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Instituto anuncia no CineOP centro para preservar audiovisual

ResumoO Instituto Moreira Salles anunciou no CineOP 2026 a criação de um centro dedicado à preservação do audiovisual brasileiro. A iniciativa resulta da integração entre acervos públicos e privados, visando garantir a conservação e o acesso a obras cinematográficas nacionais. O projeto fortalece a memória cultural do país e promove políticas de arquivamento.

O Instituto Moreira Salles anunciou na abertura do CineOP 2026 a criação de um centro dedicado à preservação do audiovisual brasileiro. A iniciativa, que nasce do encontro entre acervos públicos e privados, promete articular a memória do cinema nacional em rede.

Rafael Albuquerque Tordesilhas
Rafael Albuquerque Tordesilhas Crítico de Cinema Nacional · 29 de junho de 2026
Instituto anuncia no CineOP centro para preservar audiovisual
7.9/10
VereditoO Instituto Moreira Salles anunciou na abertura do CineOP 2026 a criação de um centro dedicado à preservação do audiovisual brasileiro. A iniciativa, que nasce do encontro entre acervos públicos e privados, promete articular a memória do cinema nacional em rede.

Instituto anuncia no CineOP centro para preservar audiovisual

O Instituto Moreira Salles (IMS) anunciou na abertura do CineOP 2026, realizado em Ouro Preto (MG), a criação de um centro dedicado à preservação do audiovisual brasileiro. O projeto, que articula acervos públicos e privados, nasce do reconhecimento de que boa parte da produção nacional, especialmente a regional, corre risco de desaparecer sem política estruturada de guarda e difusão. A iniciativa promete conectar arquivos de diferentes regiões do país, criando uma rede de preservação que dialogue com as especificidades de cada cena.

O anúncio ocorreu durante a mesa de abertura do festival, que este ano tem como tema central "Memória e Futuro do Cinema Brasileiro". O IMS, que já mantém centros culturais em São Paulo, Rio de Janeiro e Poços de Caldas, amplia agora sua atuação para o campo da preservação audiovisual em escala nacional. A escolha do CineOP como palco do anúncio não é casual: o festival é um dos principais fóruns de discussão sobre preservação e arquivo no país.

O que propõe o centro de preservação

O centro funcionará como núcleo de digitalização, catalogação e difusão de acervos. A prioridade inicial será obras em suporte fílmico (película 16mm e 35mm) e vídeo analógico (U-matic, Betacam, VHS), formatos que concentram o maior risco de degradação. O projeto prevê parceria com cinematecas estaduais, universidades e arquivos municipais para mapear e tratar esses materiais.

Segundo o IMS, o centro não pretende centralizar os acervos físicos, mas atuar como plataforma de compartilhamento de conhecimento técnico e infraestrutura de digitalização. Cada instituição parceira mantém a guarda de seu material, enquanto o centro oferece equipamentos, treinamento e um sistema unificado de metadados. A ideia é que um filme realizado em Recife, por exemplo, possa ser consultado por um pesquisador em Porto Alegre sem sair de seu arquivo de origem.

A cena regional como foco

O cinema brasileiro se faz em muitos sotaques, e a preservação precisa refletir essa diversidade. Dados do último mapeamento da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) indicam que mais de 60% dos arquivos regionais não têm condições adequadas de armazenamento. O centro do IMS surge como resposta a esse diagnóstico, priorizando acervos do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, historicamente menos atendidos por políticas públicas de preservação.

A cena pernambucana, por exemplo, que nos anos 1990 e 2000 produziu uma safra expressiva em 16mm, tem parte significativa de sua produção ainda não digitalizada. O mesmo vale para o cinema documentário do Pará e a produção em Super-8 do Maranhão. O centro pretende estabelecer convênios com as secretarias estaduais de cultura para viabilizar a recuperação desses materiais.

Conexão com outros acervos

O projeto dialoga com iniciativas já em curso, como o Programa de Preservação da Cinemateca Brasileira e o trabalho da Associação Cultural Videobrasil. A diferença, segundo o IMS, está na capilaridade: o centro quer atuar como articulador, não como concorrente. A ideia é que cada acervo mantenha sua identidade e autonomia, mas ganhe acesso a uma rede de expertise e equipamentos.

O anúncio no CineOP também reforça o papel do festival como espaço de formulação de políticas para o setor. Desde 2006, o evento reúne arquivistas, pesquisadores, cineastas e gestores públicos em torno da discussão sobre memória audiovisual. A edição de 2026, que ocorre entre 18 e 23 de junho, tem programação que inclui mesas sobre digitalização de acervos indígenas e políticas de acesso a obras raras.

Desafios e próximos passos

A implantação do centro enfrenta desafios concretos. O primeiro é o financiamento: o IMS ainda não divulgou o orçamento total do projeto, mas estima-se que a aquisição de equipamentos de digitalização de ponta (scanners de película 4K e estações de restauração de áudio) gire em torno de R$ 5 milhões. O instituto busca parcerias com fundos de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet e fundos estaduais.

Outro desafio é a formação de mão de obra especializada. O Brasil forma poucos técnicos em preservação audiovisual, e a demanda por profissionais qualificados cresce com a digitalização de acervos. O centro prevê a criação de um programa de bolsas para estágio técnico em parceria com universidades federais.

O cronograma inicial prevê a estruturação do núcleo até o primeiro semestre de 2027, com início das operações de digitalização no segundo semestre. A sede será no Rio de Janeiro, mas o centro terá unidades móveis para atender regiões sem infraestrutura local.

O que o CineOP representa para a memória do cinema

O CineOP se consolidou como o principal fórum brasileiro de preservação audiovisual. Realizado anualmente em Ouro Preto, cidade histórica mineira, o festival reúne mostras de filmes restaurados, debates sobre políticas de arquivo e encontros de profissionais da área. A escolha do IMS para fazer o anúncio no evento reforça a centralidade do encontro para as discussões sobre o futuro da memória do cinema nacional.

O cinema do país se faz em muitos sotaques, e o centro de preservação do IMS nasce com a ambição de garantir que esses sotaques não se percam no tempo. A iniciativa, se bem executada, pode se tornar referência para outros países da América Latina que enfrentam desafios semelhantes de dispersão de acervos e falta de infraestrutura.

Perguntas Frequentes

O centro vai centralizar todos os acervos do país?

Não. O centro atuará como plataforma de digitalização e catalogação, mas cada instituição parceira mantém a guarda física de seu acervo.

Quem pode se candidatar a parceiro?

Cinematecas estaduais, universidades, arquivos municipais e instituições culturais sem fins lucrativos que mantenham acervos audiovisuais.

O centro vai digitalizar filmes de qualquer época?

Sim, desde que o material esteja em condições mínimas de manuseio. A prioridade são obras em suporte fílmico e vídeo analógico com risco de degradação.

Como os filmes digitalizados serão disponibilizados?

Por meio de um portal online com busca por título, região, gênero e ano. O acesso seguirá as políticas de direito autoral de cada acervo.

O projeto tem previsão de orçamento?

O IMS não divulgou o valor total, mas estima investimento inicial em equipamentos e estrutura de cerca de R$ 5 milhões, com captação via leis de incentivo.

O centro atenderá apenas acervos do eixo Rio-SP?

Não. A prioridade declarada são acervos de regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, historicamente menos atendidos por políticas de preservação.

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