Rio recebe exposição sobre corrida mineral no Vale do Jequitinhonha | Arte e Design
O Rio de Janeiro recebe uma exposição que investiga a corrida mineral no Vale do Jequitinhonha, região marcada por décadas de extração de lítio e nióbio. Com curadoria de Ana Paula Cohen, a mostra reúne 15 artistas em torno dos vestígios visuais da mineração.
O Rio de Janeiro recebe uma exposição que investiga a corrida mineral no Vale do Jequitinhonha, região marcada por décadas de extração de lítio e nióbio. Com curadoria de Ana Paula Cohen, a mostra reúne 15 artistas em torno dos vestígios visuais da mineração.
Territórios Minerais, em cartaz de 10 de março a 15 de junho de 2026 no Museu de Arte do Rio (MAR), reconta a corrida mineral no Vale do Jequitinhonha por meio de obras de 15 artistas contemporâneos. A mostra investiga os impactos visuais e sociais da extração de lítio e nióbio na região.
A corrida mineral no Vale do Jequitinhonha
O Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, concentra uma das maiores reservas de lítio do Brasil. A exploração intensificou-se a partir dos anos 2000, quando a demanda global por baterias cresceu. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a produção de lítio no estado saltou 40% entre 2020 e 2024. A exposição não exibe diagramas técnicos, mas sim os rastros dessa atividade na paisagem e na cultura local.
O lítio e o nióbio como tema visual
A curadora Ana Paula Cohen selecionou trabalhos que partem de registros fotográficos, mapas geológicos e entrevistas com moradores. A obra central, de Paulo Nazareth, é uma instalação com 200 quilos de rejeito de mineração coletado em Araçuaí. Nazareth converte o resíduo industrial em matéria-prima artística, invertendo a lógica extrativista.
Artistas e obras em destaque
A mostra reúne nomes como:
- Paulo Nazareth, instalação com rejeito de mineração
- Lia Chaia, vídeo sobre o ciclo da água contaminada
- Jarbas Lopes, esculturas com cabos de aço e borracha
- Aline Motta, fotografia dos barrancos expostos pela extração
Cada obra propõe uma decisão de projeto concreta: Chaia usa o som de água corrente para evocar a ausência de nascentes; Lopes tensiona cabos de aço para sugerir o limite entre suporte e ruptura.
Curadoria e decisões de montagem
Cohen optou por uma montagem não cronológica. As obras dialogam por similaridade formal, não por ordem histórica. Na primeira sala, fotografias de Aline Motta (2019) mostram cortes verticais no solo, enquanto a instalação de Jarbas Lopes (2022) ocupa o centro com linhas de aço que lembram as torres de transmissão elétrica da região. A decisão de projeto é clara: o espectador não lê a história da mineração, mas sente sua pressão visual.
A imagem do cotidiano também é projeto
A exposição inclui uma sala dedicada a objetos do cotidiano dos garimpeiros: panelas amassadas, botas de borracha, lanternas a carbureto. Esses itens, organizados pela designer Renata Rubim, são dispostos em vitrines baixas, forçando o visitante a curvar-se para vê-los. O gesto físico repete a postura de quem trabalha em túneis estreitos. Design é arte que tem função, e aqui a função é fazer o corpo lembrar.
Impacto da mineração na cultura visual
A corrida mineral no Vale do Jequitinhonha não afetou apenas a geologia. A cultura visual da região incorporou os materiais da mineração: as fachadas das casas em Araçuaí usam pó de quartzo como pigmento; as cercas são feitas de cabos de aço descartados. A exposição documenta essa apropriação estética por meio de fotografias de Maureen Bisilliat (1980) e registros contemporâneos de Edgar Kanaykõ Xakriabá.
Serviço da exposição
- Local: Museu de Arte do Rio (MAR), Praça Mauá, 5, Centro, Rio de Janeiro
- Período: 10 de março a 15 de junho de 2026
- Horários: terça a domingo, 10h às 18h (última entrada às 17h)
- Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia). Grátis às quartas-feiras.
- Curadoria: Ana Paula Cohen
- Artistas: Paulo Nazareth, Lia Chaia, Jarbas Lopes, Aline Motta, Maureen Bisilliat, Edgar Kanaykõ Xakriabá, entre outros
Exposições de arte contemporânea no Rio em 2026
Perguntas Frequentes
O que é a corrida mineral no Vale do Jequitinhonha?
É o ciclo de exploração intensiva de lítio e nióbio na região mineira, acelerado a partir dos anos 2000 pela demanda global por baterias.
Quantos artistas participam da exposição?
A mostra reúne 15 artistas, entre nomes consagrados e emergentes da cena contemporânea brasileira.
Qual a relação entre mineração e arte na mostra?
As obras partem de materiais reais da mineração, rejeito, cabos de aço, água contaminada, para investigar os impactos visuais e sociais da atividade.
A exposição tem entrada gratuita?
Sim, às quartas-feiras a visitação é gratuita para todos os públicos.
Quem é a curadora Ana Paula Cohen?
Ana Paula Cohen é crítica de arte e curadora independente, conhecida por exposições que cruzam arte contemporânea e questões territoriais no Brasil.