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Gnōthi Seauton e Mēdén Ágan

Inscrições eternas no Templo de Apolo, em Delfos

 

 

Na Grécia Clássica, cada Cidade Estado tinha sua própria forma de governo, sua maneira ímpar de encaminhar a Coisa Pública. Em comum havia coisas como o idioma, a mesma raiz cultural dos tempos homéricos [a narrativa, inicialmente através de Tradição Oral, com o advento da escrita também em papiros] que cantava Eventos em torno da Guerra de Tróia, os cantos aos deuses, etc. Além disso acontecia, entre muitos aspectos comuns, a cada quatro anos, os Jogos Olímpicos em homenagem a Zeus

Acreditava-se que Apolo (filho de Zeus e Hera, reis dos deuses) falava pela boca da Pitonisa em Delfos. Sempre que se pretendia empreender uma empreitada de maior monta, se consultava o Oráculo em Delfos e se recebia um vaticínio em linguagem sibilina (de difícil compreensão).

Ao alto da Edificação onde ficava o Oráculo, havia duas inscrições, amplamente repetidas em todo o mundo grego:

Gnōthi Seauton [que a Tradição Romana, Latina, reduziu para "Nosce te ipsum", "Conhece-te a ti mesmo"].



Gnōthi Seauton tem um sentido bem mais amplo, que incorpora vários conceitos; aquelas duas palavras trazem consigo significados tão extensos como:
_ Conhece-te a ti mesmo
_ Lembra-te de quem você é
_ Reconheça o seu lugar no Cosmos.

 

 

 

Mēdén Ágan, a seu turno, significa literalmente "Nada em Excesso" que, além de repreender a Hubris (palavra até hoje em uso em vários idiomas e que significa orgulho ou auto-confiança exagerados), lembra que todas as coisas no mundo humano precisam de moderação. Deve-se evitar alegria ou tristeza em excesso; riqueza ou pobreza em excesso...

A mitologia grega aponta a história de Niobe que, mãe de numerosa [excessiva] prole, não soube reconhecer o seu lugar no Cosmos [desobedecendo a primeira máxima grega [gnōthi seauton] , desafiando Hera que só tinha um casal de filhos [Apolo e Ártemis] almejando ser adorada como deusa, acima da esposa de Zeus. Hera ordena a Apolo e Ártemis que exterminem toda a prole de Niobe com suas setas invisíveis.
 

 

 

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Sem reconhecer seu lugar no Cosmos [gnōthi seauton], a humana Niobe, mãe de sete filhas e sete filhos desafiou a deusa Hera, esposa de Zeus, que só tinha um casal de filhos, Apolo e Ártemis, incitando seus concidadãos a adorá-la [a ela, Niobe] como superior à deusa Hera que, enfurecida, determina que Apolo lhes extermine os filhos e Ártemis lhes extermine as filhas com suas setas invisíveis.

Na tela concluída em 1772, Jachques-Louis David (Pintor Oficial da Corte de Napoleão Bonaparte), retrata Niobe, desesperadamente tentando em vão proteger seus filhos e filhas da ira de Hera.

Note ainda que o conceito de "amor incondicional aos humanos" não fazia parte dos atributos dos deuses gregos

Lázaro Curvêlo Chaves - 20/03/2015

Para Aprofundamento

Introdução à Mitologia Grega: Deuses e Contos de Origens

A Guerra de Tróia e Seus Desdobramentos para a Nossa Cultura

As Sete Maravilhas do Mundo Antigo

 

 

Leitura Indicada

Cursos Indicados - ainda sem legendas em Português...:(

Da Professora Elizabeth Vandiver Ph.D. Whitman College

 
 
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