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Mestres da cultura popular evocam tradição e encanto a novos públicos

Mestres da cultura popular evocam tradição e encanto a novos públicos neste sábado (29), às 20h, no Conic, em Brasília, com entrada gratuita. O Encontro de Mestres, que começou na quinta-feira (27), reúne artistas de 11 estados e do Distrito Federal, segundo o curador Anderson Formiga. A programação inclui apresentações e oficinas, com o objetivo de formar novos públicos e ir na contramão de preconceitos.

Entre os destaques, a rainha Francisca Dias, de 65 anos, conhecida como Rainha Ginga Preta, sobe ao palco com 19 músicos do quilombo do Morro Alto, no Rio Grande do Sul. O maçambique é uma congada gaúcha de matriz africana bantu, mantida desde o século 19. "São as mesmas roupas e músicas desde sempre", diz. A comunidade produz tudo, incluindo instrumentos como tambores e a maçacaia, um cestinho de taquara com sementes de caetés.

A tradição, arte, fé e memória encantam a comunidade, com artistas de crianças a idosos. A fé católica enaltece a imagem de Nossa Senhora do Rosário, e a bandeira é considerada sagrada. A rainha destaca que a arte ensina contra preconceitos, incluindo o racismo. "A gente prepara também as nossas crianças para se defenderem com palavras", afirma. Para ela, apresentar a tradição na capital é um sonho, apesar de existir quem estranhe a presença de pessoas negras no Rio Grande do Sul.

O curador Anderson Formiga explica que o evento tenta formar um mosaico de cultura popular, com raízes negras, europeias e indígenas. Ele acredita que o jovem precisa ser encantado, e que artistas mais velhos têm feito herdeiros dispostos a honrar tradições. Na comunidade gaúcha, a regra é respeitar as tradições: "Quando eles estão na congada, ninguém nem pensa em pegar o celular", diz a rainha.

O mestre maranhense Tião Carvalho, de 71 anos, também participa. Professor na educação básica, fundou o grupo Cupuaçu e mistura ritmos como samba, coco, bumba-meu-boi, forró e baião. Ele defende mais valorização da cultura tradicional e políticas públicas que garantam espaço. "Se você mostrar a cultura para o jovem, ele vai gostar", considera.

O maçambique de Osório celebra neste ano em 24 de setembro, em vez de 7 de outubro, por causa das eleições. O quilombo conta com 1.750 famílias. A rainha Francisca Dias honra a mãe, Severina Dias, última rainha, que morreu em 7 de outubro de 2016, dia de Rosário, e pediu que a filha mantivesse viva a tradição.

Núbia Carvalho Estrela
Editora de Cultura Periférica
Cobre a produção cultural das quebradas, do sarau ao rap, com voz de dentro.
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