# Festival Latinidades promove vivências sobre saúde das mulheres negras

> O Festival Latinidades, maior evento de mulheres negras da América Latina, promove vivências sobre saúde física e mental em sua edição de 2025. A programação inclui rodas de conversa, atendimentos e ações afirmativas voltadas ao bem-estar integral da população negra feminina.

*Cultura Brasil · Análises e Críticas · 01 de julho de 2026 · Núbia Carvalho Estrela*

O Festival Latinidades, maior evento de mulheres negras da América Latina, promove vivências sobre saúde física e mental. A edição de 2025 traz rodas de conversa, atendimentos e ações afirmativas que colocam o bem-estar no centro do debate.

## Festival Latinidades promove vivências sobre saúde das mulheres negras

O Festival Latinidades, maior festival de mulheres negras da América Latina, promove vivências sobre saúde das mulheres negras com rodas de conversa, atendimentos gratuitos e ações afirmativas. Em 2025, a programação incluiu oficinas de autocuidado, debates sobre saúde mental e serviços como aferição de pressão e testes rápidos, sempre com foco nas especificidades da população negra.

## Como o festival aborda a saúde das mulheres negras

Eu participo do Latinidades desde 2018, e a cada edição vejo a saúde ganhar mais espaço. Não é só palestra: são vivências. Em 2025, por exemplo, teve roda de capoeira para mulheres grávidas e ioga ao ar livre. A ideia é que o cuidado com o corpo e a mente seja uma experiência coletiva, não uma prescrição médica.

O evento também oferece atendimentos práticos. Parcerias com o SUS e organizações locais garantem aferição de pressão arterial, teste de glicemia e orientação sobre ISTs. Tudo gratuito, sem necessidade de agendamento.

## Saúde mental em foco: rodas de conversa e acolhimento

Uma das novidades de 2025 foi a Roda de Cura, espaço de acolhimento psicológico coordenado por terapeutas negras. A demanda é grande: segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, mulheres negras têm 40% mais chances de desenvolver transtornos de ansiedade do que mulheres brancas. No festival, elas encontram escuta qualificada e sem julgamento.

Outra atividade que me marcou foi a oficina de escrita terapêutica, conduzida pela escritora e ativista Cidinha da Silva. Ela propôs exercícios de memória e afeto, mostrando como a palavra pode ser ferramenta de cura.

## Ações afirmativas e acesso a direitos

O Latinidades não trata a saúde só como ausência de doença. Em 2025, o evento montou um mutirão de emissão de documentos, já que muitas mulheres negras não têm certidão de nascimento ou RG, o que dificulta o acesso a serviços de saúde. Foram emitidos mais de 200 documentos em dois dias.

Além disso, o festival oferece orientação sobre direitos previdenciários e trabalhistas. Mulheres negras são a maioria dos trabalhadores informais no Brasil, segundo o IBGE, e muitas desconhecem benefícios como auxílio-doença ou salário-maternidade.

## A voz de quem faz: coletivos e lideranças

O protagonismo é de quem vive a quebrada. O Coletivo de Mulheres Negras do Distrito Federal organizou uma roda sobre saúde reprodutiva, com foco em miomas e endometriose, condições que afetam desproporcionalmente mulheres negras. A médica ginecologista Dra. Ana Lúcia, que participou da roda, explicou que o diagnóstico tardio é comum porque os sintomas são normalizados.

Outro coletivo que marcou presença foi o Afoxé Filhos de Gandhy, que promoveu uma vivência de meditação guiada com tambores. A música como cura: não é novidade, mas no festival ganha força política.

## Programação e como participar

O Festival Latinidades acontece anualmente em Brasília, mas também tem atividades online. Para 2025, a programação completa está no site oficial. As inscrições para as vivências são gratuitas, mas as vagas são limitadas. Recomendo chegar cedo, especialmente para as rodas de conversa, que lotam.

Se você não puder ir presencialmente, o festival transmite algumas atividades ao vivo pelo YouTube. A edição de 2024 teve mais de 50 mil visualizações nas lives.

## Dados que mostram a importância do evento

O Latinidades começou em 2008 como um pequeno encontro de mulheres negras e hoje reúne mais de 20 mil participantes por edição. O crescimento reflete a necessidade de espaços que tratem a saúde de forma interseccional. Dados do Ministério da Saúde mostram que a mortalidade materna entre mulheres negras é três vezes maior do que entre brancas. Eventos como o Latinidades ajudam a reverter esse quadro com informação e acolhimento.

Para quem quer se aprofundar, saúde da mulher negra no SUS e coletivos de mulheres negras no Brasil são temas que valem a leitura.

## Perguntas Frequentes

### O Festival Latinidades é gratuito?

Sim, todas as atividades são gratuitas, incluindo atendimentos de saúde e oficinas.

### Preciso me inscrever para participar das vivências sobre saúde?

Algumas vivências exigem inscrição prévia, mas a maioria é por ordem de chegada. Consulte a programação oficial.

### O festival oferece atendimento médico?

Sim, o evento conta com parcerias do SUS e organizações locais para aferição de pressão, testes rápidos e orientação sobre saúde sexual e reprodutiva.

### Posso participar online?

Sim, parte da programação é transmitida ao vivo pelo YouTube do festival.

### Quem organiza o Latinidades?

O festival é organizado pelo Instituto Afrolatinas, em parceria com coletivos de mulheres negras e órgãos públicos.

### A saúde mental é abordada no evento?

Sim, com rodas de conversa, acolhimento psicológico e oficinas de autocuidado, sempre conduzidas por profissionais negras.

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Fonte (canonical): https://culturabrasil.pro.br/analises-e-criticas/festival-latinidades-promove-vivencias-sobre-saude-mulheres-negras/
