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Celular impulsiona leitura digital no Brasil, diz pesquisa

ResumoPesquisa Nielsen BookData revela que o smartphone é o principal dispositivo de leitura digital no Brasil, utilizado por 72% dos leitores de e-books e audiolivros. O levantamento traça o perfil e os hábitos desse público, indicando a consolidação do celular como ferramenta central para o consumo de conteúdo literário digital no país.

Celular é o principal dispositivo de leitura digital no Brasil: 72% dos leitores de e-books e audiolivros usam smartphone. Pesquisa Nielsen BookData traça o perfil e os hábitos desse público.

Rafael Albuquerque Tordesilhas
Rafael Albuquerque Tordesilhas Crítico de Cinema Nacional · 02 de setembro de 2026
Celular impulsiona leitura digital no Brasil, diz pesquisa
9.1/10
VereditoCelular é o principal dispositivo de leitura digital no Brasil: 72% dos leitores de e-books e audiolivros usam smartphone. Pesquisa Nielsen BookData traça o perfil e os hábitos desse público.

O celular se consolidou como a principal porta de entrada para a leitura digital no Brasil. Pesquisa Nielsen BookData, divulgada nesta quarta-feira (2), mostra que 72% dos leitores de e-books ou audiolivros usam smartphone, e 85% dos que leem outros textos digitais, como notícias e artigos, também preferem a tela do telefone. O levantamento ouviu 3 mil pessoas de todas as classes e regiões entre 1º e 11 de junho.

O Brasil tem cerca de 94 milhões de leitores digitais, pessoas que nos últimos 12 meses usaram celular, notebook ou leitor específico para acessar notícias, livros, audiolivros, PDFs e quadrinhos. O perfil predominante é de jovens adultos (18 a 44 anos), com 56% de presença feminina. Metade se declara branca; pardos somam 37% e pretos, 11%. Seis em cada dez leitores de livros digitais citam a facilidade de acesso como motivo principal, e 48% valorizam carregar vários títulos em um só aparelho.

O caso de Maria das Neves de Araújo Alves, 60 anos, técnica de enfermagem e cuidadora, ilustra essa realidade. Moradora de Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, ela passa ao menos três horas diárias em ônibus entre casa e trabalho, em Brasília. "Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo e posso ler no ônibus, no posto de saúde, em quase todo lugar", contou à Agência Brasil. Nevinha, como é conhecida, lê romances e livros de ação há pelo menos quatro anos e escolhe os títulos na própria plataforma gratuita, que dispensa downloads e economiza dados móveis.

A pesquisa também revela um retrato social da leitura digital: 64% dos leitores pertencem às classes C (46%), D e E (18%), enquanto 29% são da classe B e 7% da A. O acesso gratuito é relevante: 48,8% obtiveram livros e audiolivros em sites ou aplicativos não oficiais, e 46,4% usaram plataformas institucionais, como o MEC Livros, do Ministério da Educação. Para Rodrigo Meinberg, executivo-chefe da Skeelo, que ajudou a viabilizar a pesquisa, as telas viraram aliadas na formação de leitores. Ele cita o IBGE: em 2018, apenas 18% dos municípios brasileiros tinham livraria, enquanto a rede móvel chega onde as livrarias não chegam.

Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, vê a tecnologia como canal para romper barreiras físicas. "A tecnologia nos permite transformar as telas digitais de inimigas em aliadas deste processo", disse. Para ele, falta superar a alfabetização funcional e formar leitores habituais, e a plataforma MEC Livros, com mais de 1,1 milhão de usuários e 750 mil downloads em menos de seis meses, é um exemplo prático desse potencial.

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