Crítica · Análises e Críticas

Luto no cinema brasileiro: morre Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos

ResumoLuiz Carlos Barreto, cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor, morreu aos 98 anos. Com mais de seis décadas de carreira, Luiz Carlos Barreto participou da construção do Cinema Novo e produziu mais de cem obras. A morte do profissional representa uma perda significativa para o cinema brasileiro.

O cinema brasileiro perdeu um de seus maiores protagonistas. Morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto. Com mais de seis décadas de carreira, participou da construção do Cinema Novo e assinou mais de cem produçõe

Núbia Carvalho Estrela
Núbia Carvalho Estrela Editora de Cultura Periférica · 22 de julho de 2026
Luto no cinema brasileiro: morre Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos
9.0/10
VereditoO cinema brasileiro perdeu um de seus maiores protagonistas. Morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto. Com mais de seis décadas de carreira, participou da construção do Cinema Novo e assinou mais de cem produçõe

O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus maiores protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão. Sua trajetória, que se estende por mais de seis décadas, está diretamente ligada à construção do Cinema Novo e à consolidação da indústria cinematográfica nacional. Ele assinou mais de uma centena de produções que marcaram gerações.

Barreto estava internado desde segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, para tratar uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia. O velório ocorre nesta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo, e a cremação será realizada no Memorial do Caju.

A trajetória de um dos maiores produtores do Brasil

Ao lado da esposa, Lucy Barreto, com quem estava casado desde 1954, formou o casal mais longevo e influente da produção cinematográfica brasileira. Juntos, fundaram a LC Barreto, produtora que completa 63 anos de existência. A empresa se tornou referência na realização de filmes que projetaram o cinema nacional dentro e fora do país. A produtora produziu clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro? - os dois últimos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

A história da família Barreto se confunde com a própria história do cinema brasileiro. Os três filhos do casal, Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto, seguiram carreira no audiovisual e assumiram papéis importantes na produtora. A paixão pelo cinema nasceu ainda dentro de casa, onde foi instalada uma das primeiras moviolas do país. Ali foram montados filmes fundamentais do Cinema Novo, entre eles Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Os Fuzis, de Ruy Guerra. A trajetória familiar também foi marcada pela tragédia: em 2009, o diretor Fábio Barreto sofreu um grave acidente de carro que o deixou em coma por dez anos, até sua morte, em 2019.

A construção de uma identidade visual

Muito antes de se tornar um dos maiores produtores do Brasil, Luiz Carlos Barreto construiu carreira como fotojornalista da revista O Cruzeiro, onde trabalhou como repórter fotográfico e correspondente na Europa. Cobriu acontecimentos históricos e fotografou personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe. fotojornalismo brasileiro

O primeiro contato com uma produção cinematográfica ocorreu ainda na infância, quando acompanhou a passagem de Orson Welles pelo Ceará, durante as filmagens de um documentário sobre os jangadeiros. Mais tarde, um encontro com Glauber Rocha, durante as filmagens de Barravento, mudaria definitivamente seu destino, aproximando-o do Cinema Novo.

Como diretor de fotografia, Barretão ajudou a construir a identidade visual de duas obras-primas: Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967). Depois, como produtor, tornou-se um dos principais articuladores do audiovisual brasileiro, ampliando a capacidade de produção nacional e levando filmes brasileiros aos maiores festivais do mundo.

O legado da LC Barreto

Em outubro de 2023, aos 95 anos, Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto participaram do programa Cine Resenha, da TV Brasil, em uma edição especial dedicada à trajetória da LC Barreto. Durante a entrevista, o casal relembrou o início da carreira, o período em que o jornalismo antecedeu o cinema, as histórias da família e a construção da produtora que se transformou em uma das mais importantes da América Latina. O especial também homenageou a filmografia da empresa e destacou a contribuição do casal para o desenvolvimento do cinema nacional.

A morte de Barretão provocou manifestações de pesar entre produtores, diretores e representantes do setor audiovisual. Em entrevista à Agência Brasil, amigos do cinema se pronunciaram. O diretor Cavi Borges, fundador da Cavideo, destacou a importância do cineasta para diferentes gerações: "O Barretão era uma grande inspiração. Não era apenas o produtor que conseguia viabilizar financeiramente os filmes; ele também pensava o cinema. Como fotógrafo, participou de obras-primas como Vidas Secas e Terra em Transe. Depois, como produtor da LC Barreto, ajudou a construir o Cinema Novo. Era um homem humilde, divertido, com uma memória impressionante."

A produtora de cinema e presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual do Rio de Janeiro, Glaucia Camargos, afirmou que Barreto foi um dos maiores defensores da cultura nacional: "Luiz Carlos faz parte daquele grupo de brasileiros que pensava o país acima de tudo. Nacionalista convicto, foi um homem único. O cinema perde seu Apóstolo-Mor." sindicato audiovisual RJ

O produtor Nilson Rodrigues, amigo de longa data do cineasta, também lamentou a perda: "O Brasil e o cinema brasileiro devem muito ao Luiz Carlos Barreto. Eu perdi um amigo, um mestre. Ele dizia que um país sem cinema é como uma casa sem espelho." A cineasta Carla Camurati disse que Barreto foi o "grande guerreiro, o melhor, o grande soldado do cinema brasileiro".

A nota oficial do Ministério da Cultura

Em nota oficial, o Ministério da Cultura destacou que Luiz Carlos Barreto foi "um dos mais importantes nomes da história do cinema brasileiro", ressaltando sua atuação como fotógrafo, jornalista, produtor e um dos protagonistas do Cinema Novo. A pasta também lembrou que, ao lado de Lucy Barreto, ajudou a projetar internacionalmente o cinema brasileiro e consolidou uma indústria cultural reconhecida mundialmente.

A morte de Luiz Carlos Barreto encerra uma das mais importantes trajetórias da cultura brasileira, mas deixa um legado permanente. Ao lado de Lucy, transformou a produção cinematográfica nacional, revelou talentos, fortaleceu a indústria audiovisual e ajudou a contar, por meio do cinema, a história do Brasil para o mundo.

Perguntas Frequentes

Quem foi Luiz Carlos Barreto?

Luiz Carlos Barreto foi um cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor brasileiro. Foi um dos protagonistas do Cinema Novo e fundador da produtora LC Barreto.

Quantos filmes Luiz Carlos Barreto produziu?

Ele assinou mais de uma centena de produções ao longo de mais de seis décadas de carreira.

Quais filmes da LC Barreto foram indicados ao Oscar?

O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro? foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

Como Luiz Carlos Barreto morreu?

Ele estava internado desde segunda-feira (20) para tratar uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.

Qual a importância de Luiz Carlos Barreto para o cinema brasileiro?

Ele participou da construção do Cinema Novo, dirigiu a fotografia de clássicos como Vidas Secas e Terra em Transe, e fundou a produtora que projetou o cinema nacional internacionalmente.

Leia também

Publicidade