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Globalização Parte 1 - Transformações no Capitalismo: o Capitalismo Monopolista e a montagem do palco para a Partilha da África e da Ásia, descambando na I Guerra Mundial

 

 

Introdução: O Capitalismo que nasce como um pequeno câncer das ruínas da Sociedade Feudal e se espalha de maneira septicêmica por toda a humanidade, conforme explanado em Sociologia - Breve Introdução às Ciências Sociais é praticamente sinônimo de crise. Capitalismo sem crise é como chifre em galinha, deuses, anjos ou demônios: simplesmente é coisa que não existe. O cerne dos problemas que a maioria das pessoas em todo o planeta enfrenta - e luta contra - hoje tem como principal causa a brutal GANÂNCIA de uns poucos que vêm enriquecendo de maneira obscena às custas do trabalho alheio, como explanado em detalhes em Neoliberalismo e Globalização. Paralelamente se cria uma ideologia que embasando tudo isso, criando o que Noam Chomsky chama de "Consenso Forjado" em torno de uma concordância inicialmente acadêmica e midiática, a seguir popular, obrigando a vastíssima maioria desinformada a acreditar, de bom coração, ser esta insana corrida de lobos em que nos encontramos a única alternativa política e econômica para a humanidade.

Os problemas que enfrentamos e contra os quais lutamos hoje, tem seu início na exportação do capitalismo europeu para a África e a Ásia, também conhecido como NEOCOLONIALISMO ou "Partilha da África e da Ásia" que está, conforme se verá, na raiz geral dos gravíssimos problemas que enfrentamos hoje e, mais imediatamente na raiz do Grande Conflito (a I Guerra Mundial) Europeu de 1914 - 1917, que deixa os problemas entre as nações envolvidas mal resolvidos; uma nova crise no Capitalismo propicia o nascimento e crescimento do Nazi-Fascismo (fortemente apoiado por largos setores das chamadas "Potências Ocidentais") desembocando na II Guerra Mundial (1939 - 1945), na Guerra Fria (1945 - 1989), no colapso do regime socialista na União Soviética e países dela dependentes, criando um mundo unipolar, com uma única grande potência determinando os rumos da política e da economia do mundo. Na década de 80 o poder político estadunidense (e, dada a sua potência, o poder político mundial) foi transferido de Washington para Wall Street inaugurando a era de crise em que estamos atualmente, conhecida como "Globalização". Aqui se discute o início de todos os problemas: o Neocolonialismo.

Ah, sim, muito importante ressaltar: enquanto os países industrializados da Europa encontravam na África o escoamento para o que era chamado de "excedente produtivo", assim como locais cheios de gente disposta a trabalhar por muito menos que os europeus, já começando a sindicalizar-se, do outro lado do Atlântico, James Monroe ( Presidente dos EUA entre 1817 e 1825), em sua mensagem ao Congresso no ano de 1823 proclamou sua famosa Doutrina, que se resume em "A América para os Americanos". No início, temendo as conseqûências das idas e vindas da política européia pudessem chegar à América, James Monroe reafirmava a Independência dos EUA; com o passar dos anos, a "Doutrina Monroe" ganhou o significado que persiste até os dias de hoje "A América (significando aí TODOS OS PAÍSES DO CONTINENTE) para os Americanos (dos EUA)". Se na África vemos um mapa colorido demonstrando que países conquistaram que nações africanas, na América, basta um desenho, conhecido como "The Star-Spangled Banner", da Patagônia (sul da Argentina e Chile) até o Rio Grande (divisa histórica dos EUA com o México), todos os países dominados, controlados e colonizados pelos EUA. Situação que persiste até este início de século XXI, independente do que diga a propaganda estadunidense ou de cada uma de suas colônias, naturalmente.

 

 

 

De 1760 a 1830, a Revolução Industrial ficou limitada à Inglaterra, a oficina do mundo. Para manter a exclusividade, era proibido exportar maquinário e tecnologia. Mas a produção de equipamentos industriais rapidamente superou as possibilidades de consumo interno tornando impossível conter os interesses dos fabricantes. Além disso, as nações passaram a identificar o poderio de um país com seu desenvolvimento industrial. E o processo se difundiu pela Europa, Ásia e América.

A tecnologia industrial avançou, a população cresceu, os movimentos imigratórios se intensificaram. No fim do século XIX, sobreveio uma das crises cíclicas do Capitalismo, às época chamade de Grande Depressão (1873 - 1896), que fortaleceu as empresas pela centralização e concentração do capital. Iniciou-se aí nova fase do capitalismo, a fase monopolista ou financeira, que se desdobrou na exportação de capitais e no processo de colonização da África e da Ásia.

 

Mapa da Europa na virada do Século XIX para o XX (Clique sobre a imagem para vê-la ampliada)

 

Mapa do Império Britânico no século XIX (clique sobre a imagem para vê-la ampliada)

 

Situação de alguns países durante o avanço da Revolução Industrial

 

Em ritmo vertiginoso, como na Alemanha, ou retardado por razões políticas, como na França, o impacto da Revolução Industrial inglesa atingiu todas as partes do mundo. 

Bélgica – Primeiro país da Europa a industrializar-se no século XIX. Dois ingleses criaram uma fábrica de tecidos em Liège já em 1807. Foi rápido o desenvolvimento, facilitado pela existência de carvão e ferro, pelo investimento de capitais ingleses e pela proximidade do mercado europeu.  

Alemanha – Em ritmo acelerado a partir de 1870, a industrialização alemã se beneficiou da unificação nacional, da decidida proteção esta­tal, da atuação do capital bancário e do cresci­mento demográfico. A peculiaridade aqui está no casamento entre indústria e bancos, bem como no uso de técnicas que permitiram alto grau de racionalização.

A Alemanha já era grande produtora de carvão desde 1848. A siderurgia avançou, estimulada pelo desenvolvimento ferroviário. Na década de 1880, a indústria têxtil ameaçava superar a inglesa, devido à adoção de fibras sintéticas e novos corantes; destaque-se aqui a expansão da indústria química, ligada à pesquisa científica. No fim do século, graças a Werner Siemens, a indústria elétrica tomou grande impulso. Em 1914, a Ale­manha iria produzir 35 % da energia elétrica mundial, seguida por Estados Unidos (29%) e Inglaterra (16 %) .  

França – A Revolução Francesa retardou o desenvolvimento econômico do país. A consolidação da pequena indústria e a tradição de produzir artigos de luxo dificultaram a grande concentração industrial. É difícil falar em Revolução Industrial francesa. Não houve arranque acelerado, mas lenta transformação das técnicas de produção e das estruturas industriais.

          O processo se acelera a partir de 1848, com a adoção de medidas protecionistas, ou seja, impe­diu-se a importação de produtos industriais e estimulou-se a exportação. Assim mesmo; havia entraves ao avanço: houve retração demográfica no século XIX, com baixo índice de natalidade e lenta regressão na mortalidade; a estrutura agrária preservava a pequena propriedade, o que limitava o progresso tecnológico; faltava carvão e seu preço era o mais alto do mundo; os recursos iam para empréstimos públicos e investimentos no estrangeiro, em vez de ir para o setor produtivo.

A expansão industrial foi freada ainda pela prática do autofinanciamento, ou seja, a, o reinvestimento dos lucros na própria empresa, que preservava seu caráter familiar, limitado.  

Itália – A unificação política e aduaneira impulsionou a industrialização, que arrancou no decênio de 1880-1890. O Estado reservou a produção de ferro e aço para a indústria nacional, favorecendo a criação da siderurgia moderna. A falta de carvão, ao elevar os custos, reduzia a competitividade no exterior. Protegida pelo Estado, a siderurgia se concentrava no norte e sua produção não era suficiente para o mercado inter­no, o que exigia importações. A indústria mecânica cresceu mais depressa, especialmente as de construção naval e ferroviária, máquinas têxteis e ligadas à eletrificação (motores, turbinas). A partir de 1905, a indústria automobilística de Turim conseguiu excelentes resultados.

Também protegida, a indústria têxtil era a única com capacidade de conquistar mercados externos. A falta de carvão estimulou a produção de energia elétrica. O problema mais grave estava na total concentração do processo de crescimento no norte, enquanto o sul permanecia agrário e atrasado. 

Império Austro-Húngaro – Sua característica era a enorme mistura de povos e minorias nacionais. O desenvolvimento industrial se acelerou mais na ex-Tchecoslováquia (atuais Eslováquia e República Tcheca), sobretudo nos setores têxtil, de extração de carvão e siderurgia. Destacou-se a Skoda, famosa produtora de armas, material ferroviário, máquinas agrícolas, etc. 

Suécia – Deu-se aqui um caso típico de rápido desenvolvimento ligado a pesados investi­mentos estrangeiros, principalmente alemães; o mecanismo se explica pelas relações entre grandes bancos suecos e alemães. Mais tarde, viriam os bancos franceses. A Suécia chegou a ter a dívida externa mais alta do mundo.

Na década de 1870, teve início a construção ferroviária. A partir dos anos de 1890, os alemães se voltaram para as minas de ferro, fundições e forjas. O aço de alta qualidade era exportado. Os franceses investiram mais em energia elétrica. Também tiveram importância a indústria madeireira e a química, como a de explosivos, controlada pelo grupo Nobel. 

Rússia – A arrancada do último país da Europa a industrializar-se se deu entre 1890 e 1900, com taxa de crescimento industrial de 8% ao ano, jamais igualada pelo Ocidente. Motivos: participação do Estado, investimentos externos e presença de técnicos estrangeiros. A abolição da servidão em 1861 não mudou muito a estrutura agrária, baseada no MIR, comunidade agrícola de culturas coletivas. A produtividade não cresceu, nem o poder aquisitivo dos agricultores; e não houve êxodo rural que fornecesse mão-de-obra excedente às indústrias.

O Estado exerceu papel importante. A compressão do consumo dos camponeses gerou excedentes de produtos agrícolas exportáveis, cujos rendimentos eram transformados em investimentos. Em 1913, metade do capital investido era estrangeira, com maior participação da França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Estados Unidos. As indústrias de mineração tinham 91% de capital estrangeiro; as químicas, 50%; as metalúrgicas, 42%; a madeireira, 37%; e a têxtil, 28%.

Formaram-se gigantescos conglomerados, como o Cartel Prodameta, que controlava trinta siderúrgicas e metalúrgicas, com capital francês. Explorava-se carvão da rica bacia do Donetz. A produção de máquinas era ainda reduzida. A descoberta de petróleo no Cáucaso deu origem a grande exploração, dominada pelos Rothschild de Paris. Controlada por ingleses e alemães, a indústria têxtil respondia por um terço da produção russa. 

Embora a Rússia ingressasse na Industrialização, constituía de fato, o país mais atrasado da Europa e, se ingressou na I Grande Guerra (1914 - 1917) foi mais por pressão das Potência Européias suas antigas aliadas (Grã Bretanha e França) do que propriamente por interesse direto em participar da corrida colonial rumo à África sendo a própria Rússia, à época - situação a que regressará no século XXI com o colapso do socialismo dito real -  pouco mais que uma colônia das Potências aliadas...

Estados Unidos – Primeiro país a industrializar-se fora da Europa, a partir de 1843, em resultado da conquista do oeste e dos enormes recursos daí advindos; alguns autores preferem como marco a Segunda Revolução Americana, a Guerra de Secessão entre 1860 e 1865, momento em que a classe capitalista do norte aumentou sua fortuna financiando o governo federal, fornecendo provisões aos exércitos e desenvolvendo a indústria ligada às necessidades do conflito. O resultado foi a consolidação do capitalismo industrial, representado politicamente pelos republica­nos. Não foi por acaso que, enquanto a abolição da escravatura destruía a economia sulista, o protecionismo alfandegário, a legislação bancária, a construção de estradas de ferro e a legislação trabalhista garantiam a supremacia do norte e de sua economia industrial.

Depois da guerra, o país tinha território unificado, rede de transportes em expansão, população crescente, poucas diferenças sociais. Isso permitia a produção para o consumo de massa, o que facilitava a racionalização da economia. O país dependia de seu próprio mercado, pois exportava apenas 10% do que produzia a Inglaterra, por exemplo, exportava 52%. Daí o caráter fortemente protecionista da industrialização americana. O dinamismo do país atraiu capitais europeus, que se voltaram para setores estratégicos, como ferro­vias. A descoberta de ouro na Califórnia acelerou ainda mais á economia,

Em 1890, algodão, trigo, carne e petróleo contribuíam com 75 % dá exportação. O beneficiamento de produtos agrícolas foi a primeira grande indústria; ás siderúrgicas e indústrias mecânicas superaram o setor agrícola apenas no início do século XX. Sua característica era a formação de enormes empresas, que produziam ferro, carvão, produtos siderúrgicos e ferroviários.

Em 1913, os americanos assumiriam á lide­rança na produção de ferro, carvão, aço, cobre, chumbo, zinco e alumínio. A indústria mecânica avançou, sobretudo á automobilística, com métodos racionais desenvolvidos pela Ford. A indústria têxtil deslocou-se para o sul. A elétrica, estimulada pelas investigações científicas que resultaram na fundação da Edison Electric Company, criaram filiais em vários países, como Itália e Alemanha.

Japão – Na Ásia, foi o país que mais depressa implantou sua Revolução Industrial. Até meados do século XIX, o Japão vivia fechado, com sua sociedade dominada por uma aristocracia feudal que explorava a massa de camponeses. Desde 1192, o imperador tinha poder simbólico; quem o exercia era o Shogum, supremo comandante militar. A economia monetária vinha se acentuando desde o século XVIII e á pressão dos Estados Unidos forçou em 1852 a abertura dos portos aos estrangeiros, atendendo a interesses de expansão dá indústria americana. O ponto de partida para ás grandes transformações foi o ano de 1868, com a Revolução Meiji (Luzes). Com apoio estrangeiro, o imperador tomou o poder do Shogum e passou á incorporar á tecnologia ocidental, para modernizar o Japão.

A Revolução Meiji aboliu o feudalismo, com finalidade nem tanto de melhorar a vida servil dos camponeses más de torná-los mais produtivos. A fortuna dos grandes comerciantes e proprietários aumentou, em prejuízo dos aposenta­dos e pequenos lavradores. A criação de um exército de trabalhadores, devido ao crescimento populacional, permitiu uma política de preços baixos, o dumping, favorável à competição no mercado externo.

Um aspecto importante foi a acumulação de capital nacional, decorrente dá forte atuação do Estado, que concedeu patentes e exclusividades e integrou os investimentos. Depois de desenvolver as indústrias, o Estado as transferia a particulares em condições vantajosas de pagamento. Forma­ram-se assim grandes concentrações industriais, zaibatsu, pois 40% de todos os depósitos bancários, 60% da indústria têxtil, 60% da indústria militar, a maior parte da energia elétrica, a indústria de papel e a de construção naval eram controlados por apenas quatro famílias: Sumitomo, Mitsubishi, Yasuda e Mitsui. A indústria pesada avançou devagar pela falta de carvão e ferro. Os recursos hidrelétricos foram explorados a partir de 1891. No início do século XX, a siderurgia deu um salto, criando a base para a expansão da indústria naval.

O Estado, assentado na burguesia mercantil e na classe dos proprietários, tinha apoio dos militares, que pretendiam construir o Grande Japão. O pequeno mercado interno impôs a busca de mercados externos e uma política agressiva, iniciada com a guerra contra a China (1894-1895), que proporcionou enorme indenização ao Japão. O mesmo aconteceu após a guerra contra a Rússia (1904-1905). A I Guerra Mundial (1914-1918) abriu espaços no mercado asiático, imediatamente ocupados pelo Japão.

O Filme "O Último Samurai" - 2003 - Edward Zwick, explora de maneira primorosa o choque cultural provocado pela chegada do capitalismo industrial a um Japão tradicional. Recomendo!

"O Último Samurai" - 2003 - Edward Zwick

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0325710/

 

 

Mudanças crucias daquela etapa do Capitalismo Industrial

 

As mudanças na estrutura da produção industrial foram tão aceleradas a partir de 1870, que se pode falar de uma Segunda Revolução Industrial. É a época em que se usam novas formas de energia: eletricidade, petróleo; de grandes inventos: motor a explosão, telégrafo, corantes sintéticos; e de intensa concentração industrial. A grande diferença em relação à primeira fase da Revolução Industrial era o estreito relacionamento entre ciência e técnica, entre laboratório e fábrica. A aplicação da ciência se impunha pela necessidade de reduzir custos, com vistas à produção em massa. O capitalismo de concorrência foi o grande propulsor dos avanços técnicos.

Novas fontes de energia foram substituindo o vapor. Já se conhecia a eletricidade por experiências em laboratório: Volta, em 1800 e Faraday, em 1831. O uso industrial dependia da redução do custo e, acima de tudo, da transmissão a distância. O invento da lâmpada incandescente por Edison em 1879 provocou uma revolução no sistema de iluminação.

Já se usava o petróleo em iluminação desde 1853. Em 1859, Rockefeller havia instalado a primeira refinaria em Cleveland. Com a invenção do motor de combustão interna pelo alemão Daimler em 1883, ampliou-se o uso do petróleo. A primeira fase da Revolução Industrial tinha se concentrado na produção de bens de consumo, especialmente têxteis de algodão; na segunda fase, tudo passou a girar em torno da indústria pesada. A produção de aço estimulou a corrida armamentista, aumentando a tensão militar e política. Novas invenções permitiram aproveitar minerais mais pobres em ferro e ricos em fósforo. A produção de aço superou a de ferro e seu preço baixou. O descobrimento dos processos eletrolíticos estimulou a produção de alumínio.

Na indústria química, houve grande avanço com a obtenção de métodos mais baratos para produzir soda cáustica e ácido sulfúrico, importantes para vulcanizar a borracha e fabricar papel e explosivos. Os corantes sintéticos, a partir do carvão, tiveram impacto sobre a indústria têxtil e reduziram bastante a produção de corantes naturais, como o anil.

O desenvolvimento dos meios de transporte representou uma revolução à parte. A maioria dos países que se industrializavam elegeu as ferrovias como o maior investimento. Elas em­pregavam 2 milhões de pessoas em todo o mundo em 1860. No final dessa década, somente os Estados Unidos tinham 93 000 quilômetros de trilhos; a Europa, 104 000, cabendo 22 000 à Inglaterra, 20 000 à Alemanha e 18 000 à França. A construção exigiu a mobilização de capitais, através de bancos e companhias por ações, e teve efeito multiplicador, pois aqueceu a produção de ferro, cimento, dormentes, locomotivas, vagões. O barateamento do transporte facilitou a ida dos trabalhadores para as vilas e cidades. Contribuiu, assim, para a urbanização e o êxodo rural. As nações aumentaram seu poderio militar, pois podiam deslocar mais depressa suas tropas. Ninguém poderia imaginar tal mudança quando Stephenson construiu a primeira linha em 1825, de Stockton a Darlington, na Inglaterra.

Depois que Fulton inventou o barco a vapor em 1808, também a navegação marítima se trans­formou. As ligações transoceânicas ganharam impulso em 1838, com a invenção da hélice. Os clíperes, movidos a vela, perderam lugar para os novos barcos, que cruzavam o Atlântico na linha Europa - Estados Unidos em apenas dezessete dias.

 

A Grande Depressão

 

         Uma das crises cíclicas do capitalismo, segundo os especialistas, a "Primeira Grande Crise do Capitalismo" ficou conhecida como Grande Depressão e tem as mesmas causas de todas as outras crises: as mercadorias são produzidas unicamente com a finalidade de gerar lucro ao fabricante, não para atender demanda, ajudar povos ou o que quer que diga a propaganda do momento; quando o fabricante está insatisfeito com os lucros obtidos, ele reduz a produção, provocando ampliação no desemprego, etc. A Grande Depressão, um nada comparado com a crise que o mundo vivencia no início do século XXI - e pelos mesmos motivos de sempre, com profundas raízes na GANÂNCIA dos poucos com poder realmente decisório nas dimensões política e econômica - começou por volta de 1873 e só terminou em 1896. "Canonicamente", este, como outros ciclos de crise, foi marcado pelas seguintes fases:

_ expansão: aumenta a produção, diminui o desemprego, crescem salários e lucros, ampliam­se as instalações e os empresários têm atitude otimista;

_ recessão: a empresa não usa toda a sua capacidade produtiva, o que aumenta os custos e provoca a alta da taxa de juros; os empresários temem investir em excesso;

_ contração: caem os investimentos, os empregados da indústria de bens de capital (indústria pesada) são demitidos, diminui o poder aquisitivo da população, os bancos reduzem os empréstimos, os empresários tomam todo cuidado com o custo da produção, têm postura pessimista;

_ revitalização: os preços baixam demais, estimulando alguns a comprar; os estoques se esgotam logo; os preços tendem a subir; os industriais recuperam a confiança e retomam o investimento em instalações.

A crise de 1873 - 1896 tem explicação estrutural. A organização dos trabalhadores, isto é, o aparecimento dos sindicatos nacionais, resultou em aumento real de salários entre 1860 e 1874. Por isso, os empresários preferiram investir em tecnologia, para aumentar a produção com menos trabalhadores. De um lado, produção e lucros se mantiveram; de outro, declinou a massa global de salários pagos, determinando a recessão do mercado consumidor. Os capitais disponíveis não poderiam ser investidos na Europa, pois a produção aumentaria e os preços cairiam. Teriam de ser aplicados fora, através de empréstimos com juros elevados ou na construção de ferrovias.

A crise eliminou as empresas mais fracas. As fortes tiveram de racionalizar a produção: o capitalismo entrou em nova fase, a fase monopolista. Sua característica é o imperialismo, cujo desdobramento mais visível foi a expansão colonialista do século XIX, assunto do próximo capítulo. O imperialismo, por sua vez, caracteriza-se por:

_ forte concentração dos capitais, criando os monopólios;

_ fusão do capital bancário com o capital industrial;

_ exportação de capitais, que supera a exportação de mercadorias;

_ surgimento de monopólios internacionais que partilham o mundo entre si.

 

Formas de monopólio nesta etapa do capitalismo

 

Truste – Um grupo econômico domina várias unidades produtivas; nos trustes horizontais, reúnem-se vários tipos de empresa que fabricam o mesmo produto; nos verticais, uma empresa domina unidades produtivas estratégicas       por exemplo, da mineração do ferro e carvão à fabricação de locomotivas, passando pela siderurgia. A Empresa monopoliza todas as etapas da produção: da extração da matéria prima até a comercialização do produto final. 

Cartel – Empresas poderosas, conservando sua autonomia, combinam repartir o mercado e ditam os preços dos produtos que fabricam. Como qualquer forma de crime organizado, os grandes chefões se reúnem e entram em acordos em torno de "que área pertence a quem", "quanto devemos cobrar por produto do usuário final", "quanto devemos cobrar pela segurança dos que trabalham para nós", coisas assim. Como todos os "acordos de cavalheiros" feitos entre criminosos, este também redunda em conflito armado, no caso, a I Guerra Mundial. 

Holding – Uma empresa central, geralmente uma financeira, detém o controle das ações de várias outras empresas.

Continua: A Partilha da África e da Ásia

 

 
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