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Mostra fotográfica em Brasília resgata luta de quilombolas em GO

ResumoA mostra fotográfica "Quilombos de Goiás" em cartaz no Museu da República, em Brasília, documenta a trajetória de comunidades quilombolas goianas do século XIX ao presente. A exposição reúne imagens históricas e contemporâneas que resgatam a luta e a resistência dessas comunidades pela preservação de territórios e identidade cultural.

Uma exposição em Brasília reúne fotografias que documentam a trajetória de comunidades quilombolas em Goiás, com imagens que vão do século XIX aos dias atuais. A mostra, em cartaz no Museu da República, propõe um mergulho na memória e na resistência desses povos.

Núbia Carvalho Estrela
Núbia Carvalho Estrela Editora de Cultura Periférica · 02 de julho de 2026
Mostra fotográfica em Brasília resgata luta de quilombolas em GO
7.1/10
VereditoUma exposição em Brasília reúne fotografias que documentam a trajetória de comunidades quilombolas em Goiás, com imagens que vão do século XIX aos dias atuais. A mostra, em cartaz no Museu da República, propõe um mergulho na memória e na resistência desses povos.

Uma exposição em Brasília está contando, por meio de fotografias, a história de resistência das comunidades quilombolas em Goiás. A mostra, em cartaz no Museu da República, reúne imagens que vão do século XIX aos dias atuais, traçando um arco que vai da escravidão à luta contemporânea por direitos territoriais.

A exposição 'Resistência Quilombola em Goiás' está em cartaz no Museu da República, em Brasília, até 30 de junho de 2026. A mostra reúne cerca de 50 imagens históricas e contemporâneas que retratam a luta e o cotidiano de comunidades quilombolas goianas, com curadoria do fotógrafo João Roberto Ripper.

O acervo e a curadoria

A curadoria é do fotógrafo João Roberto Ripper, que há mais de 30 anos documenta comunidades tradicionais brasileiras. Segundo ele, a mostra nasceu de um trabalho de campo iniciado em 2022, quando percorreu 12 comunidades quilombolas em Goiás registrando modos de vida, festas e a relação com a terra.

As imagens históricas vêm do acervo do Instituto Moreira Salles, que cedeu reproduções de fotografias do século XIX, incluindo registros de viajantes estrangeiros que passaram pela região. Já as fotos contemporâneas foram feitas especialmente para a exposição.

As comunidades retratadas

A mostra abrange comunidades como Kalunga (a maior do Brasil, com cerca de 4 mil famílias), Mesquita, Flores e Córrego do Ouro. Cada uma tem uma sala dedicada, com imagens que mostram desde o trabalho na roça até as festas de congado.

"A Kalunga é um símbolo de resistência", afirma Ripper. "Eles ocupam uma área de 253 mil hectares no nordeste de Goiás e conseguiram manter a terra desde o século XVIII."

A luta por direitos

A exposição não se limita a mostrar o cotidiano. Ela também aborda a luta política das comunidades quilombolas por titulação de terras. Em Goiás, segundo a Fundação Cultural Palmares, existem 52 comunidades quilombolas certificadas, mas apenas 12 têm o processo de regularização fundiária concluído.

Uma das imagens mais impactantes é a de dona Maria do Rosário, liderança da comunidade Mesquita, segurando o título de propriedade coletiva conquistado em 2024 após 20 anos de luta. "A terra é a nossa vida", ela diz na legenda da foto.

O contexto histórico

A mostra também recupera a história da escravidão em Goiás. Segundo o historiador Luiz Palacin, autor de "Goiás: 1722-1822", a província recebeu cerca de 30 mil africanos escravizados durante o ciclo do ouro. Muitos fugiram e formaram quilombos nas regiões de serra, como o Kalunga.

A visitação

A exposição ocupa duas salas do Museu da República, com entrada gratuita. O horário de funcionamento é de terça a domingo, das 9h às 18h. Há visitas guiadas para grupos com agendamento prévio pelo site do museu.

Para quem não puder ir presencialmente, a curadoria preparou um tour virtual com 360 graus, disponível no site do museu a partir de julho.

A importância da mostra

Expor a luta quilombola em Brasília, capital do país, é um ato político. "A gente está no centro do poder para lembrar que a luta por terra continua", diz Ripper. A mostra é uma parceria do Museu da República com a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação Cultural Palmares.

A exposição integra a programação do Junho Negro, mês de conscientização sobre a resistência negra no Brasil. Outros eventos incluem rodas de conversa e oficinas de fotografia para jovens das comunidades retratadas.

Perguntas Frequentes

Onde fica a mostra fotográfica sobre quilombolas em Brasília?

No Museu da República, localizado na Esplanada dos Ministérios.

Até quando a exposição fica em cartaz?

Até 30 de junho de 2026.

A entrada é gratuita?

Sim, a entrada é gratuita.

Há visitas guiadas?

Sim, com agendamento prévio pelo site do museu.

Quem é o curador da mostra?

O fotógrafo João Roberto Ripper.

Quantas comunidades quilombolas são retratadas?

A mostra abrange 12 comunidades, com destaque para Kalunga, Mesquita, Flores e Córrego do Ouro.

Como visitar virtualmente?

O tour virtual estará disponível no site do museu a partir de julho de 2026.

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