Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha
A Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, na vila histórica de Caraíva, em Porto Seguro (BA), sedia a 5ª edição do Festival Caju de Leitores, de 2 a 4 de setembro. Criado em 2022, o evento gratuito e aberto a todas as idades tem como objetivo melhorar as habilidades de leitura e escrita dos estudantes indígenas da região.
Segundo a diretora-geral, Joanna Savaglia, desde o ano 2000 começaram a surgir instituições de ensino na região, como a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), o Instituto Federal da Bahia (IFBA) e a Escola Técnica Estadual (Etec). "Os estudantes precisam de redação e da compreensão de texto para poder vencer a dificuldade do vestibulinho", afirmou.
O tema deste ano é Manifesto de Bichos, com a fauna presente na programação. "A fauna vai estar inteira dentro da programação, falando de bichos, basicamente", disse Joanna. Edições anteriores abordaram território, flora e árvores. O festival propõe atividades de literatura, oralidade, memória e conhecimentos indígenas, com os animais como parte das narrativas e da relação com a ancestralidade e o território Pataxó.
Estarão reunidos escritores, artistas, educadores, estudantes, pesquisadores e lideranças indígenas. Entre os convidados, Sairi Pataxó, Lucia Tucuju, Auritha Tabajara, Vanessa Guarani Ratton, vencedora do Prêmio Jabuti 2023, e Apêtxienã Pataxó. A homenageada é Maria Coruja, de 91 anos, da Aldeia Pará, que transmite cantigas e brincadeiras de criança pela oralidade.
Pela primeira vez, o festival traz uma autora estrangeira: a indígena argentina Mariela Tulián. O evento terá também uma livraria, loja, espaço de alimentação e exposição, com abertura às 14h do dia 2 de setembro. Desde a criação, o Caju já alcançou mais de 12 mil pessoas. A realização é do Ministério da Cultura e da Savá Cultural, com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro.