Talvez o Amigo se lembre também... A Igreja Católica Apostólica Romana proibiu violentamente que se tocasse “na sede da alma”, no que foi acompanhada por toda a coorte de televangelistas que começavam a pulular; isso foi ali pelo início dos anos 70... Hoje há muitos bispos católicos e mesmo bispos protestantes e televangelistas com corações implantados, marca-passos, safenados, portadores de marca-passos e este deixou de ser um problema. Hoje a violência religiosa se ergue feroz contra a pesquisa em células-tronco (em países atrasados como o Brasil o Senado Federal até mesmo convida sacerdotes de vários credos a dar sua opinião numa questão científica!). Conheces o problema, não? Em cerca de 50% dos casos em que as mulheres engravidam elas perdem seus blastocistos iniciais numa menstruação e sequer se dão pela coisa. Alguns ficam firmes, se multiplicam e, quando velhos, passam a implicar com os religiosos – ou a pregar teorias anti-científicas, de acordo com suas idiossincrasias pessoais. Mas é necessário haver uma fecundação bem-sucedida e que se retirem os blastocistos – nome técnico da massa informe de células que têm o potencial de se desenvolver em praticamente tudo o que temos no corpo: células cerebrais (há esperança para os que são afligidos pelo Mal de Alzheimer, por exemplo, nesta pesquisa), células epiteliais (ampliando a possibilidade de recomposição de pessoas que sofreram severas queimaduras), células ósseas (e aqui os reumáticos podem pensar em pular de alegria...). O problema é que as religiões tentam mais uma vez bloquear os avanços científicos! Alguns dizem que “a alma é insuflada pelo criador no corpo logo no momento da concepção” – UAU! Mas o que é “alma”, quem criou esse criador? Por que os religiosos de todas as fezes têm tamanha obsessão com tudo o que se refere à sexualidade humana? Mas afinal, por que vivem obstaculizando o avanço da ciência. Por isso – sem mencionar os anos de pesquisa em torno de religiões comparadas em Antropologia – não posso simplesmente “deixar de falar em religião”.

            Já a respeito do futebol, de bom grado me calo! Não entendo bulhufas! Um bando de barbados brutalmente bem-remunerados em roupas e penteados ridículos correndo atrás de uma bola de borracha e couro com um camarada vestido de preto correndo atrás não da bola, mas dos eventuais infratores de seja lá quais forem as regras... Isso realmente eu preferi deixar fora do meu campo de interesse, portanto, nada tenho a dizer a respeito. Talvez manifestar o meu espanto como as pessoas são capazes de entrar em lutas ferozes por motivos ridículos que nada têm a ver com elas, mas isso não ocorre somente no futebol, parece estar impresso em nossos genes que tenhamos de, em certos momentos, nos agregar com pessoas de ideologia ou crenças similares e lutar contra grupos rivais que pensem de maneira diferente.

            Enfim, nesta primeira mensagem ao Amigo neste formato, vou me concentrar, se me permite num aspecto das muitas questões políticas que colocas – a Universidade Federal Fluminense dedicou a mim extraordinários professores e recursos de pesquisa durante mais de 12 anos, precisamente em torno desse tipo de conhecimento, então, aqui navego por águas conhecidas, ok?

O Governo dos Militares foi um boa?

            Vejo em suas mensagens a recorrência deste tipo de colocação em tonalidades distintas, ora uma expressão jocosa – e mando aqui um Viva às Expressões Jocosas! – ora um discurso de parlamentar reminiscente dos governos militares como Bolsonaro ou José Sarney, ora um locutor de rádio do interior da Paraíba, saudosista dos militares... Compreensível que isso ocorra no Brasil, jamais se democratizou de maneira completa, a república não passa de um nome e os cofres públicos são tratados como “Cosa Nostra” por todos os governos. Quando digo “todos os governos”, gostaria de deixar claro que não abro exceção por não haver exceção alguma a fazer! Durante a Ditadura Militar (demos ao que aconteceu a terminologia apropriada dentro das Ciências Sociais, se me permite: Ditadura Militar) não se falava em corrupção pois, como já sabia meu velho professor de história, quem achava muito, simplesmente sumia. Mas a roubalheira e o saqueio aos cofres públicos durante a Ditadura Militar foi intenso. Concedo, menor e menos sofisticado que os esquemas de FHC, Collor de Mello ou Lula da Silva, que estes batem todos os recordes desde que D. João VI saqueou o Banco do Brasil quando voltou para Portugal em 1821. José Ribamar Sarney é provavelmente o político profissional mais antigo ainda no poder, alçado que foi pelos militares, e em seu governo a roubalheira aos cofres públicos tampouco deixou a desejar.

            Não, a Ditadura Militar não foi uma boa para os brasileiros – e não apenas pelo nível de corrupção, em nada diferente dos outros – e não há condições objetivas de acontecer aquele tipo de governo na América Latina novamente dentro do horizonte perceptível. Examinemos um pouco de história. Paciência, por favor, meu Amigo, estou velho e tendo a ser mais prolixo do que quando mais novo. Mas mantenho a objetividade e, em nome da objetividade rogo a paciência para uma aproximação científica – das ciências sociais – acerca do que sabemos sobre as Ditaduras Militares plantadas na América Latina pelos EUA.

 

Um pouco de História

I.              O período Entre Guerras na Europa

            Voltemos no tempo até o final da I Grande Guerra na Europa (1914 – 1917). De um lado havia os países capitalistas aliados aos EUA que, a princípio, prefere não interferir. Aquela Guerra era uma Guerra em torno da partilha dos territórios coloniais na África e Indochina. Os EUA já tinham, desde a imposição da Doutrina do presidente James Monroe – “A América (o continente inteiro) para os Americanos (dos EUA)” toda a América Latina como sua possessão. Não tinham ainda crescido ao nível do interesse em colônias na África ou Sudeste Asiático. De um lado, portando a Inglaterra, a França e a Rússia, países capitalistas com várias colônias conquistadas a outros países (Argélia, Afeganistão, Indochina, Oriente Médio...). De outro as Monarquias Centrais da Europa, que queriam o seu lugar na partilha dos país dos outros: Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália (esta muda de lado à medida que a Guerra avança, de acordo com seus interesses.).

A Rússia sai da Guerra em 1917 – a soldadesca se recusava a lutar numa Guerra pela partilha de colônias para beneficiar os ricos banqueiros e empresários russos enquanto eles morriam como moscas. A Rússia sempre foi muito populosa e na prática a única coisa que os Tzares tinham a oferecer era carne humana, bucha de canhão. Enquanto a vida dos que produziam a riqueza da Rússia era sugada pelos poucos que ocupavam o poder ou orbitavam em torno do Tzar (banqueiros, sacerdotes e empresários, sumarizando) eles mesmos, os que geravam a riqueza, nada tinham. A fome matava os russos em casa enquanto as balas prussianas e austríacas dizimavam a soldadesca. Os Russos voltam para a casa e, segundo o famoso Hino, “A Internacional”, cantavam: “Se a raça vil cheia de galas, nos quer à força canibais, logo verá que nossas balas são para os nossos generais!” Explode a Guerra Civil na Rússia que, após muitos percalços se transforma no primeiro país do mundo governado por operários, camponeses e soldados – assim como a França havia, em 1789 – se tornado o primeiro país do mundo oficialmente governado por “gente do povo”, no caso francês mais antigo, é o que o famoso historiador britânico, recentemente falecido, Eric Hobsbawm chamava de “Revolução Burguesa”; saem os reis, príncipes, condes, barões e sacerdotes e se cria um Estado Laico – excomungado pela Igreja e em torno do qual se criou um “cordão sanitário” par que aquela ousadia não se espalhasse. Hoje é a norma no mundo. Em 1917 foi a primeira vez na história escrita da civilização industrial em que aqueles que geram a riqueza da nação tomam a si o cargo de dizer como essa riqueza deve ser expendida, despachando sumariamente (em muitos casos fisicamente mesmo, por fuzilamento ou enforcamento) os sanguessugas de cima que nada faziam e tudo tinham. Com o passar dos anos o regime soviético apodreceu e o poder voltou, na prática, aos banqueiros e empresários de outrora. Curiosamente, os líderes políticos na Rússia de hoje são os mais corruptos da Era Soviética, apenas mudaram de nome e se aliaram aos estadunidenses de Wall Street, mas este é assunto para outra oportunidade, combinado?

Com a saída dos russos, a máquina bélica alemã e austro-húngara cresce espantosamente a ponto de os soldados alemães já vislumbrarem a Torre Eiffel quando os EUA desembarcam com tropas descansadas e armamento pesado de fazer inveja numa Europa já exaurida. Em finais de 1917 os generais austro-húngaros e alemães se rendem com os soldados daqueles países se sentindo na prática vitoriosos. Sem disparar uma espoletinha, os EUA decidem a Guerra a favor dos Britânicos que, endividados, transferem os títulos da dívida que tinham para com os Rotschild para os EUA determinando ali o início da hegemonia estadunidense no cenário mundial.

O final da Grande Guerra deixa os vencedores pouquíssima coisa menos ruim que os derrotados. Terra destruída por bombardeios demora a ser recomposta para produzir alimentos. Na Itália, uma sucessão de golpes bem-sucedidos, particularmente na área da propaganda, conduz o ex-socialista, e ex-combatente da I Guerra Benito Mussolini ao Poder com vasto apoio e suporte dos EUA, da Inglaterra e da França. A trajetória de Benito Mussolini tem tantos e tamanhos paralelos com a de Lula da Silva que chega a ser espantoso: também foi militante esquerdista na juventude e abraçou a extrema direita para assumir o poder e muitos sequer perceberam isso até praticamente os dias de hoje – ainda há quem imagine Mussolini como “um homem de esquerda”, como ainda há no Brasil de hoje quem imagine Lula da Silva como “um home de esquerda”, o que deixou de ser há muito tempo...

Na Alemanha derrotada a inflação dispara violentamente a ponto de um pãozinho (pãozinho francês desses que custava 0.7 copeques na URSS desde 1917 até 1989) custava de manhã uns 500 Francos, à tarde 2.500 Francos e, na manhã seguinte já estava cotado a 5.000 Francos e pior que isso! As pessoas carregavam carrinhos de mão carregados de Francos já impressos em papel jornal que mal valia o seu peso em papel mesmo para comprar coisas banais.

Com o “mau exemplo” da Rússia, estavam todos apavorados com a possibilidade da ascensão de um regime similar por ali. “Comunismo” na poderosa Alemanha era algo que aterrorizava e tirava o sono dos banqueiros e empresários estadunidenses e britânicos.

 

II.            A Ascensão do Fascismo

 

Para conter o comunismo na Alemanha, segue-se o exemplo da Itália. Nos EUA Mussolini era recebido com festa pela liberdade que concedia aos negócios na Itália ao encarcerar os comunistas – na Itália não ocorreram grandes massacres embora tenha havido séria violência interna, a maioria dos dissidentes foi exilada ou presa, mais ou menos como aconteceu na Ditadura Vargas em seus primeiros anos. Mussolini se tornou extraordinariamente popular entre os italianos, e até a Igreja Católica se rejubila com a sua colocação. O Sr. Achille Ratti, o antecessor imediato do Sr. Eugenio Pacelli assina com Mussolini, em 1929 o famoso Tratado de Latrão, concedendo generosa “compensação financeira” à Igreja por territórios perdidos e reconhecendo o Estado do Vaticano como um Estado Soberano – e o Sr. Achille Ratti, chamado por seus seguidores de Papa Pio XI, torna-se seu primeiro chefe ficando no cargo até sua morte em 1939 – politicamente inexpressivo fora a coincidência de estar no cargo quando Mussolini resolve acenar ao povo católico da Itália com agrados a seu principal líder religioso. Eugenio Pacelli, famoso como “o Papa de Hitler” tem uma trajetória mais interessante, voltaremos a ela mais adiante.

            Adolf Hitler, a quem o respeitadíssimo Marechal Hindenburg chamará de “Pequeno Cabo Austríaco” até a sua morte em 1934 começa com sua arenga nos arredores de Viena após frustrar-se para ganhar a vida como pintor sem ter talento algum para isso. Havia combatido e se ferido na I Guerra e era mais um dos muitos ex-combatentes alemães que se sentiam traídos pelos seus generais. Transfere-se para a Alemanha. Os bares de Munique se converteram em ponto de encontro dos desempregados e insatisfeitos em geral onde sempre havia um locutor a pregar a sua versão de redenção e uma plateia ávida por ideias que lhes libertasse da situação em que se encontravam. Dívida externa para com os franceses num tratado – o Tratado de Verdun – absolutamente impossível de cumprir; economia esfacelada pela Guerra e, dada a avidez dos banqueiros alemães gera-se uma inflação sufocante em busca de mais poder dos banqueiros sobre a moeda do país e por aí ia...

            A arenga de Hitler corria na direção do antissemitismo e anticomunismo militante. “Os culpados por estarmos nessa situação são os judeus e os comunistas!” “Temos de tomar de volta toda a riqueza de que os judeus se apossaram e varrer do mundo a canalha comunista”. Sua arenga era precisamente o que os banqueiros e empresários internacionais esperavam para suportar um “regime forte” que fosse capaz de conter o “avanço do comunismo” e que providenciasse um país seguro para as transações financeiras. Henry Ford foi um dos primeiros industriais a se aproximar e fazer amizade pessoal com Adolf Hitler (foi assim que nasceu a ideia da fabricação de um carro popular – em alemão, Volkswagen – usando tecnologia da Ford e aço importado dos empresários anglo-estadunidenses). À medida em que Hitler se fortalecia, mais e mais empresários e banqueiros do mundo o aplaudiam e apoiavam. A IBM providenciou as máquinas necessárias para o controle da população; aquelas máquinas de gravar números longos nos braços dos judeus, ciganos, comunistas e homossexuais que eram aprisionados nos campos de extermínio vinha com a tecnologia e a assinatura da IBM. A “questão judia” não parecia incomodar a ninguém. Em outras palavras, nenhuma nação civilizada do mundo se importava com o destino dos judeus na Alemanha Nazista, pelo contrário! Mesmo Eugenio Pacelli – a quem seus seguidores chamavam de Papa Pio XII, sucessor do Sr. Achille Ratti – rezava pessoalmente missas agradecendo a deus pelo envio de um homem capaz de conter os maiores inimigos da fé católica na Alemanha: judeus e comunistas.

            Com largo apoio de banqueiros e empresários britânicos, estadunidenses, alemães e franceses o poder de Hitler atinge paroxismos inimagináveis. Todos fazem vista-grossa quando a Alemanha governada pelo Partido dos Trabalhadores (o nome completo então era: Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães), usando as cores, os slogans e a propaganda socialista o bruxo Friedrich Goebels levava as massas alemães ao delírio e até hoje impressiona os mais simplórios com slogans vazios de ideologia ou substância. Mas, claro, fez escola. Veja o Barack Obama que se elegeu e reelegeu com o slogan “Yes We Can” - “Sim, nós podemos”. Sim o quê? Podem o quê? Mais um slogan vazio, completamente vazio. O mesmo no Brasil. As cores vermelhas, os slogans de esquerda e o discurso praticamente imutável desde o tempo em que Lula estava efetivamente na esquerda são usados hoje para entregar o grosso da produção dos trabalhadores brasileiros para a ciranda financeira internacional. O Amigo se preocupa com a corrupção e as obscenas “indenizações” que eles ganham por haverem sofrido “perseguição” durante a Ditadura Militar. Tudo isso é certo, eu digo, combater a corrupção e a vergonha dessas indenizações. Há pouco ainda assisti a uma entrevista (deve ter sido a última que deu na vida) de Millôr Fernandes na TV Câmara. Ele criticava o Ziraldo e o Jaguar que recebem uma fortuna do governo a título de “indenização”. Dizia Millôr: “eu estava combatendo a Ditadura e esses caras estavam fazendo pecúlio...”

            Amigo, junte 10.000 anos de indenizações a desavergonhados como Ziraldo ou Jaguar; some mais uns 5.000 anos de roubo aos cofres públicos levando Antônio Palocci e o Lulinha a se tornarem as maiores fortunas do Brasil, já quase emparelhando a do assassino em maça Eike Batista. Agora some tudo e multiplique por dois. Este é o tanto que o Governo do Brasil manda por ano para os banqueiros brasileiros, estadunidenses e europeus, seja a título de “ajuda”, “juros”, “juros sobre juros” ou o que for. É um saque BRUTAL aos cofres públicos e o mais escandaloso desvio de recursos públicos para finalidades imorais (embora tornadas “legais” por congressistas remunerados mensalmente “por dentro e por fora” para tornar a roubalheira legal do ponto de vista jurídico.).

            Sim, vamos juntos criticar a corrupção desavergonhada dos sucessivos desgovernos Lula da Silva; sim, vamos criticar o pagamento irracional de indenizações espúrias a gente idem – e, uma vez que houve o que se chama de “anistia ampla geral e irrestrita”, como é que não pagam às famílias dos militares que morreram enquanto tentavam matar comunistas também? É realmente uma vergonha! Mas não deixemos que isso nos cegue em relação ao elefante sentado no meio da sala: a sangria monstruosa de rios caudalosos de dinheiro oriundo de nossos impostos para enriquecer cada vez mais os jogadores da bolsa de valores e banqueiros em geral que não produzem nem fazem absolutamente nada de útil para ninguém!

            Eu não chegaria a ponto de criticar os programas assistencialistas pelo viés puro e simples de ser humilhante – como dizia o Sábio Luiz Gonzaga, “dar esmola a um homem são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. É preciso, sim, em algum momento parar com isso. Mas para tanto é fundamental que a economia (do grego “eco”, casa e “nomos”, gerenciamento) volte a tratar das trocas de bens materiais entre pessoas e abandone esse caminho esquisito que a transforma mais em sacerdócio e a afasta da ciência. Que o país cresça e que o fruto do trabalho das pessoas reverta a elas que geram a riqueza da nação. É absurda esta situação em que os que mais trabalham não têm acesso à riqueza enquanto os mais ricos em geral não fazem nada. Isso corrompe a nação como um todo e gera a criminalidade esparsa das periferias, a busca de fuga de uma realidade insuportável em drogas assassinas. O Brasil é um país rico (neste ponto, não há reparo a fazer nos discursos presidenciais). O problema é a forma como os governos brasileiros, numa linha contínua desde Castello Branco até Lula da Silva (e sua representante neste seu terceiro mandato, aquela búlgara, me esqueço o nome, é tão insignificante...): capitalismo e crise são sinônimos. Sempre que se fala em viver em capitalismo é viver em crise. Ou o amigo se lembra de algum momento na vida nacional em que não se tenha falado em “crise”?

            Mas, voltemos à história e aprofundemos este tema ao final se a sua paciência a tanto chegar...

III.  A Segunda Guerra

      Como dizia, as nações do mundo faziam vista grossa tanto ao massacre aos judeus na Alemanha – mais ou menos como o mundo fica cego às monstruosidades que os Israelenses perpetram contra os palestinos em sua própria terra – quanto, mais adiante, à medida em que Hitler vai rearmando a Alemanha com aço importado dos EUA, pólvora da Inglaterra e vai até refazendo seu parque industrial para gerar essas coisas internamente, sem ter de pedir a quem quer que seja. Mas para isso precisará ainda da matéria-prima, o que somente se encontra em outras partes da Europa que Hitler passou a chamar de seu “espaço vital” – Lebensraum em alemão.

      Hitler anexa os Sudetos (região da hoje República Checa que tinha um maioria de alemãs favoráveis a Hitler) e o mundo se cala. Hitler fabrica seus tanques blindados (em alemão, Panzer) e modifica a constituição do país; ao invés de declarar obediência às Instituições do país, torna-se obrigatório declarar obediência ao Führer.

      No entretempo, Franklin Delano Roosevelt consegue, com certa facilidade, eliminar o que entrou para a história como “The Business Plot”. O General Fascista Estadunidense Smedley Butler intenta um putsch contra o governo estadunidense, o que foi considerado “extremamente grave” pela comissão do Senado que examinou a questão em 1933. Há rumores de envolvimento do vice-presidente Harry Truman, jamais confirmados. Mas os banqueiros jamais perdoaram Roosevelt pela enormidade da intervenção estatal que permitiu aos EUA sair da crise provocada – hoje o sabemos em detalhes a partir de vasta documentação – pelos banqueiros em busca de tomar a si o controle da moeda que circula nos EUA (o que vêm a conseguir somente em 1985, no governo Reagan que, na prática, ao transferir ao Banco Central Estadunidense, um banco privado com fins lucrativos como o Bradesco ou o Itaú embora ostente o pomposo nome de fantasia de “Federal Reserve”, Reagan transferiu todo o poder decisório em economia da Casa Branca para Wall Street que se torna cada vez mais o centro decisório de todo o poder estatal mundial.).

      Enfim, com a quebra da bolsa de valores em 1929 os banqueiros torciam para que o próximo presidente estadunidense transferisse esse poder de controle da moeda do país para eles. Elege-se Franklin Roosevelt e consegue superar a crise sem os bancos: cria amplas obras públicas gerando empregos, cria programas assistencialistas e um programa educacional ampliado e veloz que torna praticamente desnecessário o assistencialismo em menos de 2 anos e os EUA voltam a respirar aliviados. Os banqueiros jamais o perdoam mas é preciso prestar atenção ao que acontece na Europa também, então, de momento, Roosevelt é poupado, vindo a morrer em meio à Segunda Guerra, sem que haja a menor suspeita de envenenamento ou algo parecido. Assume o vice que se recusa a dialogar com os russos e praticamente cria o que Churchill vem a chamar de “cortina de ferro” em torno dos países do Leste Europeu. Mas estou adiantando o carro na frente dos bois. Voltemos à Europa...

      O mapa da Alemanha desenhado pelos vencedores na Primeira Guerra deixa dois pedaços de terra separados por um enclave polonês. A cidade portuária de Dantzig (hoje Gdansk) fica dentro de território polonês e, pelo Tratado de Versalhes, passava a ser alemã. Em 1941 Hitler “fecha o corredor polonês” apossando-se do território da Polônia num movimento de torquês com tanques blindados (Panzer) vindos de ambas as partes da Alemanha.

      Antes disso havia assinado um tratado com Stalin. Sendo Vyacheslav Molotov o Ministro das Relações Exteriores da União Soviética e Joachim von Ribbentrop o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, o tratado leva o nome de "Tratado de Não Agressão ou Tratado Molotov/Ribbentrop". Na prática, a Polônia é dividida em áreas de influência Alemã e Soviética (e a brutalidade soviética na Polônia é pouco menor que a brutalidade alemã, diga-se de passagem).

      Com o tratado de 1939 Stalin espera ganhar tempo, pois vê a coisa toda de duas maneiras. O Nazismo é a cara feroz do capitalismo, a Democracia Burguesa sua cara serena, mas como se trata de um problema entre capitalistas, pouco importa se “de cara feia” ou “de cara boa”, eles que se entendam! Por outro lado, sabe que as arengas de Hitler sempre giraram em torno de “eliminar o perigo comunista” e o serviço de inteligência russo já informa das intenções de Hitler de se apossas dos campos de trigo da Ucrânia, Poços de Petróleo e Reservas Naturais em carvão mineral e ferro de outras áreas da União Soviética. Precisa se preparar, precisa de tempo para transformar fábricas de canos em fábricas de fuzis, fábricas de tratores em fábricas de tanques de guerra, etc... É um desvio no caminho do socialismo, mas inevitável para a sua sobrevivência mas, no limite, o motivo final a levar ao colapso da União Soviética em 1989.

      De 1939 a 1941 as tropas nazistas avançam sobre a Dinamarca, a Holanda, a Bélgica, a França... A Leste, tropas nazistas tomam a Romênia, a Bulgária, a então Tchecoslováquia, a Sérvia, a Hungria... Em 1941 Hitler, aos brados de “palavras o vento leva, papéis e tratados a gente rasga”, invadiu a União Soviética e, após tentar em vão a tomada de Moscou, cerca Stalingrado. A importância de uma cidade com o nome de seu dirigente político não deve ser subestimada! É como se os iranianos, de alguma forma, cercassem a Disneylândia ;) Do mundo inteiro chegam simpatizantes da experiência socialista e mesmo os poetas e escritores brasileiros como Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade levantam a sua solidariedade ao povo da União Soviética e principalmente à Batalha de Stalingrado que, afinal, foi o ponto de virada da Guerra e o início do ocaso do nazismo na Alemanha para o bem da Humanidade.

      Enquanto os capitalistas da Alemanha lutavam contra os capitalistas na Dinamarca, Bélgica e Holanda, praticamente nada se fez. Quando ocorre a invasão da França e o Marechal Charles De Gaulle se refugia na Inglaterra levantando o seu povo à Resistência a partir da BBC em vários programas diários. Sem Internet nem televisão, naquele tempo, todo o mundo ficava ouvindo o que se dizia no rádio, claro! Eu cheguei a viver o final desta era.

      Num primeiro momento, os banqueiros, empresários e políticos por ele patrocinados nos EUA, Inglaterra e vários pontos do mundo (como a Argentina, por exemplo) ficam torcendo freneticamente para que Hitler consiga esmagar a União Soviética. Nos EUA isto chega a ser, durante muito tempo, a política oficial de Estado, pelo menos até que os japoneses, aliados dos alemães, atacam uma colônia estadunidense no meio do Oceano Pacífico, Pearl Harbor, jogando os EUA na Guerra. Até o ataque japonês a Pearl Harbor havia nos EUA uma forte propensão à “neutralidade”. Em Ciência Política dizemos que a neutralidade sempre serve bem a quem está vencendo ou é mais poderoso. Em política é fundamental tomar partido em questões assim e o quanto antes, melhor!

      Enfim, a virada!

      A Resistência em Stalingrado é extraordinariamente bem-sucedida para os Russos que aprisionam e fazem desfilar em parada na Praça Vermelha o Marechal Nazista Von Paulus e todos os oficiais e praças que estavam, sob as ordens de Hitler, proibidos de capitular ou voltar derrotados para a Alemanha. Hitler esbraveja feroz contra o “incompetente” Von Paulus a quem tinha elogiado tanto, pouco tempo antes. Ao insultar oficiais das SS estes, mais orgulhosos que pavão em dia de cruzamento, devolvem suas medalhas ao Führer num urinol.

      O desespero de “encontrar uma solução para a questão judia” na Alemanha Nazista é tão grande quanto este hoje de Israel em “encontrar uma solução para a questão palestina”. Depois de circunscritos em guetos que são periodicamente atacados militarmente, forçados a trabalho escravo nas fábricas de Von Krupp e outros como Arthur Schindler (de quem, espantosamente, os judeus parecem gostar até hoje: deve ter sido um daqueles “escravistas bonzinhos”...) agora são condenados à morte nos campos de extermínio situados por todos sob domínio alemão: Majdanek, Auschwitz e Ravensbrück foram os primeiros descobertos e libertados pelo Exército Vermelho em avanço em direção a Berlin. Quando os “aliados” capitalistas se decidem, uma vez haver ficado evidente que Hitler jamais destruiria a União Soviética, parecendo mais provável o contrário, eles partem para o desembarque de tropas em continente europeu. Em sua trajetória guerreira encontram e libertam vários outros campos de concentração e extermínio de judeus, ciganos e comunistas que vão libertando e filmando: Treblinka, Sobibor, Buchenwald, Mauthausen... O Exército Vermelho já havia libertado a maior parte dos países ocupados pelos nazistas e instalado no poder líderes de partidos trabalhistas simpatizantes aos soviéticos. Esse tipo de “libertação” tinha de ser contido pelos estadunidenses e britânicos antes que os russos “libertassem” Paris, era esta a maior preocupação e empenho dos banqueiros e empresários que financiaram as campanhas de Dunquerque e o desembarque na Normandia.

      Em suma, de avanço em avanço os russos chegam às portas de Berlin. Estadunidenses e Britânicos se desesperam e chegam mesmo a convocar uma nova “reunião de cúpula”, na qual imploram a Stalin que espere a chegada de suas tropas, que não tomem Berlin antes da chegada de tropas ocidentais. Um descaramento depois de haverem retardado ao nível do desespero a abertura de uma frente ocidental contra Hitler que desafogasse o peso da Guerra, todo nos ombros do Exército Vermelho. Stalin pergunta: “há quantos quilômetros está a tropa que vocês têm mais próxima a Berlin?” – “Cerca de 1.200 km, responde Winston Churchill”. Stalin mostra a Churchill e Truman (Roosevelt já havia morrido, seja lá do que for) uma foto que um agente russo tirou de um agente da CIA conversando com um alto representante nazista e chegou mesmo a apresentar a gravação de um diálogo negociando “uma paz em separado entre a Alemanha Nazista e os aliados ocidentais, pois com os russos não há acordo possível”, o que Stalin confirma: “só admitimos uma rendição INCONDICIONAL”, nada mais de tratados ou palavras que eles não respeitam. Vocês querem fazer uma paz em separado com Hitler, Himmler, Goebels, Göring e seus asseclas, advirto-os a se apressarem. Minhas tropas estão a 60 km de Berlin e entramos amanhã!”. A Batalha de Berlim dura de 16 de abril até 2 de maio de 1945, quando a Bandeira Vermelha, com uma Foice um Martelo entrelaçados, é hasteada no alto do Bundestag. Hitler, Himmler e Goebels, sem conseguir mais contato com seus “adversários” ocidentais, a quem almejavam se entregar, cometem suicídio. Herman Göring, um aristocrata cocainômano, ao final da guerra mais viciado que nunca e mais gordo que um porco capado foge esbaforido com a família em direção às tropas ocidentais para se entregar sabendo que, se caísse nas mãos dos russos não haveria compaixão nem contemplação.

 

IV.            Os Julgamentos de Nuremberg

 

Após muitas negociações e diálogos por vezes tremendamente ríspidos instala-se o Tribunal Internacional de Nuremberg. Stalin, a princípio dizia que os Nazistas aprisionados, mesmo pelos aliados ocidentais, deveriam ser sumariamente enforcados. “Fuzilamento é para homens de guerra e de honra, açougueiros como estes, depois do que vimos em Majdanek e Auschwitz, devem ser enforcados!”

Stalin acaba aceitando o desafio e envia uma representação legal para Nuremberg com o peso de quem havia decidido a Guerra e destruído a besta nazista em seu ninho. O General Iona Nikitchenko, que havia participado pessoalmente do conflito e sofreu a perda de um sem-número de familiares e amigos para os nazistas se demonstra absolutamente inflexível. Os Advogados Ocidentais se demonstram brilhantes no curso dos julgamentos. O que teve maior destaque e brilhantismo tanto em retórica quanto em precisão e apresentação de provas foi Sir David Maxwell-Fyfe, o representante britânico da acusação. O representante estadunidense Robert H. Jackson vem sendo glamourizado pela mídia mas, a despeito de uma bela peça de “abertura de trabalhos” pouco contribuiu para as condenações sendo francamente personagem de segundo nível em todo o processo. Os quatro juízes (um Russo, um Francês, um Britânico e um Estadunidense) em seu veredicto final chegaram ao seguinte:

Hermann Göring, Martin Bormann, Wilhelm Frick, Joachim von Ribbentrop, Hans Frank, Alfred Rosenberg, Alfred Jodl, Ernst Kaltenbrunner, Wilhelm Keitel, Fritz Sauckel, Arthur Seyss-Inquart, Julius Streicher foram condenados à morte por enforcamento.

Göring conseguiu uma cápsula de cianureto com tenente estadunidense que se tornou simpatizante nazista e escapou da forca. Os demais, para o cadafalso!

Rudolf Hess, o segundo na linha sucessória nazista até 1941 pegou um avião logo no início da Guerra, voou sozinho até a fazenda de um lorde britânico favorável aos nazistas e provavelmente buscasse um entendimento com os britânicos. Churchill se recusou sequer a recebê-lo e ele passou a maior parte da guerra nos presídios britânicos. No Julgamento de Nuremberg foi condenado a prisão perpétua. Quando morreu, no lugar do presídio que o conteve foi construída uma sinagoga e seu corpo foi cremado com as cinzas jogadas ao mar para que nenhum traço dele se tornasse ponto de encontro para neonazistas.

O escravista Gustav Krupp von Bohlen und Halbach e os Banqueiros, subvencionadores da Guerra e Receptadores até de implantes dentários de ouro dos judeus em seus bancos, Franz von Papen e Hjalmar Schacht foram absolvidos apesar dos veementes protestos de Nikitchenko o promotor russo implacável.

O "nazista arrependido" Albert Speer pegou 20 anos de prisão e se tornou um notório pregador antinazista até o final de sua vida.

 

 

V.           A Guerra “Fria” e as situação dos países coloniais, ou “sob a órbita de influência dos EUA”, como o Brasil

O primeiro ato da Guerra chamada de Fria foi deflagrado pelo presidente Harry Truman, sucessor de Roosevelt o Japão já estava derrotado pelas forças estadunidenses no Pacífico para além de qualquer possibilidade de reação, mesmo assim, numa “demonstração de músculos” aos Soviéticos, Truman ordenou o bombardeio atômico das cidades de Hiroshima (6/8/1945) e Nagasaki (9/8/1945). A partir daquele momento a animosidade entre os ex-aliados EUA-URSS contra os nazistas se exacerbou até que o Império destruísse, através da corrida armamentista e uma campanha de propaganda monumental, o “inimigo comunista”.

Através do que entrou para a história como “Operation Paper Clip” – operação clipe de papel – todos os oficiais nazistas da Gestapo e parte das SS foram recrutados para prestar serviços à CIA e ao FBI, dado o seu amplo conhecimento em questões de segurança contra o inimigo interno e externo. Alguns cientistas vieram da Alemanha para os EUA outros, por diferentes simpatias e mundividências foram para a União Soviética e ajudaram crucialmente a impulsão de ambas as indústrias bélicas, de pesquisa científico-espacial. A KGB considerou não ter absolutamente nada a aprender com gente que houvesse servido à Gestapo ou às SS, caso se apresentassem eram sumariamente executados!

Durante todo o período que vai do término da II Grande Guerra até 1989 quando a URSS se desmembra e os Alemães se reunificam, o mundo viveu às vésperas de uma Guerra Aberta entre EUA e URSS, muito ansiada pelos estadunidenses, que se esmeravam em suas propagandas a dizer o oposto, e temida pelo povo pacato da União Soviética. Falo com conhecimento de causa, meu Amigo. Passei 8 anos estudando russo pois pretendia fazer o meu doutorado em ciência política onde considerava que o processo político estava melhor encaminhado. De certa forma, posso dizer que me equivoquei; se estivesse de fato bem encaminhado não teria contado com o apoio interno que teve quando o eixo Reagan-Tatcher-Wojtila contaram com um dirigente soviético fraco (Mikhail Gorbatchov) em seu intento de destruir a única Nação industrializada que ainda tinha um encaminhamento econômico diferente do capitalismo.

Veja, na União Soviética os preços eram todos controlados pelo povo através de seus representantes em eleições amplamente democráticas – eleições para deputados distritais que elegiam deputados majoritários que escolhiam entre eles um Primeiro Ministro. Como nos EUA, na União Soviética os cidadãos não votavam diretamente para o presidente, mas nos deputados que levariam seus votos. O processo era ligeiramente diferente mas o paralelo segue sendo válido. A manutenção de um mesmo dirigente que estivesse acertando era considerada normal na União Soviética – por sinal, este é um traço do socialismo na Rússia que tem uma forte tradição, herdada do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, de dirigentes fortes e praticamente vitalícios.

      O desemprego foi erradicado. Veja, não foi “reduzido”, foi erradicado. Mencionei que sou 2º Sargento da Reserva da Força Aérea Brasileira? Fui transferido compulsoriamente para a Reserva por haver sido aprovado em concurso público para o magistério – e era o que eu queria. Pois bem, recordo-me que na Escola de Especialistas de Aeronáutica havia, na minha turma, 500 sargentos alunos que se formaram e puderam escolher onde iriam trabalhar. Durante 2 anos estudamos recebendo proventos pelo exercício desta atividade e éramos obrigados a prestar o Serviço Militar Obrigatório durante 5 anos (devidamente e, naquele tempo, BEM REMUNERADO) como paga pelo período de estudos. Todos os 500 estavam empregados. Não havia a menor possibilidade de o cidadão sair formado da EEAER e “ficar desempregado”. Ao nos formarmos escolhíamos, de acordo com a nossa classificação, onde pretendíamos servir durante aqueles 5 anos (havia 1 vaga no III COMAR, no Rio de Janeiro e eu, 3º colocado na turma de 500 pude escolher aquela vaga; à medida em que o desempenho do cidadão era menor, sua colocação ficava igualmente menor e para ele “sobravam” os lugares mais remotos para servir, Noronha, lembro-me eu, era o mais temido à época). Da mesma forma, o Estado Soviético pagava – pagava, jamais se imaginou em “cobrar” – ao estudante para cursar as carreiras que o Estado Soviético precisava. Se, num ano, o planejamento rigoroso dos soviéticos previa que haveria uma carência de 8.000 engenheiros, 20.000 médicos, 40.000 enfermeiras, 150.000 pedreiros e por aí vai, o Estado Soviético pagava ao jovem para se dedicar à carreira de sua escolha. Ao término, todos estavam empregados, não havia a possibilidade de o sujeito se formar num estabelecimento de ensino soviético e “ficar desempregado”. A questão é que tinham de escolher de acordo com a sua colocação. Em geral, os lugares mais desejados eram Moscou, Leningrado, Volgogrado (a cidade de Stalingrado foi rebatizada após a denúncia dos crimes de Stalin feita por Nikita Kruschov) e as menos desejadas eram Kaliningrado e umas outras na Sibéria.

O maior salário – digamos, do gerente de uma fábrica de automóveis – jamais poderia ser 9 vezes superior ao do menor salário – digamos, do faxineiro da fábrica de automóveis. Desigualdade social foi assim, também erradicada.Sei disso por relatos tanto de amigos russos quanto de amigos britânicos, franceses e ingleses em visita à URSS - naquela época descobri que tenho uma grande facilidade com idiomas e me decidi a estudar os outros idiomas europeus mais falados também, até como “passatempo” pois não imaginava possível colocar sequer um pé fora do Brasil o que, por sinal, até hoje não consegui, embora domine plenamente o inglês, razoavelmente o russo e mediocremente o alemão, o francês, o espanhol e o italiano; enfim, tinha contatos multiculturais que faziam os mesmos relatos. Não é a mesma coisa que ir pessoalmente e ver com meus olhos, mas considero os relatos que obtive bastante confiáveis.

O Estado Nacional era o único proprietário de moradias e Terra. Os aluguéis, por convenção, eram vinculados a 9% do salário do chefe da família. Numa população numerosa e crescente, frequentemente havia uma “fila de espera” por moradias que foi enfurecendo a população e enfraquecendo os governantes.

Os preços eram todos tabelados pelo governo. Mais por uma questão cultural localizada o preço do pão foi FIXADO em 0.7 copeques e não podia sofrer qualquer alteração – e congelado em 0.7 copeques permaneceu por 72 anos consecutivos. A jogada dos banqueiros de 1929 girou em torno de jogatina em bolsa de valores e, como na URSS não havia nada disso, eles sabiam pelos jornais que havia uma crise chacoalhando o resto do mundo mas ficaram incólumes. Até cresceram no período. Espantosamente. Uma das conquistas mais surpreendentes da URSS foi pegar uma nação que ainda usava arados de tração humana nos campos em 1917 e lançá-la no pioneirismo da informática, pesquisa espacial, etc. Não fosse os estadunidenses ameaçarem perpetuamente um ataque nuclear e os russos seguiriam vivendo em paz, “exportando” a Revolução na medida em que um exemplo pode fazê-lo, o que era intolerável aos banqueiros e especuladores que puxam as cordas dos seus marionetes políticos nos EUA, Inglaterra e semelhantes.

Havia prostituição, isso é inegável, mas circunscrita à chamada “indústria turística” e usualmente envolvia uma boa dose de vocação para profissional do sexo por parte da interessada em determinadas coisinhas que brilhavam nos EUA e Oeste da Europa mas não chegavam a todos, portanto a ninguém na URSS – mais tarde se soube que alguns dirigentes altamente corruptos se beneficiavam de coisas que ninguém mais conseguia ter e isso também foi insuportável para o povo russo.

A propaganda dos EUA e Grã Bretanha era monocórdia contra a “falta de liberdade” existente na União Soviética, gerando diálogos surreais mesmo em países como o Brasil. Lembro-me de um amigo que me dizia ser complicado demais para um russo viajar para fora da União Soviética: era necessário obter permissão, dizer o que iria fazer, muitos defecavam para o Ocidente como bailarinos famosos e pessoas interessadas nos brilhos supérfluos inexistentes nos também inexistentes shoppings russos e coisas assim. Ora, quantos de nós, brasileiros, consegue viajar para a França ou a Rússia ao longo de toda a sua vida mesmo? Em que os obstáculos econômicos aqui existentes são menos rigorosos que os obstáculos políticos na União Soviética? Ideal seria a LIBERDADE, mas tudo indica que a Espécie Humana ainda está distante de sequer desejar de fato chegar a tal ponto, politicamente falando.

Estou seguro de que o povo russo vivia melhor durante o tempo em que a Economia era Planificada do que hoje, com “o mercado” ditando autoritariamente regras que ninguém entende. Exemplos? Outrora quando chegava um produto estrangeiro (laranjas ou bananas, por exemplo) em algum supermercado russo, todos corriam às gôndolas, compravam e o produto sumia rapidamente até que se conseguisse nova importação. Dinheiro não faltava para ninguém. Mas não havia muitos produtos diferentes ou diversificados à disposição nas prateleiras dos supermercados e isso os incomodava. Hoje eles olham tristes e de bolsos vazios para supermercados e shopping centers abarrotados de bens que pouquíssimos tem dinheiro para comprar...

A prostituição cresce na Rússia como uma epidemia. É, de fato, uma das principais fontes de renda para famílias tornadas empobrecidas pois já não há emprego para todos, o Estado não mais regulamenta isso, fá-lo “o mercado”, que ninguém entende. A Máfia Russa, erradicada na Revolução de 1917 ressuscita com força e algumas das maiores fortunas, assim como das mais escandalosas misérias, do mundo vêm da Rússia, hoje capitalista. E seus dirigentes são os mesmos caras que ontem se auto-intitulavam “comunistas” e hoje são “liberal-socialistas”, seja lá o que for que isso signifique exceto algo como “eu quero é o meu, pô!”.

 

E o caso Brasileiro?

Durante o período da Guerra Fria, um dos fatos mais impactantes nos EUA foi a perda de seu maior aliado no Caribe, Fulgêncio Batista, que regia ditatorialmente a Ilha de Cuba de acordo com os interesses do Império. Era o paraíso da prostituição, jogos de azar e consumo de drogas para os estadunidenses, há poucas milhas náuticas de Miami.

Um advogado, filho de latifundiários, bem educado, versado em várias línguas como o inglês e o russo alia-se a um pequeno grupo de insatisfeitos com os rumos que o seu país estava tomando e tenta fazer algo a respeito. Fidel Castro é preso em sua primeira tentativa e, como um pintinho julgado por um tribunal de urubus vaticina: “Condenem-me, pouco importa, A História me Absolverá.”. Foi condenado a prisão perpétua na ilha corrupta e venal de Fulgêncio Batista. Filho de latifundiários abastados, consegue subornar alguns dos guardas mal-remunerados e foge da prisão indo para o México onde se encontra com o médico Argentino Che Guevara e o poeta Camilo Torres além de Octávio Paz e outros. Octávio Paz já era idoso mas, com Guevara, Camilo Torres, seu irmão e um magote pequeno de 15 idealistas decidem criar um núcleo educacional em algum lugar da Ilha e conquistar os corações e mentes das pessoas para que sensibilizassem com relação ao que estava acontecendo por lá.

Nenhum deles falava em “comunismo”, “socialismo” ou qualquer coisa remotamente parecida com isso. Seu intento era, principal, senão unicamente MORALIZANTE. Atravessam o Golfo do México numa embarcação de nome “Granma”, um pequeno iate já vivendo seus dias finais, naufragam num pântano longe de qualquer recurso, já começam a se desesperar mas os poetas e a verve moralizante de Fidel anima a todos. Não podemos permitir que nossas filhas e nossas irmãs sigam se prostituindo e se drogando entre os cassinos dos ianquis, temos de combater esse tipo de imoralidade custe o que custar! Cometem tantos erros a caminho que é espantoso que sequer tenham conseguido chegar à Sierra Maestra e conquistar a aliança de alguns camponeses num primeiro momento.

Aos poucos o povo pobre da região vai compreendendo melhor os propósitos “daqueles barbudos” que chegam mesmo a dar entrevistas a publicações liberais estadunidenses simpáticas a eles. O movimento vai crescendo e a Guerra de Guerrilhas contra os boinas verdes estadunidenses estacionados em Cuba tem seu início. Do Exército de Fulgêncio Batista pouca resistência encontram e muitos militares de bom-grado aliam-se a Fidel e seus companheiros. No dia 1º de Janeiro de 1959 entram vitoriosos em Havana e todos os amigos do alheio fogem para Miami ou Espanha. Aqueles que ficam recebem um tratamento diferente. O Exército de Batista é DESCOMISSIONADO. Aprenderam isso com a Revolução Mexicana que venceu mas manteve o antigo exército viciado de outrora, que desfez rapidamente todas as conquistas da Revolução. Não iriam repetir aquele erro, deve-se tentar acertar ou, na pior das hipóteses, ser criativo, errar outros erros, sabe?

Enojados com os ianquis não queriam ouvir seus conselhos acerca de “como encaminhar a sua revolução”. Cometeram erros novos, em economia, em política... Mas aprenderam a duras penas e, em dois anos erradicaram a prostituição e, que me recorde, Cuba era o único país do mundo inteiro que não permitia qualquer tipo de jogo (até na URSS havia algo parecido com uma “Loteria Nacional”, em Cuba, NADA MAIS DE JOGO!). Mas o mundo dá voltas (a despeito do que a Igreja Católica Apostólica Romana obrigou Galileu a dizer) e os estadunidenses, saudosos de seu paraíso tropical de jogatina, prostituição e entorpecentes declara guerra ao novo regime cubano que, em desespero, aceita o suporte de quem se habilitar. Os russos se apresentam e Fidel Castro – CONTRA a decisão ou a vontade de Che Guevara – decide seguir a linha do socialismo de tipo soviético para a Ilha. Che Guevara deixa a Ilha, passa pelo Congo (Belga na época), treina e arregimenta pessoas tentando o ideal de reproduzir o que eles conseguiram em Cuba em todo o continente Latino-Americano. Considera a Bolívia, um país com fronteiras com vários outros países da Região e então vivendo sob um regime autoritário antipático ao povo o lugar ideal para iniciar seu périplo. Não consegue o apoio que imaginava conseguir e sucumbe às Forças da CIA em aliança com o Exército Boliviano a 8 de outubro de 1968. Seu corpo é exposto ao público por dias a fio a fim de provar a contenção da “exportação da Revolução Comunista de Cuba”, numa simplificação grosseira do que de fato aconteceu por lá. Ah, sim, parece que os jogos se tornaram legais em Cuba novamente, a prostituição volta a atrair turistas estadunidenses e, enfim, como dizia Wilhelm Reich, se você botar um pedaço de carne fresca perto de um pedaço de carne podre, é mais provável que a carne podre corrompa a carne fresca que a carne fresca fazer rejuvenecer a carne podre. Uma ilha fresca cercada por um podre e sem o apoio da hoje inexistente União Soviética... Pobre Cuba...

Enfim, na década de 60 os EUA decidiram que não iriam “perder” nenhum outro país “para os comunistas”. Fundaram a War College e convocaram todos os generais da América Latina a frequentar seus cursos de anticomunismo intensivo. Os generais ficaram lisonjeados e voltaram a seus países de origem (Brasil, Argentina, Chile, Panamá, Bolívia, Peru, Venezuela...) e onde criaram suas próprias versões da Escola Superior de Guerra nos moldes do War College estadunidense que, vale ressaltar, lhes prestou apoio integral e incondicional com esta finalidade.

Padres católicos e pastores protestantes estadunidenses foram bem remunerados para trazer sua mensagem fundamentalmente anticomunista aos fiéis religiosos de todo o subcontinente. Todos os presidentes eleitos democraticamente pelos povos de todos os países Latino-Americanos foram sistematicamente substituídos por generais entreguistas ao governo estadunidense – e, embora entreguistas seguindo ordem de uma potência externa contra partes de sua própria população, foram amestrados para se autoproclamar “nacionalistas”. Brasil, Uruguai, Argentina, Bolívia, Chile, Peru, Panamá... Todos os presidentes foram depostos por golpes militares com amplo apoio popular – a esta altura do campeonato os estadunidenses haviam aprendido principalmente com os fascistas da Alemanha o poder da propaganda. O Brasil é um caso particular pois, em aliança à Ditadura Militar se criou ainda uma organização midiática com poderes enormes e grande apelo popular, num primeiro momento para dar suporte ao golpe e, nos anos posteriores, a empresa – Organizações Globo – se sofisticou para prestar apoio integral e incondicional ao mandante de turno. Logo após a deposição de João Goulart, a primeira medida que Castello Branco assinou, ao amanhecer do primeiro dia, logo após sua posse, foi a revogação da Lei de Terras (que iniciava uma incipiente reforma agrária às margens das ferrovias) e da Lei de Remessa de Divisas ao Exterior, abrindo totalmente as pernas do Brasil para a penetração do capital estadunidense. Como em conhecido movimento os estadunidenses faziam mais retiradas que penetrações mas o movimento deixou o Brasil em péssimo estado real. Para isso a Rede Globo foi muito útil dando números diferentes da realidade e erguendo loas às “conquistas dos militares” entre o anúncio de um “terrorista procurado” e outro.

A palavra “comunista”, cujo significado pouquíssimos entre os generais sabiam precisar, servia para rotular quem quer que se opusesse ao regime. Tenho um relato pessoal triste a esse respeito. Lembro-me de haver chegado ao III COMAR no apagar das luzes da Ditadura Militar. Mas os mais antigos apontavam para os poderosos aviões Hércules C-130 e Búfalo informando que eram constantes os transportes – só de ida evidentemente – de aviões lotados com “300, por veze 500 comunistas” que eram despejados no meio do Atlântico. Eram os “desaparecimentos” de que meu antigo professor de história falava... Então um dos métodos era este...

No início da década de 70 as crises sucessivas foram se agudizando e os EUA “para ajudar o Brasil” emprestaram-nos rios de dinheiro. Nixon havia rompido com a obrigatoriedade do valor de equivalência em ouro para a moeda e o dólar passou a ser emitido liberalmente, sem lastro. E emprestado a juros amargos para os países que interessava manter sob rigoroso controle. Foi a época do “Milagre Brasileiro”. O país ficou rico de repente sem que se acrescentasse um prego na produção industrial. Explicação oficial? “Milagre Brasileiro”. Fato: ingresso de empréstimos tão amargos que muitos brasileiros passaram a já nascer devendo 2 milhões de dólares cada um aos EUA...

Em fins da década de 70 e da 80 os poucos “comunistas” ou opositores que ainda sobravam vivo era essa corja que está no poder hoje e vale menos do que aquilo que o gato enterra. Por outro lado, os militares foram incorporando partes de seu discurso “nacionalista” levando-o mais a sério do que o empresariado e os banqueiros estadunidenses gostariam. Enfim, chegou o momento de mandá-los de volta para a Caserna. E isso foi, novamente um fenômeno global regional. Foi uma situação parecida em todos os países sob Ditadura Militar tutelada pelos estadunidenses em toda a América Latina. Saíram os generais do Paraguai, do Brasil, do Uruguai, do Chile, da Argentina, da Venezuela, do Peru, da Bolívia...

Entravam em cena agora os civis eleitos pelo povo – direta ou indiretamente – já começando uma pregação anti-estatizante. No caso brasileiro, lembro-me que o IUPERJ liderou a divulgação por aqui do ideários estadunidense do “Fim da História e Das Utopias” por um lado e, por outro, “contra o Estado Paquidérmico, a favor de um Estado Mínimo”. Foram cortados recursos dos serviços públicos e aviltados os salários do funcionalismo como uma forma de “provar” que os serviços públicos são ineficientes e deve-se entregá-lo à iniciativa privada. Demorou mas conseguiram. Com o escarrado do capeta Fernando Henrique Cardoso a traição ao povo brasileiro se consumou e a privataria começou: comunicações, energia, serviços de saúde, escolas e universidades... Tudo foi privatizado ou se concedeu recursos do BNDES a fundo perdido para a fundação de novas empresas. Muitos espertalhões se fizeram nessa onda que esmaga a maioria da nossa população. Lembro-me do LAQFA (Laboratório Químico-Farmacêutico da FAB) que fabricava, com o apoio decisivo da Fundação Oswaldo Cruz, praticamente todos os remédios importantes para simplificar a existência humana. Visitei sua fábrica: farinha de trigo (treco simples de se conseguir e fazer) prensado no formato de um comprimidinho no qual são diluídos os componentes químicos ativos de cada medicamento. Neste, ácido acetilsalicílico; naquele outro, losartana sódica; num outro, cloridrato de diltiazem. Facílimo de fazer e distribuído de graça para a população, independente de renda. A Indústria Farmacêutica protestou contra o que chamou de “competição desigual” e os Laboratórios Químicos Farmacêuticos existentes no Exército, Marinha e Aeronáutica foram sumariamente fechados pois o lucro da Indústria Farmacêutica era algo simples para a compreensão do político corrupto no poder, já noções vagas como “saúde pública” redundavam incompreensíveis. Se há incompetência nos serviços públicos está na cúpula, não no funcionalismo!

Quer um exemplo? D. Pedro II anunciou a transposição do Rio São Francisco, uma brutalidade imbecil pois há um aquífero enorme embaixo de toda a Região Nordeste e a construção de poços artesianos seria uma solução mais racional, barata, rápida e eficiente para a seca do que as obras prometidas desde 1840. Lula retomou o discurso de D. Pedro II, algumas pessoas levaram a sério e um padre baiano chegou mesmo a fazer greve de fome às margens do Velho Chico em protesto contra a decisão. Vejamos como está a situação hoje: a obra foi loteada em vários pedaços a diferentes empreiteiras privadas. Uma das partes era considerada árida demais, tinha mais pedras e era a área mais complexa para o trabalho, menos lucrativa, essa foi entregue ao Exército Brasileiro. Quase 10 anos depois, a única parte pronta é justamente a parte feita pelo exército pior remunerado, mal armado, mal nutrido e mal fardado do mundo ocidental. As partes das empreiteiras empacaram e elas já estão extorquindo o governo por mais, que seguramente será concedido com tanta certeza quanto aquela que hoje me acalenta, que o Velho Chico jamais irá a lugar algum nesse ritmo ;)

Ditadura Militar? Fora do Horizonte dos Possíveis neste momento

 

            Principalmente porque os interesses dos banqueiros e jogadores estadunidenses vem sendo cumprido integralmente pela sucessão de corruptos que nos governam em linha contínua de José Ribamar Sarney a Lula da Silva. Por que os ianquis iriam dar alguma forma de suporte a uma intervenção militar que não lhes interessa?

            Lula está hoje tão firmemente fincado no campo da direita política como o diabo mitológico o está ao campo do inferno. Claro, claro, seu discurso precisa, como o de Mussolini em outras eras seguir sendo “de esquerda”, mas isso os banqueiros já entenderam, é jogada para a plateia. Embaraçoso é que haja intelectuais brasileiros que, ou se equivocam na análise ou são venais ou chegaram ao limite de sua consciência possível e ainda veem Lula da Silva, de alguma forma, como remotamente ligado ainda ao campo da esquerda. Está tão na direita quanto Golbery o estava. Nada a fazer a este respeito.

            A Rede Globo de Televisão se voltou contra a Ditadura Militar que a criou e vem promovendo uma série de programas “educativos” conduzindo a opinião pública como um todo a se posicionar contra qualquer movimento similar àquele. “Não é mais necessário, já cumpriram sua finalidade de tornar o Brasil um país seguro para a jogatina dos bancos e têm de ficar é quieto em suas casernas”, esse é o mote da programação global contemporânea.

            Eu veria com bons olhos um movimento realmente nacionalista por aqui, mas como saber? Como confiar? Você confia num cara, ele chega lá e faz o contrário não apenas do que você esperava e ele prometeu a vida inteira, mas aproveita para fazer um saque brutal aos cofres públicos aplicando sua própria visão imoral e bandidesca do que seja privatização do que era público. Você seguiria um líder messiânico a prometer o paraíso na Terra, Amigo? Eu não! Lembro-me de Günter Grass em “O Tambor”, na boca de um menino alemão que, logo ao início da ascensão do nazismo decide permanecer com 3 anos de idade tocando seu tambor de lata até a morte: “Era uma vez um povo bom e amigo que acreditava em Papai Noel. Só tarde demais descobriram que Papai Noel era o Diabo!”

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 27/11/2012

Revisado a 07/11/2014

 
 
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