Crítica · Análises e Críticas

7 diretores de cinema brasileiro para conhecer agora

ResumoO cinema brasileiro contemporâneo apresenta diversidade regional e estilística. Diretores como Kleber Mendonça Filho (Pernambuco), Gabriel Mascaro (Pernambuco), e Júlia Murat (Rio de Janeiro) exploram narrativas autorais. Outros nomes incluem Marco Dutra (São Paulo), Fellipe Barbosa (Rio de Janeiro), e os gaúchos Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo. Obras dialogam com questões sociais e identitárias brasileiras.

O cinema brasileiro vai além do eixo Rio-SP. Esta lista reúne 7 diretores que representam a diversidade regional e estilística do país, de Pernambuco ao Rio Grande do Sul, com obras que dialogam com a produção nacional contemporânea.

Rafael Albuquerque Tordesilhas
Rafael Albuquerque Tordesilhas Crítico de Cinema Nacional · 30 de junho de 2026
7 diretores de cinema brasileiro para conhecer agora
9.0/10
VereditoO cinema brasileiro vai além do eixo Rio-SP. Esta lista reúne 7 diretores que representam a diversidade regional e estilística do país, de Pernambuco ao Rio Grande do Sul, com obras que dialogam com a produção nacional contemporânea.

O cinema brasileiro não se resume a um único centro. De Recife a Brasília, passando por São Paulo e Porto Alegre, uma geração de diretores vem construindo obras que dialogam com a tradição e ao mesmo tempo expandem os limites da linguagem. Esta lista reúne 7 nomes essenciais para quem quer entender a produção nacional contemporânea. Conhecer diretores de cinema brasileiro é mergulhar em uma produção rica e diversa. Nomes como Kleber Mendonça Filho, Anna Muylaert, Gabriel Mascaro, Marco Dutra, Juliana Rojas, Affonso Uchôa e Adirley Queirós representam diferentes regiões e estéticas, com filmes que circulam em festivais nacionais e internacionais.

1. Kleber Mendonça Filho

Pernambucano de Recife, Kleber Mendonça Filho é um dos diretores brasileiros mais reconhecidos internacionalmente na atualidade. Seu longa "O Som ao Redor" (2012) estabeleceu uma nova forma de filmar a classe média recifense, misturando tensão social e observação cotidiana. "Aquarius" (2016) e "Bacurau" (2019, codirigido com Juliano Dornelles) consolidaram sua reputação, com este último vencendo o Prêmio do Júri em Cannes. Seus filmes são marcados por uma crítica social sutil e uma mise-en-scène precisa.

2. Anna Muylaert

Paulistana, Anna Muylaert começou como roteirista de televisão antes de se destacar no cinema. Seu filme "Que Horas Ela Volta?" (2015) foi um fenômeno de público e crítica, abordando as relações de classe e trabalho doméstico no Brasil. A obra rendeu a Regina Casé o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Sundance. Muylaert tem um olhar agudo para as dinâmicas familiares e sociais, sempre com humor e sensibilidade.

3. Gabriel Mascaro

Também pernambucano, Gabriel Mascaro transita entre documentário e ficção com obras que investigam o corpo e o trabalho no capitalismo contemporâneo. "Ventos de Agosto" (2014) e "Boi Neon" (2015) chamaram atenção por seu visual poético e narrativa não convencional. "Divino Amor" (2019) levou sua estética para um futuro distópico, mostrando versatilidade. Mascaro é um dos diretores mais experimentais da nova geração.

4. Marco Dutra

Paulista, Marco Dutra constrói filmes de gênero com forte lastro social. Em parceria com Juliana Rojas, dirigiu "Trabalhar Cansa" (2011), um drama de horror sobre a vida urbana. Sozinho, fez "O Silêncio do Céu" (2016) e "Todos os Mortos" (2020, codirigido com Caetano Gotardo). Dutra usa o suspense e o fantástico para falar de violência e luto, sem perder o controle da narrativa.

5. Juliana Rojas

Codiretora de "Trabalhar Cansa" e "Sinfonia da Necrópole" (2014), Juliana Rojas é uma das vozes femininas mais consistentes do cinema brasileiro recente. Seus curtas, como "O Duplo" (2012), já circulavam em festivais. Em 2022, lançou "As Miçangas", uma ficção científica ambientada no interior de São Paulo. Rojas combina precisão formal com temas como trabalho, morte e memória, sempre com um toque de estranhamento.

6. Affonso Uchôa

Mineiro radicado em São Paulo, Affonso Uchôa ganhou destaque com "Arábia" (2017), codirigido com João Dumans. O filme, que acompanha um operário em viagem, foi eleito o melhor do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Uchôa trabalha com atores não profissionais e uma câmera que observa sem julgar, criando um cinema de forte empatia social. Seu trabalho dialoga com a tradição documental brasileira.

7. Adirley Queirós

Brasiliense, Adirley Queirós é um dos diretores mais originais do cinema brasileiro contemporâneo. Seu filme "Branco Sai, Preto Fica" (2014) mistura ficção científica, documentário e crítica racial, revisitando a violência contra negros em Brasília. "Era Uma Vez Brasília" (2017) segue a mesma linha. Queirós constrói um cinema político e ousado, que questiona a história oficial e as narrativas de poder.

Como escolher por onde começar?

Se você prefere narrativas realistas e sensíveis, comece por Kleber Mendonça Filho ou Affonso Uchôa. Se o interesse é por experimentação visual e gênero, Gabriel Mascaro e Marco Dutra são boas portas de entrada. Para quem busca um cinema político e inventivo, Adirley Queirós é essencial. O importante é explorar as diferenças regionais e estilísticas que cada um oferece, bom filme não tem CEP.

FAQ

Quem é considerado o maior diretor de cinema brasileiro?

Não há consenso, mas nomes como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e, na atualidade, Kleber Mendonça Filho são frequentemente citados. Cada um representa uma fase e uma estética distinta do cinema nacional.

Quais diretores brasileiros ganharam prêmios internacionais?

Kleber Mendonça Filho venceu o Prêmio do Júri em Cannes com "Bacurau". Anna Muylaert ganhou em Sundance com "Que Horas Ela Volta?". Gabriel Mascaro teve filmes selecionados para Veneza e Roterdã.

O cinema brasileiro tem diretoras mulheres em destaque?

Sim. Anna Muylaert e Juliana Rojas são exemplos. Também se destacam Petra Costa, com documentários como "Democracia em Vertigem", e Laís Bodanzky, com obras como "Bicho de Sete Cabeças".

Qual a importância do cinema regional brasileiro?

O cinema regional traz outras perspectivas estéticas e narrativas, fora do eixo Rio-SP. Diretores como Adirley Queirós (Brasília) e Kleber Mendonça Filho (Recife) mostram que o país tem múltiplos centros criativos.

Como encontrar filmes desses diretores?

A maioria está disponível em plataformas de streaming como Netflix, Amazon Prime Video, MUBI e no catálogo do Itaú Cultural Play. Festivais como a Mostra de Cinema de Tiradentes e o Festival de Brasília também exibem esses filmes.

Quais são os diretores brasileiros mais promissores da nova geração?

Além dos citados, nomes como Fábio Meira, com "Cidade; Campo", e a dupla Iuli Gerbase e Tavinho Teixeira, com "A Metade de Nós", vêm ganhando destaque em festivais recentes.

Leia também

Publicidade