Crítica · Bastidores

Coletânea reúne poetas invisibilizadas ao longo de quatro séculos

A coletânea 'Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras' reúne autoras que, além de escrever, lutaram por reconhecimento e direitos ao longo da história. Conheça suas trajetórias e contribuições.

Anselmo Tavares Rebouças
Anselmo Tavares Rebouças Crítico de Artes Visuais e Design · 27 de julho de 2026
Coletânea reúne poetas invisibilizadas ao longo de quatro séculos
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VereditoA coletânea 'Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras' reúne autoras que, além de escrever, lutaram por reconhecimento e direitos ao longo da história. Conheça suas trajetórias e contribuições.

Coletânea reúne poetas invisibilizadas ao longo de quatro séculos

A coletânea 'Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras', de Ana Rüsche e Lubi Prates, traz à tona a produção literária de autoras que, além de escrever, enfrentaram desafios significativos para serem reconhecidas na história da literatura brasileira. Esta obra destaca nomes como Martha de Hollanda (1903-1950), Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962), e Beatriz Nascimento (1942-1995), refletindo a luta constante dessas mulheres.

A autora Ana Rüsche, que é professora de teoria literária na Universidade de Brasília (UnB), afirma que "só escrever nunca é uma opção" para essas poetas. Elas frequentemente se dedicam à organização de lutas políticas e à crítica literária, atuando em múltiplas frentes. Em uma entrevista à Agência Brasil, Rüsche enfatiza a importância de resgatar e organizar as obras dessas autoras que estiveram apagadas da história.

A coletânea apresenta poemas e perfis das autoras, além de discutir suas trajetórias pouco conhecidas. O livro traça um panorama da poesia feminina brasileira, abordando desde o século 18 até as primeiras décadas do século 21, e propõe novas referências para o estudo da literatura. As autoras vivenciaram momentos cruciais na história do Brasil, como a luta pela independência e o movimento pelo voto feminino, além de contribuírem para a imprensa feminista.

Ana Rüsche participou de uma roda de conversa na Casa Sete Selos + Gama, Megafauna e Supersônica, que teve como tema seu livro, durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A mesa contou também com a presença de Claudia Roquette Pinto, Esmeralda Ribeiro, Maria Manoella e Marília Kubota. Neste ano, a Flip homenageia a poeta Orides Fontela (1940-1998), que também enfrentou invisibilidade em sua obra.

Durante a entrevista, Rüsche destacou que um dos principais méritos da coletânea é a recuperação de obras que estavam esquecidas. Ela menciona que o livro organiza um corpus de poemas que estavam fragmentados, oferecendo uma contribuição significativa ao mostrar a riqueza da produção poética feminina. A coletânea é resultado de um trabalho colaborativo que também se baseia em pesquisas anteriores, buscando dar visibilidade a essas autoras.

A ideia para o livro surgiu a partir de um curso ministrado por Lubi Prates sobre poetas esquecidas, utilizando o 'Dicionário de Escritoras Mulheres', de Nelly Novaes Coelho, como uma das referências. O processo de recuperação das obras envolveu a consulta a hemerotecas e arquivos, evidenciando a complexidade desse trabalho.

Ana Rüsche também discute as lutas que permeiam a vida dessas poetas, incluindo a histórica dificuldade de publicação enfrentada por mulheres no Brasil, e a luta pela educação de outras mulheres. A coletânea não só recupera a produção poética, mas também traz à luz questões sociais que continuam relevantes. Além disso, ela menciona a importância da documentação de casos de violência, como o feminicídio, que remonta a tempos antigos na poesia brasileira.

Ao final, Rüsche reflete sobre a relevância da coletânea em um contexto contemporâneo, onde a luta por reconhecimento e igualdade continua. A obra 'Inesquecíveis' se apresenta como um marco na valorização da contribuição feminina na literatura, mostrando que a poesia é um instrumento poderoso de resistência e transformação.

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