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Grécia Clássica (entre 2.000 e 250 anos Antes da Nossa Era)

 

 

            Usualmente fazemos uma divisão em períodos distintos a fim de simplificar a compreensão das transformações que ocorreram na Península há quatro mil anos e naturalmente aprofundaremos cada um deles. Eis a referência clássica tradicional na historiografia ocidental, que serve como um balizamento, um norteamento genérico apenas.

Chamamos de Período Micênico à época da chegada dos primeiros povos àquele território, entre os anos 1950 e 1100 Antes da Nossa Era.

De Período Homérico chamamos à fase de decréscimo social e cultural (até a escrita, no período, foi esquecida) que se sucedeu às invasões arianas, no caso, dos dórios, entre 1100 e 800 anos Antes da Nossa Era.

De Período Arcaico chamamos o momento de florescimento das cidades-estado gregas cuja fama e influência nos chega até a atualidade (Esparta, Atenas, Tebas, Corinto...). Entre 800 e 500 anos Antes da Nossa Era.

De Período Clássico chamamos ao tempo em que, derrotados os persas, as cidades-estado gregas conheceram grande prosperidade (notadamente Atenas que, além de encontrar uma Mina de Prata assumiu a chefia da Aliança dos Gregos contra os Persas através da “Liga de Delos”) – a hegemonia Ateniense cresceu demais, outras cidades-estado se sublevaram e, de um “Império de Fato”, nascido a partir da Liga de Delos, a Grécia se fragmenta e se fragiliza a ponto de ser conquistada pelos Macedônios. Período que vai de 500 a 338 anos Antes da Nossa Era.

Período Helenístico já é aquele que encontra uma Grécia sob domínio Macedônio que, por um lado leva a civilização e a cultura grega a pontos remotos na África e na Ásia, por outro extingue a autonomia ou autarcia das cidades-estado. De 338 até 275 Antes de Nossa Era.

 

 

O Período Micênico

            Considere o que aconteceu no Brasil durante a Ditadura Militar. Há hoje relatos conflitantes, informações desencontradas, revisões em direções distintas... E faz apenas cinquenta anos que aconteceu! Avalie algo ocorrido há mais de quatro mil anos, como é complicado recompor!

            Enfim, os primeiros habitantes a chegar à Região Sul da Península, ali estabelecendo várias cidades, dentre as quais se destaca Micenas a Leste e Esparta a Oeste. Um pouco mais ao Norte fica a Ática, cuja cidade mais relevante é Atenas. Todas contemporâneas e geridas de maneira consideravelmente similar. Não ocorria ao Grego do Período outra forma de governo que não fosse a Monarquia e a Escravidão (inicialmente de prisioneiros de guerra) era praticada abundantemente.

            Ao Sul da Península, fica a Ilha de Creta que, segundo informações coletadas na década de 50 do século XX pelo arqueólogo Arthur Evans, contava com uma cultura e uma civilização superior à dos Aqueus (nome genérico dado aos que, a partir do Período Arcaico, se autodenominarão “Helenos”, para nós: “Gregos”).

O Labiríntico Palácio de Knossos em Reconstrução Artística

            Uma de suas descobertas, foi a de tabletes de argila com inscrições ainda não decifradas que receberam o nome de “Linear A” e outras inscrições posteriores, finalmente decifradas e também recorrentes em Micenas, que receberam o nome criativo de “Linear B”. Essa última, após longos anos de estudos e pesquisas foi finalmente decifrada e frustra o pesquisador que esperava encontrar relatos mitológicos ou temas do cotidiano: são listas de provisões (extensas listagens de quantidades de azeite de oliva, de vinho, de grãos, esse tipo de coisa...). Um aprofundamento nos estudos revelou que a escrita “Linear B” foi adotada primeiro em Micenas e somente depois em Creta, ou seja, já num período em que Creta estava sob domínio Micênico daí passar a ser comum chamar aquela civilização como um todo de “Creto-Micênica”.

A dificuldade na decifração do proto-grego Creto-Micênico está patente...

            A descoberta do Palácio de Cnossos em Creta aponta direções curiosas na possibilidade de se haver mitologizado um local físico: trata-se de uma construção gigantesca, com centenas de cômodos e nas quais facilmente se perde a direção; “seria essa a origem do mito do Labirinto de Creta?”, questiona Evans. Também encontradas uma série de Afrescos, a maior parte deles totalmente destruída pelo tempo mas uma em particular chama a atenção e é chamada de “Salto do Touro”. Representa três figuras humanas, duas mais claras e uma mais escura, em evoluções atléticas em torno de um touro gigantesco; tanto na representação pictográfica egípcia quanto na grega, figuras humanas em tonalidade mais clara representam mulheres e aquelas em tonalidade escura representam homens. Como não há um relato escrito acerca do que se trate, somente podemos reproduzir o Afresco e descrever o que vemos: uma figura feminina à frente segura o touro pelos chifres; a figura masculina ao centro parece executar um malabarismo em cima do Touro e a terceira figura, feminina, parece preparar-se para pular. Se era um esporte, uma punição ou uma alegoria, dificilmente se saberá. Arthur Evans especula se não estaria aí uma possível origem para a lenda do Minotauro...

            Há numerosos artefatos em bronze, razoavelmente preservados, do período. Sabemos que o ponto de fusão do bronze (que, derretido, permite ser trabalhado em moldes de argila, por exemplo) é de 900º Celsius. Uma temperatura elevada que os Aqueus dominavam. O Período Micênico corresponde, portanto, à “Era do Bronze” no local. Fabricavam-se, entre outras coisas, Espadas e Escudos de Bronze e era com aquelas armas que se guerreava. A temperatura de fusão do ferro é de 1.500º Celsius, muito mais difícil de se atingir. Uma leva de Arianos do Norte da Europa conseguiu dominar a arte de confecção em ferro e invadiu várias regiões ao Sul da Europa, África e Ásia (Índia inclusive). O ferro corta o bronze quase como se fosse manteiga. A superioridade bélica do invasor ficou patenteada pelo domínio que exerceram em tempo relativamente curto. Na Grécia recebem o nome de “Dórios” e põem fim à civilização Micênica fazendo com que reverta ao que ficou conhecido como uma “Era de Trevas” – entre 1.100 e 800 anos Antes da Nossa Era – predominou a Tradição Oral (até a escrita foi esquecida no período);  é daquela época o surgimento dos Poemas Homéricos, em especial os que chegaram com maior impacto até nossos dias: a Ilíada e a Odisséia. Tratamos de Guerra de Tróia assim como de outros aspectos dos Poemas Homéricos em outra parte, clique aqui para ler a respeito.

 

 

O Período Arcaico

            Com o passar dos anos ocorreu uma acomodação à nova situação: grandes famílias se reuniam para a administração comum de seus bens e serviços. Surgia o “genos” grego que teve duração limitada. Em pouco tempo o guerreiro passou a se apropriar das terras e ocorreu uma concentração agrária até ali inédita. Nada pacífica, por sinal: os desapropriados eram reduzidos à situação de heptameroi, tinha de entregar 5/6 de tudo o que produzia ao dono da terra e, quando não o conseguiam, se endividavam e, para pagar suas dívidas deveriam entregar a si mesmos ou a alguém de suas famílias, como escravo...

Colônias Gregas em torno do Mediterrâneo

            Começa o período conhecido como “A Segunda Diáspora Grega”, quando os Helenos partem a novas paragens em busca de melhores condições de vida e fundam colônias em vários lugares em torno do Mediterrâneo, notadamente no sul da Península Itálica, que fica conhecida como “Magna Grécia” e a Ásia Menor, que entra para a história como “Iônia” – da Iônia virão mais tarde Grandes Pensadores Gregos como Heráclito da Cidade de Éfeso; Heródoto, de Halicarnasso; Thales, de Mileto, etc. Notável também a fundação de uma cidade bem na entrada do Mar Negro, batizada de Bizâncio que terá profunda influência em toda a História até o século XVI (quando já se chamava “Constantinopla”, era a capital do Império Bizantino e caiu sob o ataque dos muçulmanos em 1543 obrigando os Europeus a buscar um caminho marítimo para “as Índias” – tema à parte, clique aqui para conferir.).

 

 

A Formação das Cidades-Estado, dois exemplos

 

Atenas

 

           Durante o Período Arcaico Atenas, como todas as demais cidades gregas do período e mesmo bem adiante no tempo, contava com uma Monarquia Hereditária. O primeiro monarca (Basileus) ateniense seria o mitológico Herói Teseu que realizou seis Grandes Trabalhos em Unificação e Civilização da Ática, ressalto, por exemplo, a derrota do monstro Procrastres que recebia hóspedes e os colocava numa cama: se eram maiores que a cama, tinham as pernas cortadas, se menores que a cama, eram esticados numa roda dolorosa e mortal - daí temos a expressão "procrastrinar", quando se busca dobrar o problema para caber na solução e não solucionar um problema concreto... Teseu tem, por assim dizer, dupla paternidade: na mesma noite em que foi concebido sua mãe esteve com o Marido, já Rei de Atenas, sendo a seguir estuprada pelo deus Poseidon. Após a Unificação e Pacificação de toda a Península da Ática, seguiu-se um período de monarcas hereditários e, em data não muito clara para o historiador a monarquia hereditária foi substituída por um triplo Arcontado: três Arcontes (Governantes) governavam conjuntamente. Os primeiros Arcontes, em particular o "Arconte Basileu" tinha mandato vitalício. Com o passar dos anos, o Arconte passou a manter um mandato de dez anos, a seguir recebia o mandato de um ano, passando, a seguir, ser membro do Conselho do Areópago e, pela Institução da Eclésia elegia-se um único Arconte  a cada ano, com mandato renovável, dependendo de sua habilidade como líder.

            No século VIII Antes da Nossa Era Atenas tinha uma economia essencialmente rural com uma incipiente atividade de artesãos (demiurgos) e mercadores. Abro aqui um providencial parêntese para, externar minha indignação e enfatizar que os Mercadores JAMAIS tiveram qualquer posição de destaque no Mundo Civilizado Clássico (da Grécia de 2.000 anos Antes da Nossa Era até a Queda do Império Romano do Oriente em 1453 Da Nossa Era) sendo usualmente tido - como de fato o é, desde aquele tempo, a um só tempo elemento necessário ao trânsito de produtos de outros pontos para dentro do Mundo Civilizado como a seu comércio com outros povos, mas vilipendiado como rapinante, desonesto, explorador e cruel. Somente esta Era de Barbárie do final do Século XX e início do Século XXI de Nossa Era foi capaz de entregar O COMANDO DO MUNDO à camada mais baixa da sociedade em termos morais...

            Uma camada social particularmente frágil em Atenas era composta por pequenos fazendeiros que, usualmente, se endividavam com os grandes fazendeiros hipotecando em primeiro lugar suas pequenas propriedades, a seguir suas vidas: não conseguindo pagar, eram escravizados por dívidas (parece atual, não?)

             O poder era controlado pelos Eupátridas (os "bem-nascidos", que usualmente conseguiam traçar sua genealogia até os Heróis Miotológicos do período Homérico. Havia vários descendentes de Héracles, de Teseu, de Aquiles, etc, vivendo não apenas em Atenas como por toda a Hélade...

              Os Atenienses fundam várias colônias na Ásia Menor (Jônia), Norte da África e Sul da Península Itálica (Magna Grécia) no que ficou conhecido como a Primeira Diáspora Grega fazendo surgir uma categoria a reivindicar também o seu lugar ao sol. Com a introdução de armas baratas, confeccionadas em madeira mas não pouco letais, possibilitou aos mais pobres armarem-se também.

             Em meio à crise, reza a lenda, o Arcontado nomeou um legislador extremamente rigoroso, de nome Drácon (seu nome parece apontar mais na direção da mitologia que da concretude dos fatos e há hoje historiadores que duvidam de sua existência) que formalizou um sistema extraordinariamente rígido de leis prevendo a punição pela maior parte dos crimes com a morte. Daí o termo "medidas draconianas, extremamente severas".

           Sólon, Legislador com existência física inquestionável, foi nomeado legislador em lugar de Drácon no ano 594 Antes da Nossa Era. Aristocrata, aboliu a escravidão por dívidas e a pena de morte para uma série de infrações menores. Deixou uma Obra Poética impressionante e não nos devemos espantar que numa cultura e civilização em transição de sua fase pré-literária para literária, ou seja, com escrita, se haja utilizado o antigo estratagema dos Bardos para simplificar a memorização do que se desejava dito e repetido mesmo pelas camadas menos ilustradas da população. As medidas draconianas permitiam aos fazendeiros Atenienses exportar grãos enquanto a população local passava fome. Sólon proibiu a exportação de grãos mantendo as de azeite e outros produtos agradando em parte e por algum tempo todas as camadas sociais atenienses.

          Após deixar seu código de leis, Sólon empreendeu uma viagem de dez anos ao Oriente. Uma vez cumprido seu papel ficou estabelecido que a legislação somente poderia ser modificada por ele que, prudentemente, saiu em viagem ficando fora da possibilidade de qualquer modificação - e algumas eram necessárias.

          Como as reformas de Sólon não resolvem todos os problemas sociais de Atenas, Psístrato (em companhia de seus filhos Hípias e Hiparco), contando com o apoio de vasta maioria da população se proclama Tirano de Atenas; por ser ligado às camadas populares em Atenas estimulou o crescimento e o desenvolvimento da cidade sendo por aquele período que Minas de Prata foram descobertas na Ática e houve estímulo a grande desenvolvimento cultural estando, em parte, na raiz do Iluminismo Jônico que será motivo de nossos próximos estudos. Com a morte de Psístrato e o assassinato em condições mal esclarecidas de seu filho Hiparco, Hípias se tornou Tirano e foi logo deposto por praticar uma série de arbitrariedades, sendo substituído por Clístenes.

          Entre 508 e 507 Antes da Nossa Era, Clístenes esteve à frente de uam série de Reformas que intrudoziram definitivamente a Democracia em Atenas como forma de governo: não era mais o "bem nascer", mas nascer em Atenas e ser do sexo masculino que impunha os princípios da isonomia e da isegoria, bases da Democracia Ateniense, exercida de maneira direta e não representativa por cerca de 6.000 cidadãos Atenienses (a maiorias dos moradores, mulheres, estrangeiros e escravos, não tinha direitos de cidadania em Atenas, somente os Homens Nascidos em Atenas e a partir de uma certa idade podiam participar das decisões da Ágora. Além da Ágora, composta por todos os Homens Atenienses, havia um Conselho de 500, a Eclésia, para a qual eram escolhidos por sorteio entre os Cidadãos e cada um dos membros tinha um mandato de um mês num ano civil de dez meses; a Eclésia se reunia uma vez por mês. Acima deles seguia o Arcontado, composto por antigos líderes mais experientes e funcionavam como um sistema superior de recursos e Atos Públicos. O governo, na prática, era exercido pelos Estrtegói, encarregados das estratégias militares e rituais religiosos públicos.

          As reformas de Clístenes trouxeram um período de estabilidade interna e externa a Atenas, o que permitiu a formação de um sistema coeso capaz mesmo de enfrentar duros períodos de provações como as Guerras Pérsicas, também motivo de nossos próximos estudos.

 

Esparta

            A invasão Dória na Messênia foi mais brutal e dramática que em outras partes do Mundo Helênico. A desproporção entre os habitantes locais e os invasores melhor armados e treinados forçou a cidade-estado de Esparta a viver em função do controle demográfico de seus escravos (que passaram a chamar-se de “Hilotas”), em proporção de dez para um.

            Diferentemente de Atenas, onde os escravos garantiam aos Pensadores e Artistas o tempo livre para se dedicar a cogitações sobre o Cosmos, em Esparta a prioridade máxima era o treinamento militar.

            Com a acomodação da sociedade, durante a maior parte de sua História, Esparta manteve uma estrutura com características bastante singulares no mundo grego.

            Eugenia. Toda a criança, ao nascer, era examinada cuidadosamente pelos anciãos: caso apresentasse alguma disfunção física ou mental era sumariamente executada.

            “Caserna”. Agoge. Disciplina Rigorosa. A criança, desde o seu nascimento, ficava sob os cuidados diretos de sua mãe até os sete anos de idade. Aos sete anos, o menino era transferido para o que hoje chamaríamos de um grande quartel, nele vivendo até os trinta anos de idade. Entre os sete e os doze anos aprendiam poesia (liam os Poemas Homéricos como a Ilíada e a Odisséia), música, dança e começavam a aprender o trato e funcionamento do armamento. Aos doze anos cada jovem recebia uma espécie de “irmão mais velho” que se responsabilizava diretamente pela sua orientação, assim permanecendo até o casamento. O Espartano era autorizado a se casar por volta dos vinte e quatro anos de idade, mas não a sair da caserna. Para se encontrar com a esposa precisava fugir às escondidas da caserna após o anoitecer e regressar antes do galo cantar.

            As Mulheres em Esparta, ao contrário das Atenienses, que viviam sequestradas de suas famílias maternas após o casamento precoce aos doze ou treze anos, viviam praticamente aprisionadas vitaliciamente no gineceu; as Espartanas, por seu turno contavam com mais liberdade inclusive que seus maridos. Pouco sabemos sobre a educação das meninas espartanas, que recebiam um tipo único de educação para os padrões da Grécia Clássica; sabemos por exemplo que também aprendiam poesia, música, dança e eram estimuladas à pratica de esportes assim como a lides comerciais, proibidas aos cidadãos de Esparta: muitas enriqueciam e sem dúvida eram lutadoras capazes de enfrentar qualquer adversário em igualdade de condições dado o seu treinamento.

            Laconismo. Para o soldado, o mais importante é cumprir e obedecer ordens sem pensar ou questionar. O Amor à cidade-estado de Esparta, levado ao nível do fanatismo, fazia com que seus cidadãos se expressassem em termos simples e diretos, sem muito espaço para pensamento crítico. A cidade de Esparta ficava na Planície da Lacônia e sua forma peculiar de se expressar ao responder perguntas (“você irá ao Teatro?” – “Sim”; “a que horas pretende voltar?” – “Sete”; “como será o seu transporte?” – “Cavalo”) ficou conhecida pela expressão que usamos ainda hoje quando lidamos com pessoas de pouca conversa: Lacônica.

            Sitema de Poder. Havia os cidadãos Espartanos no topo da pirâmide social, devotados a uma vida dedicada às artes da guerra. Aos trinta anos poderiam pleitear um assento no conselho de anciãos ou gerúsia que contava também com dois reis – provavelmente, um dos reis era mais ligado a assuntos bélicos e o outro a temas administrativos – acima dele, um Conselho de Éforos, composto por cinco homens acima de sessenta anos e eleitos para um período de um ano – era a instância superior a que se recorria em casos extremos. Além dos cidadãos Espartanos havia os escravos Hilotas (que eram escravos da cidade-estado) e exerciam a maior parte dos trabalhos manuais deixando os cidadãos livres para sua atividade militar; além desses, Espartanos sem cidadania, contudo livres, conhecidos como “Periecos” por habitarem a periferia da cidade: dedicavam-se a atividades consideradas menos nobres, indignas dos guerreiros, como o comércio. A fim de manter contida a população de Hilotas evidentemente descontentes, havia um regime de assassinatos institucionalizados de um determinado número de escravos através de uma prova pela qual o jovem cidadão Espartano deveria passar entre os dezessete e os vinte anos; a kriptia: saiam com punhais e adagas e matavam o maior número de Hilotas que conseguissem – não raro morriam quando aqueles se defendiam – e somente então eram considerados plenamente adultos. Para o casamento, a mulher raspava a cabeça e usualmente vivia com o jovem marido e seu tutor até que ele se acostumasse com a esposa (até aquele momento, seu contato se restringia quase que exclusivamente com outros Espartanos do sexo masculino, acostumar-se com a esposa era um processo demorado).

Hoplitas. O nome deriva do Escudo Circular usado pelo Soldado Grego (tanto Ateniense quanto Espartano). A formação cerrada dos soldados, com cada um protegendo o de sua esquerda transformava a Falange Hoplita numa máquina de guerra formidável.

 

 

Guerras Médicas ou Guerras Pérsicas

            Entre os anos 490 e 478 Antes da Nossa Era os gregos enfrentaram a mais formidável máquina de Guerra do Mundo Clássico, o Império Persa, que desceu sobre as cidades-estado gregas como um vagalhão humano vastamente numeroso, algo equivalente ao ataque dos EUA ao pequenino Vietnã e, tanto naquele caso quanto neste mais moderno, o aparentemente menos poderoso derrotou o Império. Tema de nossa próxima aula, na qual aprofundaremos ainda outros aspectos das Cidades-Estado de Atenas, Esparta, Tebas, Corinto e Delfos.

Lázaro Curvêlo Chaves - 14/04/2015

                 
 

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