Cultura Brasileira: no ar desde 1998

A Guerra de Isarel/EUA versus o povo palestino ou da Limpeza Étnica brutal aos olhos de todos

Base do Debate:

Entendendo a agressão de Israel e EUA ao povo Palestino

Mais um Ataque Israelo-Estadunidense à Faixa de Gaza – Julho de 2014

Aprofundando o debate entre dois brasileiros sem origem árabe ou judaica acerca da chamada “Questão Palestina”

 

                “Um conhecido aristocrata britânico disse, certa feita que, se alguém saísse pelas ruas de Londres dizendo somente a verdade, seria assassinado antes de haver caminhado uns poucos quarteirões.” Noam Chomsky em comentário ao documentário “As Provações de Norman Finkelstein”(*)

 

                  Histórico geral das origens deste problema em Histórico da agressão de Israel e EUA ao povo Palestino

 

 

        Começo por aqui, simplesmente por haver sido esta a fagulha que me motivou a sentar-me atrás da tela do computador para compor algo decente após longo período de desânimo. Por vezes me sinto vox clamantis in deserto... Agride a mente ver como em todas as eleições – localizadas ou majoritárias – no Brasil haja tanto incêndio em favelas na cidade de São Paulo e invasões da Polícia e do Exército em favelas cariocas quando fora do período eleitoral tais ocorrências sejam episódicas, raras.

Em Israel a desgraceira ocorre a cada 4 anos: sempre que se avizinha uma eleição para o Parlamento, a 2ª Potência Militar do mundo (com largo suporte da 1ª e única superpotência) decide esmagar palestinos na Faixa de Gaza. Tanto os incêndios e invasões militares em favelas brasileiras quanto a invasão de Gaza por forças Israelenses, fenômenos inexoráveis em períodos eleitorais, obviamente têm uma relação intrínseca que precisa ser estudada mais a fundo. Não me parece que seja, no Brasil, o caso de se falar em coincidência, seja no caso de São Paulo, seja no caso do Rio de Janeiro.

A versão de Israel reza que “os palestinos os atacam” sempre em vésperas de eleições, o que é ainda mais inverossímil: seria uma decisão pouco razoável, levar à fúria a 2ª potência bélica do mundo e única potência nuclear do Oriente Médio se sabem de longa vivência que, em vésperas de eleições em Israel, quanto maior a paz, maiores as possibilidades de eleição de parlamentares moderados. O fato concreto de a reação palestina ser – sempre – posterior à invasão do Exército de Israel mas noticiada ao contrário, causa náuseas. Ainda mais pelo fato de a maioria acreditar na Propaganda. Será que o Bravo Povo Hebreu, que sofreu tanto na mão dos nazistas, não tinha nada melhor a aprender com eles do que o massacre de minorias?

 

            Todos que se informam conhecem a causa real da sucessão de conflitos: o fato de Israel e EUA se recusarem sistematicamente a obedecer às leis internacionais no que tange principalmente à decisão – reiterada várias vezes e sempre desobedecia – da criação de um Estado Nacional Palestino ao lado do Estado Nacional de Israel nas fronteiras estabelecidas em 1967. Contudo, em todas as análises que leio ou tenho a paciência para ouvir na televisão partem do princípio de que Israel tem direito à sua autodeterminação, enquanto o povo palestino não o tem. Principalmente com um substrato religioso: os palestinos são muçulmanos e os EUA são fundamentalistas protestantes aliados aos fundamentalistas sionistas em Israel, todos ansiosos pela grande batalha do Armagedom que, presumivelmente trará um Messias Vingador vindo de um céu metafísico – no Universo Físico não há evidência comprobatória de qualquer vida fora do planeta Terra até este momento – que, segundo as profecias, para o povo hebreu pela primeira vez e para os protestantes pela segunda, virá trazer punição aos maus e recompensas aos bons, sendo os fundamentalistas de cada crença os “bons” e quem deles discorda, os “maus”, naturalmente.

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            Repudio veementemente aqueles que consideram qualquer crítica ao Estado Nacional de Israel uma evidência de antissemitismo! Não é racionalmente justificável qualquer forma de discriminação por motivos ideológicos, religiosos, étnicos ou mesmo de preferência sexual. Condenamos veementemente o que os nazistas fizeram com os judeus assim como condenamos veementemente o que os judeus fazem hoje contra os palestinos e ponto final.

Durante os ataques do Exército de Israel a uma das áreas mais empobrecida e sofrida do Globo Terrestre, o envio de “correspondentes” de outras nações é um escárnio! Eles se estabelecem em Israel e se nutrem das “informações” que o Exército Israelense ou sua liderança político-religiosa tem a prestar, e eles repetem, com satisfação, o que já fazem mesmo à distância. A proximidade geográfica dos locais eventualmente atingidos por foguetes rudimentares em Israel não lhes dá uma perspectiva suficientemente clara do que está acontecendo. Se há um contra ataque palestino nas proximidades do “correspondente”, o discurso oficial de Israel e EUA é homologado pela imprensa: “vejam: o Estado de Israel está se defendendo...”

Sigo Norma Finkelstein no seguinte raciocínio: poderíamos elogiar muito os EUA por haverem conseguido se libertar da metrópole britânica e se transformar no primeiro Estado Nacional com eleições diretas e representatividade melhor que aquela dos antigos Estados Autocráticos; poderíamos elogiar o povo hebreu também pela força de sua religião os haver mantido unido como um mesmo povo ainda que hajam vivido disperso pelos Romanos no primeiro século do primeiro milênio de nossa Era. Quase 2.000 anos de diáspora e conseguem manter as mesmas tradições, as mesmas crenças, a mesma cultura geral, rica e sofisticada. Admiráveis conquistas, inquestionavelmente. Mas seria vergonhoso tecer loas ou louvores às conquistas dos EUA ou de Israel durante o período de Guerra em que se encontram contra um povo que só almeja uma coisa: direito à autodeterminação.

            Na Palestina Ocupada pelo Exército Israelense, o cotidiano é desgraçado. Vivem aprisionados em guetos ou bantustõe aos olhos de todos. Houve um anúncio de “saída unilateral de Israel” que, de fato, agora somente posta soldados em postos-chave. Praticamente todas as rodovias e rotas de passagem dos palestinos estão constantemente sob escrutínio, as moradias dos palestinos podem ser vasculhadas a qualquer momento “em busca de terroristas” e, sempre que interessa a um grupo ou empresa de expansão ou construção de Israel, quarteirões inteiros de palestinos são declarados “de interesse da Segurança Nacional israelense” e, por vezes com aviso prévio a seus moradores, por vezes mesmo sem essa cautela, casas são demolidas sistematicamente sob a justificativa de “pertencer a terroristas”. Em seu lugar, constroem-se verdadeiros castelos fortificados que são entregues a famílias de israelenses de uma forma ou de outra ligada ao aparato bélico de Israel, havendo hoje alguns milhares de estruturas assim, incrustadas dentro do território palestino, isolando-os uns dos outros e obrigando a todos os que desejem se deslocar de um ponto a outro a passar por vários bloqueios militares, apresentar documentação e motivos, etc. A água – vital a todos e estratégica naquela região desértica – é controlada por Israel, uma vez que a Palestina não tem um Estado Nacional próprio. Aos palestinos, controla-se concedendo alguns litros por semana a cada família. Aos israelenses que vivem na mesma região – não mais “ocupada”, mas com várias estruturas residenciais e comerciais incrustados – toda a água que puderem comprar a preços bem módicos. Deve ser mesmo enfurecedor aos palestinos verem seus filhos com sede, sua terra sem plantação por falta de água enquanto, nos condomínios israelenses luxuosos, situados onde outrora era moradia de palestinos, regam-se plantas de jardim com vasta sobra e se fazem campos aquáticos, piscinas para o seu deleite nos momentos de lazer. A mesma água que, quando era dos palestinos até antes do término da II Guerra, estes partilhavam irmãmente com israelitas que ainda viviam na região ou para lá iam voltando...

            Soube disso assistindo a “Peace, Propaganda & the Promised Land”, de 2004 - http://www.imdb.com/title/tt0428959/  - Este magnífico documentário, dirigido por Sut Jhally e Bathsheba Ratzkoff relata o cotidiano desgraçado do povo empobrecido, humilhado e ofendido que vive nas regiões sob rígido controle militar israelense: Cisjordância e Faixa de Gaza. Só encontrei no Amazon...

 

         Pessoalmente, jamais compreendi direito esse negócio de “posse” de terra ou de água ou de qualquer coisa que exista há pelo menos 4,5 Bilhões de anos (no mínimo), sendo a Espécie Humana tão recente na superfície do planeta (uns 200.000 ou 300.000 anos em nossa forma atual). Ainda assim, a espécie humana surge indiferenciada do ponto de vista biológico, genético. Diferenças superficiais de adaptabilidade – cor de pele, formato de olhos, coisas assim, que não obstaculizam a definição de Espécie Animal, ou seja, a interfecundidade – não devem ser levadas em conta; de novo: discriminações por motivos étnicos não se justificam. A cultura, a civilização em formato que reconhecemos surge bem mais recentemente. Ainda é um tema polêmico e em estudos, mas seguramente as primeiras civilizações surgiram há mais de 45.000 anos no Oriente (Índia e China, onde estão as civilizações mais antigas do Planeta), algo como 20.000 e 10.000 para algumas civilizações nativas do continente que hoje chamamos América, entre 5.000 e 9.000 anos na região que se convencionou chamar de “Crescente Fértil”, que vai dos rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque até o rio Nilo no atual Egito, passando pelo Jordão, em Israel e englobando a faixa litorânea ao sul da Europa onde vicejou a civilização grega. Toda a riqueza natural do Planeta já existia quando as culturas e civilizações ditas humanas nasceram ao seu redor. saiba mais sobre este tema em (Imagens do Telescópio Espacial Hubble fazem refletir acerca do relativismo da propriedade privada dos primatas evoluídos do Terceiro Planeta do Sistema Solar.) Não há racionalidade alguma na posse desigual desta ou daquela porção de coisas que a Espécie Humana precisa para sobreviver.

Os Serviços de Segurança de Israel conseguiram, no final do século XX conduzir à liderança do povo palestino uma série de pequenos (moralmente falando) representantes mais ligados aos interesses de Israel e seus interesses pessoais que à causa da Libertação da Palestina, o que levou alguns a serem assassinados e sua “liderança” a ser tão questionada que se extinguiu, dando lugar a outros grupos, que os seres humanos sempre encontram uma forma de se fazerem representar. Num primeiro momento, por padrão, o Estado Nacional de Israel “não reconhece” a nova e legítima liderança palestina e a acusa de ser “terrorista”. Esta palavra precisa ser mais bem examinada, dediquemo-la um pouco mais de consideração.

 

Do Terrorismo

 

  

            Definição de terrorismo: uso excessivo de força contra pessoas inocentes. Exemplos: amarrar bombas no corpo e explodir-se levando consigo um bocado de gente é um ato de terrorismo. Não faz muito um Palestino tentava desesperadamente levar sua mãe a um hospital próximo, pois sentia dores fortes no peito, o braço esquerdo doía e ela sentia ânsias de vômito (indícios de problemas cardíacos). Quando chegou ao Bloqueio do Exército Israelense foi obrigado a dar uma volta imensa e demorada, pois o Hospital mais próximo ao local em que se encontrava não correspondia à área em que ele morava. Esse tipo de coisa ocorre no cotidiano daquele povo sofrido, aliás. A mãe morreu do coração antes de chegar ao Hospital. O cidadão conseguiu uns explosivos, amarrou no corpo e se explodiu, levando consigo alguns soldados num daqueles bloqueios e é miraculoso que sequer tenhamos conhecimento deste fato devido ao rigoroso controle da Imprensa Internacional. Não se tenta justificar um ato terrorista; o cidadão palestino evidentemente surtou e, dentro lá de convicções que se viu forçado a abraçar dado o desespero em que se encontrava, cometeu suicídio levando consigo alguns de seus algozes. Esse tipo de exemplo era abundante ainda na Irlanda ocupada pelo Exército Britânico pelo menos até 1997. Mas... Como classificar a utilização de helicópteros “Apache” para bombardear aldeias pacíficas de palestinos no sul do Líbano, prática que Israel usa sistematicamente até hoje? Ou o ato de pirataria contra o navio com tripulação internacional levando ajuda humanitária aos palestinos em Gaza em maio de 2010? Surpreende mesmo que se veja os Estados de Israel e EUA como Estados Terroristas?

Pontos de Bloqueios do Exército de Israel na Faixa de Gaza

            Enfim, utilizou-se muito a palavra “comunista” entre as décadas de 60 e 80 do século passado em toda a América (do Norte, Centro e Sul) para desqualificar adversários que, muitas vezes, sequer tinham noção do significado da palavra. Mas se o sujeito ou grupo é “comunista”, cabia ao bom entendedor da mensagem estatal, manter distância! A palavra equivalente neste início de século XXI é “terrorista”. O início do século, de fato está marcado indelevelmente por um ato terrorista de grande magnitude: a destruição das Torres Gêmeas no complexo de construções chamado “World Trade Center”. Até hoje não se sabe quem perpetrou aquele ato. Tudo aponta na direção do governo Bush, o pequeno, que se beneficiou amplamente dos desdobramentos do evento e, usualmente, o cometimento de um crime está ligado a quem mais dele se beneficia. Os afegãos, aliados de primeira hora dos estadunidenses na luta final contra a moribunda União Soviética até 1989 foram os primeiros acusados. Será mesmo? Saddam Hussein – outro ex-aliado dos EUA durante a Guerra de 10 Anos contra o Irã de 1980  a 1988 – seguramente nada teve a ver com aquilo e Usama (ou Osama) Bin Laden parece mais um personagem criado em computador com várias feições e idades dizendo o que convinha ao governo estadunidense a cada momento do que alguém que tenha sido real; o fato de haverem matado alguém com “vários tiros no rosto” e jogado seus restos mortais ao mar sem que ninguém vissem contribuem para a desconfiança. Ainda me lembro do orgulho dos estadunidenses ao exibir por meses a fio para fotos em praticamente em todos os jornais do mundo, o corpo do comunista “Che” Guevara assassinado nas florestas bolivianas. Quem não estudou nos bancos escolares as fotos dos nazistas executados pelo Tribunal de Nuremberg? Não é do feitio deles esconder o adversário morto, mas exibi-lo como um caçador exibe orgulhoso a carcaça de sua caça. Talvez um dia cheguemos a descobrir quem foi que os estadunidenses mataram no Paquistão no dia 2 de maio de 2011. Talvez nunca.

            Há muitos fatos confusos e contraditórios na história dos ataques do 11 de Setembro de 2001: um avião que teria se “vaporizado” num impacto contra o Pentágono (a temperatura de fusão do titânio, material usado na fabricação das turbinas de um Boeing, é de 1.941 Graus Kelvin = 1.668 Graus Celsius; o impacto de um avião contra uma construção chega a, no máximo e dependendo de uma série de circunstâncias, a 500 Graus Celsius. Não se “vaporiza” com tanta facilidade, não...); desconfia-se ainda de um outro avião que estaria a caminho da Casa Branca mas “passageiros patrióticos” desarmaram os terroristas e levaram o avião ao chão – o local apontado como sendo o da queda do terceiro avião não comportava um único mililitro de sangue humano (mesmo cozido ou assado), nenhum pedaço de gente – o legista encarregado disse à Comissão do Senado Estadunidense que investigou os fatos haver terminado sua atividade por ali em menos de 20 minutos, assim que constatou não haver restos humanos de qualquer natureza naquele local. Aliás, ali também não havia vestígios de turbinas de titânio, de fuselagem... Algo manufaturado por seres humanos, e de grande porte, queimou no ar e caiu ali. Não saberemos o que até que as leis estadunidenses permitam a revelação do que de fato aconteceu no dia 11 de setembro de 2001. Que foi um “ato terrorista” não há dúvida! A questão em aberto é: quem o perpetrou?

Cabe um Boeing neste buraco? E cadê os destroços?

Local da queda do vôo 93. Cadê os destroços?

            Até “a quem serviu” aquele ato de terrorismo, ou seja, a George Bush (o pequeno) já sabemos com ampla gama de corroboração. Ainda está em vigor, mesmo depois da troca de governo e os democratas haverem assumido, o chamado “Patriotic Act” segundo o qual qualquer pessoa “suspeita de terrorismo” pode ser detida sem notificação e interrogada sem qualquer assistência jurídica pelo tempo considerado necessário. Até agentes policiais de cidades interioranas “suspeitam de terrorismo” qualquer pessoa que desejem interrogar privadamente, sem os desconfortos do cumprimento da legislação internacional ou das Convenções de Genebra, na sistematicamente descumpridas pelos EUA. Há uma quantidade tão espantosamente volumosa de decisões e vetos da ONU a atos perpetrados pelos EUA pelo mundo afora (Cuba, Vietnã, Granada, Chile, Iraque, Palestina...) que convido a quem desejar que dê uma olhada na página da ONU - http://www.un.org/  - para mais informações. Já estou sobrecarregando o demais o leitor...

Finalmente, recordo-me vivamente que, véspera da votação – apertada – entre George Bush (o pequeno, em busca de um segundo mandato) e o democrata John Kerry, dia 1 de novembro de 2004 a CIA revelou um vídeo de “Osama Bin Laden” no qual não se entende absolutamente nada (várias pessoas que entendem bem o idioma dele disseram que “ele poderia estar falando sobre culinária, petróleo ou armas, não se entende”...). Já a legenda prometia “fazer o mundo desabar sobre os infiéis estadunidenses” que, naturalmente, votaram com quem aparentemente lhes parecia mais seguro contra “mais um ataque terrorista”, inclusive ou principalmente o único discurso de Bush, o pequeno. Desde o governo Reagan, a economia estadunidense foi totalmente privatizada e as decisões econômicas relevantes para os EUA (e o mundo!) desde aquele governo (1981 – 1989) até hoje são tomadas em Wall Street, não mais na Casa Branca. Muito útil a George Bush (o pequeno), Bin Laden – real ou mitológico – foi suprimido pelos democratas.

Há um documentário muito bom sobre aqueles eventos chamado “Zero: an investigation into 9/11”, de 2008, dirigido por Franco Fracassi, Francesco Ter e Francesco Trento http://www.imdb.com/title/tt1297858/

 

 

Votar em quem “protege contra os terroristas”

 

        É um quadro que ou Bush, o pequeno, talvez tenha aprendido com as lideranças político-religiosas israelenses – ou vice-versa: instigar no povo o medo ao inimigo terrorista e garantir a força necessária a mantê-los sob controle com o cuidado evidente de eliminar ao adversário qualquer possibilidade de defesa, como se viu no massacre ao Iraque de Saddam Hussein ali pela Terceira Guerra deflagrada pelos EUA contra seu tradicional e antigo aliado contra o Irã. Em 2003 já não restava ao Iraque a menor possibilidade de defesa e só então os EUA se decidiram a tomar o país e lá estão para ficar. Importante e imponente reserva de petróleo, o complexo de embaixadas dos EUA no Iraque destruído e sendo reconstruído, com dinheiro afanado aos iraquianos, tem o dobro do tamanho da cidade do Vaticano. É simplesmente a maior representação diplomática estadunidense em território estrangeiro e a ocupação – direta num primeiro momento, indireta a seguir – do Iraque é um fato.

            Esta é a segunda vez em quatro anos que um ataque do Exército mais poderoso do Oriente Médio, da Nação que conta com a segunda maior máquina bélica do mundo e única potência nuclear do Oriente Médio, invade Gaza em ataque à população empobrecida daquele lugar para eleger um conservador (por sinal o mesmo nas duas ocasiões, Benjamin Netanyahu do Likud). Em 27 de dezembro de 2008, pouco após as eleições estadunidenses e pouco antes das eleições para o Knesset, o Parlamento de Israel, o Exército mais poderoso do Oriente Médio, com amplo apoio diplomático do já eleito Barack Obama, atacou a Faixa de Gaza, “para evitar que se lancem foguetes a partir de Gaza contra Israel” e declararam o Hamas (representação política dos palestinos que moram na Faixa de Gaza) seus principais inimigos, os “terroristas” a capturar e destruir. O sucesso do massacre (após 1.500 mortes de palestinos de todas as idades e ambos os sexos; mais de 6.000 feridos e desabrigados e cerca de 200 “terroristas” presos, enquanto Israel e todo o mundo ocidental que segue os relatórios noticiosos dos EUA/Israel, lamentavam a morte de 13 soldados israelenses durante o ataque que durou cerca de 3 meses), como se esperava e para cuja finalidade o massacre foi engendrado, Benjamin Netanyahu foi conduzido pelo voto ao posto de Primeiro Ministro de Israel a 10 de fevereiro de 2009. A 9 de Outubro de 2009 o comitê norueguês decidiu laurear Barack Obama com o Prêmio Nobel da Paz, o que me fez lembrar da grandeza de Jean-Paul Sartre em recusar o Prêmio Nobel de Literatura em 1964: entre motivos políticos de grande relevância para a época, Sartre não queria ser igualado por baixo...

            Enfim, já lá se vão 4 anos ao longo dos quais os palestinos vêm recebendo seu tratamento tradicional de manutenção em condições precárias em seus guetos ou bantustões, sujeitos a todo o tipo de barbárie a que um povo sob ocupação militar estrangeira está submetido; agora chegou a hora de, novamente, votar para o Knesset em Israel. Dia 14 de novembro de 2012, novamente, o Poderoso Exército Israelense volta a invadir uma das regiões tornadas mais miseráveis do mundo para “conter o lançamento de foguetes contra Israel” que efetivamente, num gesto desesperado, começou a acontecer mesmo poucos dias depois. Cuidado com a ordem das coisas: primeiro ocorreu a invasão de Gaza pelo Exército Israelense, DEPOIS começaram os bombardeios de Israel com os foguetes que os palestinos conseguiram agregar apesar da ocupação militar da região onde moram. Não há termos de comparação entre os estragos que o 2º Exército mais poderoso do mundo pode fazer com as armas mais sofisticadas que o engenho humano conseguiu desenvolver para matar o maior número de pessoas a menor custo e menor tempo de um lado e uns árabes esfarrapados e desesperados de outro lançando uns foguetes de fabricação artesanal e precisão menos que precária, evidentemente. Ainda não está claro até quando as forças de ocupação seguirão em sua barbárie no território palestino mas, como as eleições ocorrem a 22 de janeiro de 2013, deve acontecer algo como um “acordo de paz” – sempre assim, o poderoso determina, quando se decide a parar de massacrar, que é tempo de “falar sobre paz”, formalizam-se alguns tratados, contabilizam-se os mortos, populariza-se (em Israel, e muito) com isso e, seguramente Netanyahu será reconduzido ao posto que já ocupa.

Sobras da Campanha Eleitoral de Netanyahu

            Enquanto isso, para reforçar a propaganda estadunidense-israelense, na periferia do capitalismo se debaterá longamente o “quão bem os israelenses acossados por terroristas conseguem se defender do brutal agressor” e outras sandices similares.

            A Verdade é a primeira vítima ao longo da história da humanidade em duas circunstâncias: em guerras e campanhas eleitorais. Eu ainda considero ilógico, cruel e mesmo desnecessário que se destruam tantas favelas pelo fogo sempre que há eleições no Brasil. Não me recordo se alguma vez tive oportunidade de ouvir algo verídico ou remotamente verossímil saindo da boca de um político (brasileiro então...) e só posso imaginar o que seja viver num lugar como Gaza (como só posso imaginar o que teria sido, sendo judeu, viver num lugar como Varsóvia entre 1940 – 1945, mas será que eles não tinham nada melhor do que aprender com os alemães?). Pessoas tentando sobreviver a duras penas a condições amplamente condenadas pela comunidade internacional – a maioria das nações muçulmanas “condena” formalmente as agressões de Israel em Gaza mas, por temor à Ira do Grande Satã (como o Ímã Khomeini se referia aos EUA), ficam somente na reclamação formal e ação, ação mesmo... Nada... Os palestinos estão abandonados a si mesmos, desertados até pelas autoridades egípcias (que, por sinal, já tiveram suas forças militares derrotadas duas vezes pela coalizão Israel/EUA e não parecem dispostos a tentar novamente). A Opinião Pública do mundo ocidental está perfilada como uma coluna militar ao lado de Israel e EUA e a ONU, que já emitiu uma quantidade igualmente surpreendente de condenações e repreensões às atuações cotidianas de Israel contra os palestinos, é incapaz de passar do discurso para interromper a limpeza étnica que os Israelenses estão perpetrando contra os palestinos.

 

            O mundo unipolar e uni ideológico do século XXI enoja, causa asco, particularmente quando se sabe que esta “unificação” é de uns poucos contra a maioria, cada vez mais marginalizada. A Globalização é, de longe a pior tragédia que o ser humano foi capaz de planejar contra sua própria espécie. É um regime genocida, fratricida e, acima de tudo, suicida. E nós dentro dele. A contragosto alguns, mas dentro também... Que merda!

Lázaro Curvêlo Chaves – 26/11/2012

Atualizado a 28/06/2014

(Nota ao revisar este texto para publicação a 28/06/2014: publiquei as linhas acima há quase 2 anos depois de passar por longo período de desânimo, silêncio e sensação de isolamento – será que estou marchando sozinho na direção certa? A Sociedade se dirige de novo ao Irracionalismo e à “Destruição da Razão” (como Georg Lucáks acertadamente definiu o fascismo em seu tempo) ou  vai tudo bem mesmo e só eu estou – aqui em meu exílio – percebendo as coisas com um tantinho menos de confusão? Mais uma vez o sofrimento do povo palestino me traz de volta ao computador após novo período de desânimo. Quem vive neste início de século XXI e é um firme Objetor de Consciência a todas as formas de exploração do homem pelo homem, assim como das propagandas e mentiras bombardeadas diuturnamente e conquistando corações e mentes até das maiores vítimas desta situação passa por tais períodos. É inevitável. Nos dias que correm, quem quer que seja que ouse ainda pesquisar alguma coisa na direção da verdade na área das Ciências Sociais, aqui no Brasil e na maior parte do mundo, se encontra exonerado de sua instituição acadêmica, boicotado pelas editoras, redes de jornais e televisão, sobrevivendo a partir do exercício martirizante de alguma atividade marginal a seu campo de interesse na pesquisa científica. E isso é difícil. Muito difícil.)

Para Saber um Pouco mais sobre o Império Ianque recomendo

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Of the 1%, by the 1%, for the 1% - Joseph E. Stiglitz

Vozes contra a Globalizacão - um outro mundo é possível

 

Imagens do Telescópio Espacial Hubble fazem refletir acerca do relativismo da propriedade privada dos primatas evoluídos do Terceiro Planeta do Sistema Solar

 

Enfim, se o seu inglês está mais ou menos em dia, recomendo enfaticamente:

Além deste:

Peace, Propaganda & the Promised Land - 2004 - Sut Jhally, Bathsheba Ratzkoff - http://www.imdb.com/title/tt0428959/ Occupation 101 - Voices of the Silenced Majority - 2006 - Abdallah Omeish, Sufyan Omeish - http://www.imdb.com/title/tt0807956/ American Radical: The Trials of Norman Finkelstein - 2009 - David Ridgen, Nicolas Rossier - http://www.imdb.com/title/tt1475191/
 

 

 

Aos que virão depois de nós – Bertolt Brecht

 

I

 

Eu vivo em tempos sombrios.

Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,

uma testa sem rugas é sinal de indiferença.

Aquele que ainda ri é porque ainda não

recebeu a terrível notícia.

 

Que tempos são esses, quando

falar sobre flores é quase um crime.

Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?

Aquele que cruza tranqüilamente a rua

já está então inacessível aos amigos

que se encontram necessitados?

 

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.

Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço

Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.

Por acaso estou sendo poupado.

(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

 

Dizem-me: come e bebe!

Fica feliz por teres o que tens!

Mas como é que posso comer e beber,

se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?

se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?

Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

 

 

Eu queria ser um sábio. 

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:

Manter-se afastado dos problemas do mundo

e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;

Seguir seu caminho sem violência,

pagar o mal com o bem,

não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.

Sabedoria é isso!

Mas eu não consigo agir assim.

É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

 

II

 

Eu vim para a cidade no tempo da desordem, quando a fome reinava.

Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta

e me revoltei ao lado deles.

Assim se passou o tempo que me foi dado viver sobre a terra.

Eu comi o meu pão no meio das batalhas,

deitei-me entre os assassinos para dormir,

Fiz amor sem muita atenção

e não tive paciência com a natureza.

Assim se passou o tempo

que me foi dado viver sobre a terra.

 

III

 

Vocês, que vão emergir das ondas em que nós perecemos, pensem,

quando falarem das nossas fraquezas, nos tempos sombrios

de que vocês tiveram a sorte de escapar. 

Nós existíamos através da luta de classes,

mudando mais seguidamente de países que de

sapatos, desesperados!

quando só havia injustiça e não havia revolta.

 

Nós sabemos:

o ódio contra a baixeza também endurece os rostos!

A cólera contra a injustiça faz a voz ficar rouca!

Infelizmente, nós, que queríamos preparar o caminho para a amizade,

não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.

Mas vocês, quando chegar o tempo

em que o homem seja amigo do homem,

pensem em nós

com um pouco de compreensão.

Mais poemas de Brecht em http://www.culturabrasil.org/brechtantologia.htm

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