Livro com textos de Pierre Verger é lançado em SP
O livro Iorubahia, que reúne textos de Pierre Verger, será lançado nesta quarta-feira (16) em São Paulo. A obra é uma parceria do Instituto Çarê com a Fundação Pierre Verger e traz 12 ensaios do autor, 4 deles inéditos, escritos entre 1958 e 1972, período em que ele viveu entre Salvador e a Nigéria.
A entrada é gratuita, com retirada de ingressos 1 hora antes do evento.
Eu, que já passei horas folheando catálogos de exposição em feira de livro, sei que a notícia de um lançamento assim costuma chegar primeiro pelo cheiro do papel novo. Mas o que interessa aqui é outro detalhe: a coletânea foi organizada em 3 eixos, os aspectos históricos das relações transatlânticas, a religião Iorubá e a cultura, conhecimento e oralidade Iorubá.
A organizadora da obra e coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger, Ângela Lühning, explica que a coletânea se propõe a trazer também um outro olhar sobre Verger.
"Um Verger múltiplo, que vai além de uma categoria única do Verger, apenas fotógrafo ou apenas escritor voltado para temáticas históricas, o Verger, supostamente, apenas dedicado a estudos sobre o Candomblé e religião afro-brasileira de influência Iorubá. O Verger que dialoga com tudo isso e um pouco mais, de uma forma talvez um pouco surpreendente em vários textos", explicou.
Pierre Fatumbi Verger nasceu em Paris em 1902 e iniciou sua trajetória profissional como fotógrafo viajante. Em 1946 se mudou para Salvador, cidade que nunca deixou de fazer parte de sua vida até sua morte em 1996. Especializou-se na fotografia documental e de campo nas áreas de antropologia, história, conhecimentos orais e botânica. Também foi um grande estudioso da cultura.
No Brasil, ele é mais conhecido como fotógrafo. Mas também foi um grande estudioso sobre as relações entre o Brasil, especialmente a Bahia, e a África Ocidental, a diáspora africana, a religião dos orixás e as tradições orais da cultura Iorubá.
Quem for ao lançamento amanhã pode esperar uma cena comum a esse tipo de evento: fila na porta, gente folheando o índice de pé, alguém anotando um trecho no celular. O que muda, aqui, é o que está entre as páginas. cultura afro-brasileira
Para quem pesquisa cultura iorubá, o livro funciona como uma porta de entrada para textos que circularam pouco. Para quem só conhece as fotos, é uma chance de ver o outro lado do mesmo autor, o lado que escrevia. Fundação Pierre Verger