# Bodansky revisita carreira em novo documentário

> Bodansky, cineasta, revisita a carreira em novo documentário que reencontra os indígenas Paiter Suruí filmados por acaso em 1973. O filme documenta a transformação da Amazônia ao longo de cinco décadas, contrastando as imagens originais com a realidade atual. A obra destaca mudanças sociais, ambientais e culturais na região, oferecendo um registro histórico e contemporâneo do impacto do tempo sobre o território e seus habitantes.

*Cultura Brasil · Análises e Críticas · 31 de julho de 2026 · Rafael Albuquerque Tordesilhas*

Em novo documentário, Bodansky revisita carreira e destaca mudanças. Cineasta reencontra indígenas Paiter Suruí filmados por acaso em 1973 e documenta a transformação da Amazônia.

## Em novo documentário, Bodansky revisita carreira e destaca mudanças

Jorge Bodansky revisita a própria carreira em 'Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodansky', documentário exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito CineSur, festival que ocorre até sábado (1°/8) em Bonito (MT). O ponto de partida é um registro feito por acaso em 1973, quando o cineasta, então cinegrafista de uma TV alemã, sobrevoou Aripuanã (MT) para documentar a criação da Cidade Laboratório de Humboldt, projeto da ditadura militar desativado em 1978.

## O reencontro com os Paiter Suruí

Durante o voo, com uma câmera Super-8, Bodansky filmou um grupo de indígenas Paiter Suruí isolados, sem contato anterior, que tentava flechar o avião. As imagens não foram enviadas à TV alemã e ficaram esquecidas até serem digitalizadas recentemente. Ao revê-las, o cineasta se perguntou: "Quem são esses indígenas?"

A partir daí, ele decidiu revisitar o local das filmagens para descobrir a identidade daqueles indígenas e documentar como a região mudou em cinco décadas. O processo virou um filme autobiográfico: "No decorrer desse processo de pesquisar imagens eu acabei contando a minha história também", disse.

## A inquietude que permanece

Bodansky afirma que sua forma de fazer cinema pouco mudou. O título do filme reflete isso: "Meu olhar continua inquieto. Eu sempre olho e procuro as coisas. Minha forma de me posicionar diante da imagem do cinema continua a mesma. Eu continuo fazendo esse tipo de cinema de aventura, de observação e preocupado com a questão social."

## O que mudou na Amazônia

Se o olhar do cineasta permaneceu, o mesmo não vale para os Paiter Suruí e para a paisagem. Muitos daqueles indígenas morreram por doenças ou violências após o contato. O projeto Humboldt estava em ruínas. A floresta que aparecia no sobrevoo deu lugar à soja: "Quando eu estive lá, era floresta até o horizonte. Hoje é soja até o horizonte."

A câmera de Bodansky mostra que a exploração da Amazônia iniciada na ditadura militar segue atual. "Essa é uma forma de ocupação que começou na ditadura militar e que não mudou até agora", ressaltou. Para ele, a lógica permanece a mesma independentemente do governo: partir do princípio de que "não existe nada lá" e ocupar para produzir, ignorando que "lá tem gente e que sabe o que quer, e que luta por isso".

## A saída pela organização social

Bodansky vê a solução na mobilização da sociedade civil. "Hoje você vai a qualquer comunidade quilombola, ribeirinha ou indígena e eles estão organizados, têm representatividade, sabem o que querem."

## O que o documentário aporta ao cinema nacional

O filme de Bodansky se insere numa cena que discute o território e a memória. A produção, gestada a partir de arquivo pessoal, dialoga com outras obras que revisam a história recente do país pelo viés regional. Sem bairrismo, o documentário conecta a experiência individual do cineasta à questão coletiva da ocupação da Amazônia.

## Perguntas Frequentes

### Onde o documentário de Bodansky foi exibido?

O filme foi exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito CineSur, festival de cinema que ocorre até sábado (1°/8) na cidade de Bonito (MT). cinema brasileiro em festivais

### O que é a Cidade Laboratório de Humboldt?

Foi um projeto científico e tecnológico idealizado pela ditadura militar brasileira para ocupar a Amazônia, criado nos arredores de Aripuanã (MT) e desativado em 1978. ditadura militar e projetos na Amazônia

### Quem são os indígenas que aparecem no sobrevoo?

São indígenas Paiter Suruí isolados, que nunca haviam sido contatados, filmados por acaso por Bodansky em 1973 tentando flechar o avião. povos indígenas isolados no Brasil

### Como Bodansky descreve sua forma de fazer cinema?

Ele diz que seu olhar continua inquieto, fazendo um cinema de aventura, observação e preocupado com a questão social, como sempre fez.

### Qual a principal mudança apontada pelo cineasta na região?

A floresta que existia até o horizonte deu lugar à soja, e a exploração da Amazônia iniciada na ditadura militar permanece como problema atual. desmatamento e expansão do agronegócio

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Fonte (canonical): https://culturabrasil.pro.br/analises-e-criticas/novo-documentario-bodansky-revisita-carreira-destaca-mudancas/
